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Jornal Diário de Suzano - 24/06/2018
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Fruto

15 AGO 2015 - 08h00

A vida de cada um tem as suas características. Apesar da chamada “indústria cultura”, que nos condiciona a consumir, a nos “uniformizarmos”, a nos vestirmos iguais, a nos conduzirmos a fazer todos do mesmo modo, a nos comportarmos identicamente, ao som, especialmente, dos valores mercantis.

Como se algo nos impulsionasse, como se mesmo que nos sintamos diferentes uns dos outros, ainda assim quiséssemos ser iguais, nessa diferença.

Há poucos dias comemoramos o Dia dos Pais. Coisa boa. Gosto. Nunca pensei na minha juventude nem em me casar. Até que achei a mulher com quem desejei ficar junto. E tive o contentamento de poder ficar todo o tempo com ela.

Também nunca pensei em ser pai. E isso aconteceu, e foi muito bom. Não deveria ser exatamente uma surpresa, até porque fiz pré-natal, preparando-me para as atribuições. Meu primeiro filho nasceu quando vivia fora do Brasil. A gestação estava tranquila, a obstetra tirou férias. Comemoramos o Natal e o Ano Novo com parentes que foram ficar conosco para o grande momento.

No dia 2 de janeiro saíram em viagem. E nesse mesmo dia acompanhei minha mulher a maternidade. Passou a ser aquele o dia, um mês e meio antes. Ou melhor, a noite, 19h45 nasceu, Acompanhei, sem desmaiar. E naquele tempo, no caso, na França, a mulher e a criança eram obrigadas a ficar dez dias no hospital.

Depois, quando deixei-os e fui para casa, sozinho, lancei fora uma pulseira de aço que mantinha no pulso havia quase dez anos, onde estava a palavra latina “delenda”. Não compreendia como construir um mundo novo sem destruir o que havia de velho. A partir daquele instante percebi que também se reformam as coisas já existentes, sem precisar aniquilá-las.

Meu segundinho foi minha filha. Veio no meu aniversário, dois anos e meio depois. A gente fica bastante ocupado, a mente, as pernas e os braços. Veio na hora do almoço. E só muito depois me dei conta de não haver comido nada até a noite. Mas havia uma espécie de alegria, de satisfação, que me tomava quase que por completo. Foi tudo muito bom.

As coisas nunca me caíram do céu. Mas acabei aprendendo que o Céu sabia o que me cabia. Eu é que devia descobrir como alcançar o que pretendesse. Estou completando cinquenta anos de fazer Poesia. E amo esse meu fazer. Por que deixaria de reconhecer meus filhos como também meus Poemas, ainda que escritos a quatro mãos?

Há dez anos publiquei no meu livro “Sobre a Pele” o poema “Fruto”: “não sou pai/ por que fiz meu filho/ sou/ por que meu filho me fez”. Felicidade.

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