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Jornal Diário de Suzano - 27/10/2020
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Melodia

27 FEV 2016 - 08h00

suami-cor_Ouvíamos umas melodias da Bossa Nova. Amigos, sentindo-se bem ali. O ambiente nos trazia calma, coisa que se afasta de nossos dedos. Falávamos até mais baixo do que no costume dos dias de hoje.

Só um ia no uísque, outro na cerveja preta, amarga. Os demais íamos, os três, no vinho. O calor talvez pedisse um branco. Mas havia uma certa aragem depois da chuva e todos concordaram em refrescar um pouco mais o tinto Cabernet-Sauvingnon.

Alguns lembravam suas experiências juvenis. Outras gerações. Lembramos da nossa escola no antigo Clássico, equivalente ao Ensino Médio de agora, ocupada por garotos. Dizíamos Colégio Estadual. Era a melhor escola de Pinheiros, um bairro de classe média tranquilo na São Paulo daquela época. Não quis comentar minha noção de mando e de desmandos.

Lembrei das visitas ao Canja, um clube de Jazz nos Jardins. Era só atravessar a Rebouças. O Zimbo Trio encantando. Havia levado alguns. Lembraram. Mas o Jazz não era coisa de todos. Se eu adorava, sabia que a maioria gostava mesmo do Rock. Mas hoje a Bossa nos acompanhava bem. Era contemporânea de todos.

Um verso me veio: “a melodia da sua distância”. Parei ali. Fiquei pensando. Peguei um papel e escrevi. No outro dia, peguei o papel, fui colocá-lo no computador. Tenho uma pasta, “Restos”. Um dia os vou completando, alguns até podem virar poemas.

Lembrei do dia anterior. A música viva na lembrança. Trazia sua melodia suave. O Jazz, inegável, estava ali, na Bossa. Algo de amor perdido em tantas delas. Imaginação. Lembrei do Silvio Cezar, que encontrava tanto em 1970, no Rio. Ele cantava seu clássico: “Ah, se eu fosse você, eu voltava pra mim, voltava, sim...”

Digitei meu verso. Outros versos chegando. As estrofes se fazendo. Dei-me conta, já estava há um bom tempo ante o monitor. Reli. Por que não intitular, justamente de “Melodia”?

“a melodia da sua distância/ chegava-me com leve odor adocicado/ de fruta madura/ nem o rumor de vagas na memória/ conseguia afastar as imagens ardentes que me trazia”// “a luz ardia nas páginas brancas dos muros/ que moldavam as ruas/ restava-me sempre/ persistente/ o silencio nos meus dedos/ tudo o mais era memória”// “e quão suavemente doce/ sopravam-me os versos/ que sentia escapar/ na brisa/ como uma carícia/ que me deixava”// “você estava ali/ sabia disso/ mais nada ficava/ o resto era silêncio/ soprando/ soprando/ afastando-se sem parar”

Um tempo se afastava. Sua melodia. Quem sabe, temos de olhar melhor para ver a Poesia.

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