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Jornal Diário de Suzano - 22/11/2017
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Meu pai foi recolhido

18 MAR 2015 - 08h00
Paulo Antônio de Lima Caldas é meu pai, e também pai de Fabiano. Ele nasceu e morreu em Suzano, respectivamente, em 03 de março de 1949 e 08 de março de 2015.

Estudou interno no Seminário Diocesano Santo Antônio, em Taubaté, onde fez o que hoje chamamos Ensinos Fundamental e Médio. No Seminário também estudou Filosofia. Foi bancário. Formou-se em Letras, Pedagogia e Direito. Foi educador, professor de francês, inglês e português.

Em Suzano, fundou a Livraria Musicultural em 1972. Casou-se com a professora Clarice Vendramin de Lima Caldas em 1973. Em 1998, fundou a Sociedade de Educação e Cultura Alto Tietê (SECAT).

Lecionou nas Escolas Antônio Rodrigues de Almeida, Antônio Marques Figueira, Luiz Bianconi, Raul Brasil, Tokuzo Terazaki, Carlos Molteni, Roberto Bianchi, Morato de Oliveria, Geraldo Justiniano. Foi diretor das Escolas Leda Fernandes Lopes e Zeikichi Fukuoka.

Também foi professor no município de São Paulo. Atualmente, além da SECAT, lecionava na EMEF Maílson Delane, na Cidade Tiradentes. Em novembro, quando lhe pedi para me levar até a estação de trem, em vez de me deixar em Suzano, levou-me para Guaianazes, via Cidade Tiradentes, para me mostrar seu trajeto quase diário. Apresentou-me, com orgulho, as Escolas da região e os conjuntos habitacionais.

Foi atuante na APEOESP e na APASE, filiou-se ao MDB e, em 1982, foi candidato a vice-prefeito ao lado de Pedro Sinkaku Miyahira. Foi fundador nacional do PSDB, quando o referido partido tinha um misto de convicções da Democracia Cristã Latino-Americana sob a liderança de André Franco Montoro, e da social democracia. Elegeu-se vereador em 1992.

Foi um homem de ação. Preparava aulas, cursos da SECAT, orientava as atividades de seus funcionários e criava galinhas. Dentre tantas ações, campanhas, histórias, pensamentos e trabalhos, deixou escrito, aproximadamente 40 artigos de jornal e onze livros com as proposições que apresentou e defendeu na Câmara Municipal de Suzano. Suas aulas eram preparadas diariamente até fevereiro deste ano. Não as repetia.

Nos últimos dias, lhe perguntei sobre o que gostava de fazer. Foi categórico: "não gosto de dormir. Gosto da sala de aula, do contato com os alunos e colegas. Gosto de criar galinhas. Gosto de viver. E tenho lutado muito pela vida".

Para ele, literalmente, a vida era um dom que tinha que ser cuidado; e a morte era o recolhimento para a casa do Pai. Costumava dizer que "o dia da ressurreição virá para todos".

Neste momento em que meu pai foi recolhido, vejo seu velório representativo, com amigos de cada momento de sua vida, do Seminário, de cada Escola, da política. Vejo que além da esposa, dos filhos, das noras, dos netos, deixou uma legião de amigos, colegas de profissão, alunos e muitos ex-alunos. Sinto que deixou bons exemplos e muitas saudades. Nunca imaginei que a música de Sérgio Bittencourt sobre seu pai, Jacob do Bandolim, pudesse trazer tanta lembrança. Na falta de talento literário, repito, com saudades, a segunda parte da música: "Naquela mesa ele juntava gente / E contava contente o que fez de manhã. / E nos seus olhos era tanto brilho, / Que mais que seu filho, eu fiquei seu fã".

 

Eduardo de Lima Caldas

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