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Jornal Diário de Suzano - 10/12/2017
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Horta-Jardim Urbana

06 MAI 2015 - 08h00

Em 29 de março, li no Caderno Aliás do Estado de São Paulo uma reportagem cujo título era "Nem tudo são flores". Tratava-se de uma iniciativa entre vizinhos para transformar um terreno baldio de 70 m², na esquina das ruas Barão de Itaúna e João Tibiriça, na Lapa, cidade de São Paulo, em uma horta comunitária.

A reportagem descrevia uma polêmica entre um grupo de hortelões por um lado e o jornal do bairro do outro.

Os hortelões estavam interessados em transformar um lugar degradado e depositário de entulho em ambiente agradável e passível de convivência social por meio de sua limpeza e plantação.

"Incomodadas com o acúmulo de entulho e impossibilidade de andar pela calçada dominada pelo mato, duas moradoras se mobilizaram. Panfletaram nas residências do entorno, convidando os vizinhos a discutir alternativas para a área" (OESP, 29/03/2015). Em seguida essas mesmas moradoras deram início à limpeza do terreno com a colaboração e solidariedade de outras vizinhas.

O fato é que tudo isso teve início há mais de um ano e na última sexta-feira, 1º de maio, feriado, Dia do Trabalho, fui conhecer a referida esquina na Lapa. Não era uma esquina quadrada e plana. Era uma esquina triangular e íngreme que dificulta qualquer tipo de construção. Não sei como fora, mas atualmente é um lugar singelo e agradabilíssimo. Gostei da diversidade de ervas e flores, das árvores, das pequenas curvas de nível e suas contenções feitas de bambu, da pequena escada com degraus de tijolo, dos canteiros cercados com barbante estirado, das tabuletas pintadas, dos bancos feitos com toco de árvore, e da pequena caixa de abelhas jataís.

Esse gesto de poucos vizinhos que transformam terrenos baldios em hortas e jardins traz à tona questões importantes para qualquer cidadão, dentre os quais:

1 - A possibilidade valorosa de dispor de tempo para ação coletiva, apesar das controvérsias geradas. Os momentos de conversa, de proximidade entre vizinhos e, em seguida o espaço cultivado, que servirá muito menos para complementar renda e alimentação e muito mais como espaço de contemplação, indicam a relevância de uma ação coletiva;

2- A necessidade de melhor destino para os terrenos baldios seja em São Paulo, seja em Suzano, ou Mogi das Cruzes. O gesto dessa ação entre vizinhos evidencia, em pequena escala, a necessidade de novas formas de manutenção e uso dos espaços públicos (não necessariamente estatais) e, em escala maior, uma reflexão sobre o destino dos terrenos baldios da cidade, muitas vezes propriedade de algum especulador esperando pela valorização do local;

3- O plantio em pequenos espaços, muito provavelmente não serve para abastecer a cidade, mas traz à tona o debate sobre o abastecimento alimentar, além de transformar os espaços em pequenos recantos de contemplação.

Vida longa à horta-jardim da Lapa. Que o gesto e a ação das vizinhas da Lapa se multipliquem.



Eduardo Caldas

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