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Jornal Diário de Suzano - 29/09/2020
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Felicidade Interna Bruta

21 ABR 2016 - 08h00

eduardo caldas corO indicador padrão para mensurar a renda dos países e de toda e qualquer região é o Produto Interno Bruto (PIB), que nada mais é que a medida de todos os bens e serviços gerados ao longo de determinado período de tempo em determinado território. É o crescimento do PIB que a maior parte dos economistas, líderes e políticos persegue.

O ambientalista José Lutzemberger para ironizar a insuficiência da ideia de PIB e para ironizar também a busca insana pelo seu crescimento, costumava dizer que "não há coisa melhor para o crescimento do PIB que um terremoto, que não leva em conta a destruição e contabiliza toda a reconstrução".

Diante da insuficiência do PIB como indicador para o desenvolvimento econômico foi criado nos anos 90 o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), composto por três indicadores - longevidade, educação e renda - e, diferentemente do PIB, não nasce para medir o que foi gerado de produto ao longo do ano, mas sim como este produto foi apropriado pelos indivíduos na forma de políticas públicas capazes de remover os entraves à expansão das liberdades.

Em meio a esses indicadores, tanto os mais tradicionais como o PIB quanto os mais recentes e inovadores como o IDH, destaca-se o índice de Felicidade Interna Bruta (FIB).

A proposta foi lançada por Jigme Singye Wangchick, rei do Butão, país budista encravado no Himalaia, entre a China e a Índia. Desde 1972, Wangchick defendia enfaticamente uma medida de desenvolvimento mais de acordo com a cultura de seu país, marcada por valores espirituais budistas. "A Felicidade Interna Bruta do país é mais importante do que o seu Produto Interno Bruto", dizia.

Com apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o reino do Butão iniciou um processo da construção de uma metodologia (índice, questionário, qualificação para uso do instrumento) capaz de medir um sentimento tão complexo e polissêmico como a felicidade.

O índice FIB é composto por nove dimensões: bem-estar psicológico; cultura; educação; governo; meio ambiente; padrão de vida; saúde; uso do tempo; e vitalidade comunitária. Mas o índice não ficou restrito ao Butão, e sua aplicação começou a espalhar-se pelo mundo. No Canadá, um grupo coordenado por Michael Pennock, diretor do Population and Public Health Observatory, em Vancouver, desenvolveu uma versão internacional (ou "debutanizada") do indicador, e a tem disseminado para diversos países ocidentais, inclusive o Brasil.

Na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e na Universidade de Brasília (UnB) há grupos estruturados estudando o tema na forma de pesquisa e aplicando-o na forma de extensão universitária.

É urgente disseminar essa ideia generosa e discuti-la, dentre outros lugares, na região do Alto Tietê mesmo sabendo que é uma região rica com povo empobrecido e mal governado, assolado por males superados em outras paragens do Brasil e do mundo e ainda morrendo, como expresso (em outro contexto) nos versos de João Cabral de Melo Neto, "de velhice antes do trinta, de emboscada antes dos vinte, de fome um pouco por dia, e de fraqueza e de doença até gente não nascida".

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