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Jornal Diário de Suzano - 26/09/2020
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Mudanças

17 MAI 2016 - 08h00

lorena burger jurada do c de cronica-frrEm outros tempos, quando pensávamos em construir uma casa, comprávamos um terreno e nele imaginávamos uma casa confortável, quartos grandes de amplas janelas para permitir entrada de luz e ar, a sala deveria ser arejada, pois, além de ali se localizar a mesa onde aconteciam as reuniões para as refeições, era também o local de recebermos as visitas. Não havia espaço especial para a televisão, o diálogo entre os moradores era primordial.

A cozinha era um local onde sempre havia um bule com café, preparado para receber as visitas, que podiam ser as de longe ou até mesmo os vizinhos, para uma conversa tranquila.

As casas eram amplas e próximas das ruas, o fundo do quintal era espaçoso, onde havia espaço para tudo, uma horta, um pomar, o espaço para as crianças brincarem e para a casa do cachorro, personagem indispensável e o guardião do quintal. Alguns moradores até conseguiam criar outros bichos nesse espaço, como galinhas e porquinhos... Uma delícia de vida.

Os prédios eram construídos em quase todo o espaço do terreno, sobrava espaço para um bonito jardim, a entrada era ampla e os apartamentos, por menores que fossem, eram espaçosos. Não se pensava em garagem, poucos tinham carro.

E o progresso chegou, com ele vieram artigos que passaram a ser entendidos como de primeira necessidade, os prédios perderam espaço e conforto para dar lugar para inúmeras garagens, ganharam área de lazer, mas a convivência familiar não foi estreitada por conta da redução de espaço.

As casas perderam horta, jardim, quintal, a cozinha ficou menor, a sala passou a priorizar o espaço para a televisão e sofás, onde não se acomoda mais a família par as conversas, em sua maioria uma pessoa fica esticada no sofá assistindo muda o que passa na telinha esquecendo que bem próximo outras pessoas estão disponíveis para um diálogo, uma troca de ideias, um carinho.

Para conversar, muitos marcam encontros em barzinhos, lanchonetes, shoppings e outros tantos locais distantes da casa, que passou a ser um local onde nos recolhemos para dormir, fazer algumas refeições e encontrar os familiares, mesmo que seja só de passagem e trocar um oi enquanto se cruzam.

Ganhou o progresso, a tecnologia, afinal a troca de mensagens de carinho é feita pelo WhatsApp e por meio de imagens de celular, a proximidade perdeu a vez, perderam-se os abraços apertados, os beijos estalados na bochecha, os apertos de mão sinceros e expressivos, o olho no olho cheio de carinho, o bom dia perfumado pelo cheiro do café e do pãozinho quente e apetitoso...

Chamam-me saudosista, até posso ser, gostava muito desse relacionamento humano próximo, do aconchego do lar, onde ouvíamos as histórias de família, descobríamos a vida pelos olhos amorosos de nossos pais, convivíamos com nossos irmãos, crescíamos saudáveis por conta dessa convivência, não havia solidão ou estresse que não fosse resolvido por um abraço aconchegante ou por palavras de incentivo...

Acredito que nesse tempo éramos muito mais humanos... Saudade...

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