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Jornal Diário de Suzano - 22/11/2017
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O que é logística reversa?

01 JUL 2015 - 08h00

A logística é um conjunto de ações administrativas - planejamento, organização do trabalho, execução e controle - diretamente relacionado com atividades de armazenagem e estocagem, manuseio de cargas, e transporte. Por meio da logística procura-se compreender e decidir sobre a localização de uma empresa, o deslocamento dos produtos das unidades produtivas até o consumidor, as redes de suprimentos com seus "nós", "elos", atravessadores, conectores, intermediários, e seus respectivos depósitos regionais, distribuidores, atacadistas, varejistas, dentre outros.

A logística por muito tempo foi pensada como fluxo de mão única. Não se pensava no retorno do produto utilizado e tampouco na responsabilidade relacionada com o resíduo e as "carcaças" dos produtos vendidos.

A logística reversa lida exatamente com o fluxo de retorno do produto, do consumidor para a empresa responsável por sua fabricação. A logística reversa é, portanto, o retorno dos resíduos a quem lhes dá origem.

A preocupação com este fluxo de retorno está diretamente vinculada com a questão ecológica. É neste marco que se discute o que fazer com baterias, embalagens de agrotóxicos, lâmpadas fluorescentes, medicamentos, óleos minerais, pilhas, pneus, produtos eletroeletrônicos em geral, solventes, tintas, dentre outros.

Washington Novaes (OESP, 28/09/2014) afirma que "o Brasil descarta anualmente 97 mil toneladas de computadores, 115 mil toneladas de refrigeradores domésticos, 140 mil toneladas de telefones celulares, 1 bilhão de pilhas". Boa parte desses descartes possuem resíduos perigosos como bário, berílio, bromo, cádmio, chumbo, mercúrio, vanádio, dentre outros. Pior: não se aproveita 10% do que é descartado, o que representaria somente em ouro, presente nos componentes, R$2,5 bilhões por ano. Só nos componentes de celulares há ouro, prata, paládio, cobre, além do cobalto nas baterias de lítio.

Apesar da Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/10), estabelecer a obrigatoriedade da logística reversa em vários setores, pouco se tem feito.

Sabedores de que a referida Lei tramitou no Congresso Nacional por 21 anos e que seus artigos precisam de regulamentação, há municípios que cansaram de esperar e assumiram a vanguarda na implementação da logística reversa de resíduos perigosos.

Em 2010, Apucarana (PR), município com aproximadamente 120 mil habitantes, colaborou com a articulação do G-23, reunião dos 23 maiores municípios do Paraná, que produzem 90% dos resíduos sólidos do Estado. Juntos eles começaram a pressionar grandes fabricantes a fazerem a logística reversa, ou seja, a coletarem e se responsabilizarem pela destinação final dos resíduos e das "carcaças" de seus produtos. Assim lâmpadas, pilhas, televisões, monitores de computador, dentre outros produtos passaram a ter destinação adequada. Em Apucarana, a coleta de lâmpadas fluorescentes, por exemplo, era feita pela prefeitura no segundo sábado de cada mês. O município havia, em 2010, coletado 40 mil lâmpadas fluorescentes e o estado havia retirado 260 mil dessas lâmpadas de circulação.

Iniciativas desta natureza não parecem difíceis de serem replicadas. Faltam disposição e vontade política dos governos locais.



Eduardo Caldas

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