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Jornal Diário de Suzano - 19/11/2017
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O que as redes sociais digitais podem fazer pela política

06 AGO 2015 - 08h00
A participação popular via redes sociais, sejam elas virtuais ou não, tem mostrado que o Brasil avança no processo democrático, pelo menos do ponto de vista da sociedade. Do lado do poder público percebe-se, entretanto, um pouco mais de cautela.

O problema maior pode estar na complexidade da comunicação pública na perspectiva dos vários recursos, sobretudo tecnológicos, disponíveis. Hoje, o cidadão espera da gestão pública comportamento semelhante ao que ele tem diante da mídia digital, com a mesma linguagem, abordagem e, principalmente, agilidade. São fatores que o gestor público não pode prescindir.

Assim, para uma melhor compreensão do valor da comunicação nas ações entre governo e sociedade, cabe primeiro traçar um panorama da atuação do cidadão diante de interesses públicos, com o uso da internet. Depois, apresentar a comunicação pública nesse contexto.

Os movimentos sociais têm tido um papel importante no processo democrático, por notabilizar a democracia e fortalecer as relações da sociedade civil. E não há como negar que a internet foi a grande protagonista na disseminação desses movimentos e nas ações por eles propostas. Haja vista as mobilizações em todo o mundo desde 2008, com a eleição de um negro nos Estados Unidos, mudança de regimes, queda de ditadores, entre outras, tanto nas ruas quanto na internet.

No Brasil, desde 2011, acompanhamos vários protestos agendados por meio das redes sociais virtuais, entre os quais, manifestações de estudantes e professores da USP, Unifesp e Unesp, fechamento de vias públicas por movimentos de trabalhadores sem teto, o "gente diferenciada" que fechou ruas do bairro de Higienópolis, em São Paulo, em protesto para construção de estação de metrô. Em Goiânia, populares protestaram contra o aumento dos preços dos combustíveis.

A comunicação pública, segundo a pesquisadora Elizabeth Brandão (2009), está classificada em cinco áreas do conhecimento: organizacional, científica, governamental, política e da sociedade civil organizada.

Embora todas devam ser consideradas pelo gestor público, a que está diretamente relacionada ao processo eleitoral é a comunicação política. Ela promove um discurso envolvendo políticos, profissionais de comunicação e opinião pública e tem a internet como um importante espaço para o indivíduo poder exercer sua cidadania, participando de ações políticas, sugerindo e questionando decisões do poder político.

Assim, as redes sociais da internet se inserem no que Gaudêncio Torquato (2002) chama de ciclo da descoberta da comunicação como ferramenta dos agentes políticos. E, se esses recursos tecnológicos são protagonistas desse processo democrático, pressupõe-se que tenha eficiência tanto do lado da sociedade quanto dos governos e parlamentos.

Não cabe aqui apontar quem está certo ou errado do ponto de vista de decisões políticas. O que não pode é prescindir dos espaços, da linguagem e da abordagem utilizados pelos indivíduos. As redes sociais oferecem tudo isso e ainda promovem proximidade nas relações. Entretanto, necessita de uma mensagem única, além de coerência entre os discursos das sociedades, dos interlocutores e do poder público.

Ivone Roche

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