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Jornal Diário de Suzano - 15/07/2019
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Luto na Benjamim Constant

21 AGO 2015 - 08h00

São milhares as pessoas, que todos os dias, voltando do trabalho, com o olhar cansado, inquieto e apressado, saem do trem na estação de Suzano e a maioria dispara numa única direção, para chegar ao primeiro ponto de ônibus, que encontra-se na Rua Benjamin Constant.

A calçada fica tumultuada, agitada, com as pessoas desesperadamente ansiosas para pegar o ônibus e voltar para casa. O trânsito, fica congestionado naquele ponto, os motoristas ficam revoltados, pelo fato de aglomerar muitos ônibus e vans, desde o percurso inicial da rua, vindo da Felício de Camargo, um atrás do outro, ininterruptamente. A procissão dos passageiros, que deixam a estação para pegar o ônibus, termina na frente do barzinho do sr. Vitor Landucci. Já havia alguns meses, que o sr. Vitor não estava mais no balcão e nesta quarta-feira, o barzinho estava fechado devido ao falecimento, muito prematuro, de um homem forte, robusto, vítima de um câncer fortemente agressivo. Na rua, na calçada e no coração das pessoas o sentimento é de grande tristeza. Vitor, há quase cinquenta anos, olhava do balcão, bem próximo da calçada, empurra-empurra, a pressa e a espera das pessoas que ali chegavam. No seu barzinho, não havia tosses de drogados, nem palavrões de bêbados, nem fumaça de cigarro se expandindo no ar ou dentro do local. De manhã, à tarde e à noite, o Vitor ensaiava conversas, servia bebidas, lanchinhos e café. Sendo o barzinho próximo da Praça João Pessoa e da Igreja São Sebastião, tendo a possibilidade de passar por perto do local, eu trocava com ele um caloroso e estreito aperto de mão e pequenos comentários sobre a vida suzanense. Frequentava a casa localizada atrás do barzinho, sobretudo quando estavam vivos os seus sogros, os pais da esposa Maria, o inesquecível casal Elias e Judite, que honraram o casamento, com 76 anos de convivência conjugal, renovando a entrega das alianças, abençoadas por mim na Matriz de São Sebastião, no ano de 2006.

Com a internação de Vitor, para fazer o tratamento quimioterápico, o barzinho parou de ficar aberto até meia noite. O ponto de ônibus, com o fechamento das lojas que estão ao lado, após as vinte horas, ficou obscuro, sombrio e triste.Vitor estava com 61 ano, tinha um neto, que a filha Tamara lhe deu e estava à espera de ver os seus outros dois filhos, chegarem ao casamento.

O barzinho, simples, pequeno, porém acolhedor, sem o dono, sem o bom humor e o vozerão dele, perdeu um pouco de vida e não será mais a mesma coisa. Sobre o pedaço de rua, mais movimentado da Benjamin Constant, sobre o ponto de ônibus mais turbulento da cidade e sobre o povo que ali espera, faltará o olhar amigo de Vitor que quando estava com saúde, chegava a ficar dezoito horas no balcão. Passando por aí, percebo que a Maria, não aguentará segurar o serviço por muito tempo e talvez irá vender o ponto e a casa toda. Será o fim de uma história de amor, de Vitor e da sua família com a Rua Benjamin Constant. Pois, por quase 50 anos, de noite e de dia, a vida deles se passou sempre ao lado desta rua. Segurando os anseios, não apenas dos membros da família, mas também do povo, que vem sofrendo naquele ponto, o calor, a chuva, os alagamentos, o cansaço e o sufoco de gente amontoada. Vitor queria tanto ver a Rua Benjamim Constant, recapeada, porém, pela triste sorte da doença não lhe foi dado, viver este júbilo. Melancólico e esperançoso, o povo espera ver este dia.



Padre Carmine

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