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Numa Escola em Havana

19 NOV 2015 - 07h00

eduardo caldas cor"Numa Escola em Havana" (2014), dirigido pelo cineasta cubano Ernesto Daranas, é um desses filmes que trata de assuntos da vida a partir do ambiente escolar. Seu personagem principal é Chala, garoto de 11 anos, filho de mãe drogada e alcoólatra e pai "desconhecido" (entre aspas porque o pai embora conhecido de todos não reconhece o filho). Ao lado de Chala, destaca-se Carmela, professora de seus 70 anos, próxima de se aposentar, conhecedora da vida local, e formadora de gerações sucessivas de jovens, muitos dos quais ocupantes de cargos importantes na burocracia intermediária do sistema de educação (diretora, coordenadora pedagógica, supervisora de ensino).

Em casa, Chala cria animais: pombos para vender e um cachorro para brigar em rinhas clandestinas. Com essas atividades põe comida na mesa. Na escola é o aluno que briga no recreio, joga cartas na aula. Na rua é o menino que chuta o lixo, se joga ao mar com um rival para tirar a limpo "quem pode mais". É um contraventor de bom coração tratado como delinquente pelos burocratas de plantão. Burocratas, aliás, que invariavelmente tentam transferir Chala para um "reformatório", chamam sua mãe para repreendê-la e ameaça-la, mas são incapazes de compreender a vida de ambos para além dos muros da escola.

Carmela é a professora acolhedora que percebe os talentos de Chala e a incapacidade da escola em lidar com as peculiaridades de cada aluno e as diferenças entre eles. Carmela é a professora com quem Chala se identifica e sua sala de aula é o lugar em que ele se sente bem. Na sala de aula de Carmela há incentivo para a leitura, reconhecimento da autonomia dos alunos, apoio para a realização de suas atividades, reflexão a partir de suas vidas, espaço para a liberdade de expressão, liberdade religiosa, para o uso palavra, da escuta e para o afeto. Isso não elimina os conflitos, mas pelo contrário, os torna explícitos e tratáveis.

Segundo Carmela, a cada ano se tem um Chala em sala de aula, considerados inconveniente para os burocratas de plantão e desafiador para os professores libertários. Diante de cada Chala, é fácil fazer-se indiferente ou acionar os micro mecanismos de exclusão, procurando eliminá-lo do sistema.

Carmela, em determinado momento, argumentando contra os burocratas de plantão, ensina que toda criança precisa de casa, escola, rigor e afeto, nem sempre elementos dispendidos nas mesmas doses. Muitas vezes, por meio das regras impessoais, garante-se o rigor e nega-se o afeto.

Enfim, o filme em seu enredo e nas suas nuances nos convida a refletir sobre a escola e sobre o ofício do educador e nos permite pensar sobre a necessidade de conectar escola e vida, escola e rua, muitas vezes assuntos cingidos, apartados, separados um do outro; a necessidade de autonomia e o apoio para o professor desenvolver suas atividades; e o papel dos "burocratas intermediários" (diretora e supervisor de ensino), arautos das normas e da impessoalidade, e dos "burocratas de rua", professores (assim como médicos e policiais) capazes de, a partir da lida diária, promover, interromper ou destruir vidas.

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