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Jornal Diário de Suzano - 23/11/2017
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20 JUN 2015 - 08h00

Uns amigos começaram a se articular pensando numa biografia minha. Claro, gostei. Já pensei, até como escritor, numa “autobiografia”. Mas isso exige tempo, e neste momento ainda não consigo. Posso conceder umas meias-horas para filmar uns depoimentos tarde da noite. Parece menos atravancado. Para mim, claro, talvez não para os demais. Enfim...

E me pediram fotos antigas. Nunca fui de tirar fotos minhas. Gosto de fotografar, gostava de filmar, o que faz tempo não tenho feito, mas não gosto e nem sei fazer o tal de selfie. Guardo na memória os instantes de encontro com muita gente que me é importante. Mas da grande maioria não tenho registros. Papagaio de pirata nunca me foi confortável. Mas estão lá, na minha cabeça, uns tantos encontros, para mim históricos, com gente que aprendi a admirar. Como fui acometido de silêncios profundos, diante de gente importante na minha história. Como foi encontrar com Jean Paul Sartre. Era algo como um ídolo nos meus vinte e poucos anos. Devorei seus textos. Segui umas tantas de suas ideias. No encontro com ele, sinceramente, não lembro mais do que lhe disse. Lembro da singeleza de seus comentários, ele falava fácil de entender. Foi, sim, emocionante, para mim. Já haviam passado quatro anos de sua liderança dos estudantes de 1968, na França e no mundo, da Europa ao Brasil. E Sartre diante de mim. Ao vivo e em cores. Depois discordei de alguns dos seus pensamentos. Não importa, ele foi um agente muito especial em tanto do que fiz.

Temos tanto a aprender. Lembro de duas cenas. No Exterior vi um Jaguar conversível na rua. As pessoas olhavam. Alguém perto de mim disse, “ainda vou ter uma carro assim”. Fiquei na minha. No Brasil, há uns anos alguém deixou um carro Interlagos, conversível, parado na rua, enquanto tomava um cafezinho num boteco. Quando voltou o carro estava cheio de sujeira que as pessoas jogaram dentro. Vontade é diferente de inveja.

Vida! Será que hoje ainda existem exemplos, “ídolos” que não sejam da Indústria Cultural? Aquilo da Comunicação de Massas que só tem finalidade mercantil? De Sertanejo só conheço um tanto da chamada “Música de Raiz”, de Pagode conheço sua base. Sei não, é até possível que eles existam, como sei que existem leitores de biografias. Como existem escritores desse mesmo tipo de texto. Agora ainda mais livres para escreverem, ficção ou não. Ainda que possam vir a serem processados até por calúnia e difamação.

E daí? Onde foi que guardei minhas fotos antigas?



Suami Paula de Azevedo

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