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Jornal Diário de Suzano - 20/09/2020
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O é o Mar é o Mar...

23 JAN 2016 - 07h00

suami-cor_Rubem Braga, com certeza, um dos nossos maiores mestres na crônica, estaria completando seus 102 anos. Merece homenagens. Sempre amei seu trabalho. Algo que podemos chamar de prosa-poética. A metáfora sempre ali, em permanência. Tratar dos fatos corriqueiros com olhar sensível é sempre encantador ao leitor. E sempre seus textos me envolvem.

Mas tive um mestre, quando ainda moleque, que era o Mario Quintana, esse um poeta, mesmo, que seduzia também em sua prosa-poética. Conversava com ele, ele dava atenção aos jovens lá na sua casa, no Hotel da Rua da Praia, em Porto Alegre. Suas falas não eram professorais. Mas eram verdadeiras aulas. Voávamos. Eu voava.

Todos nós já estivemos ligados a textos envolventes. Desses que nos empacotam com folhas transparentes. E ainda vemos o resto do mundo, mas, dali de dentro. De algum modo, com o olhar um tanto direcionado. Mas olhamos e vemos coisas mágicas. Um universo mágico. E vamos percorrendo os caminhos, como pela janela de um trem. Não desses trens modernos, suburbanos. Mas daqueles antigos, em que podíamos olhar a paisagem e nos sentir parte dela. A nos emocionarmos por ela.

Como quem olha o mar. Algo mais especial que o mar, existe? Aquelas ondulações salobras que nos tomam os sentidos e a mente. Finge que vem, mas brinca, logo se retrai. Se afasta, para nos provocar novamente. E volta sobre nós. Mais próximo, mais distante seu tanto. E esquecemos a areia. E esquecemos o que fica a nossas costas. Visualizamos somente o universo que se abre diante. O Universo no seu jeito infinito, in-fi-ni-to...

Como esquecer o mar na crônica? O mar é o mar é o mar...

E seguimos observando. As pessoas que passam que olhamos e não vemos. Estamos muito ocupados com nossas preocupações. Não conseguimos afastar o olhar do nosso umbigo, mesmo que estejamos olhando o mundo que nos cerca e passa. Só vemos a nós mesmos...

E perdemos a poesia do olhar.

Escapa-nos a música que tudo envolve, por fora, e que, estranhamente, está dentro de nós mesmos. E nos esquecemos do que existe. Restam apenas as intensões, talvez algumas pretensões. Não, os sonhos estão longe. Muito longe. Longe de nós. Dos nossos olhos, das nossas mãos. Longe, cada vez mais de nosso alcance. Por que afastamos os nossos sonhos ao deixarmos de percebê-los no nosso mundo?...

Se pensarmos, se nos deixarmos sentir, um tanto mais em tanto que podemos contribuir para mudar para melhor o mundo, talvez ele se modifique. E os sonhos deixariam de serem nuvens, para serem paisagens. Ah, o mar é o...

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