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Jornal Diário de Suzano - 13/12/2017
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O que é obsolescência programada?

05 AGO 2015 - 08h00

A obsolescência está associada à ideia de superação tecnológica e o consequente descarte da tecnologia superada. No entanto, a obsolescência não é só tecnológica. Há três tipos de obsolescência: a de função, a de qualidade e a de desejo.

A obsolescência de função está diretamente relacionada com a questão tecnológica, e nesta medida um produto torna-se obsoleto, antiquado, superado, quando outro produto que executa melhor a mesma função do produto anterior é introduzido no mercado. Neste caso, computadores e telefones celulares são colocados no mercado com dispositivos que, de forma planejada, serão superados por seus descendentes em poucos anos ou meses. Não é por menos que em 2005, nos Estados Unidos, eram descartados 426 mil aparelhos de telefones celulares por dia. Também não é por menos que naquela ocasião o lixo eletrônico representava 5% do lixo sólido produzido no mundo e que seu volume produzido crescia três vezes mais que os outros tipos de lixo.

A obsolescência de qualidade, por sua vez, é aquela relacionada aos desgastes, defeitos e quebras de produtos. Neste caso, os produtos são feitos para durar pouco. Planeja-se que o produto vai falhar, desgastar-se ou quebrar. Essa estratégia é da primeira metade do século XX e teve início quando os fabricantes de lâmpadas elétricas reduziram propositadamente a vida útil de seus produtos para aumentar suas vendas e lucro. Para se ter uma ideia do que isso significou, em 1924 as lâmpadas duravam 2.500 horas e, em 1940, a vida padrão de uma lâmpada era de apenas 1.000 horas. Quando se pensa essa estratégia de reduzir a vida útil dos produtos, fica mais fácil entender porque profissões que lidam com o reparo de produtos e o aumento da vida útil de bens como eletrodomésticos (técnicos e serviços autorizados), calçados (sapateiros) e roupa (costureiros) estão em vias de extinção.

E finalmente, a obsolescência de desejo é aquela relacionada ao "estilo" do produto. Neste caso, a propaganda e as ferramentas do marketing são fundamentais, pois trata-se de produtos ainda em boas condições que se torna obsoleto nas mentes do consumidor que vislumbra outro produto semelhante mas com "estilo" mais desejável. Neste caso, o consumidor é levado a associar o mais novo ao melhor, ao mais adequado; e o velho, ao pior, ao menos adequado, ao superado, ao obsoleto.

Nos três casos, a obsolescência é programada. Os produtos saem das fábricas programados para durar pouco, seja pela superação (tecnológica) planejada de seus dispositivos, seja pela qualidade duvidosa de seus componentes, seja pela ação dos profissionais da propaganda e do marketing.

No documentário "A história secreta da obsolescência planejada", o economista francês Serge Latouche diz que nossa necessidade de consumir é alimentada pela publicidade, pela oferta de crédito e pela obsolescência. Se é verdade que essas três ferramentas são importantes para aumentar a demanda, o emprego e a renda; também é verdade que o aumento desnecessário do consumo é um atentado contra o planeta e seus recursos limitados. Nesta medida, a adoção dos chamados três "Erres" (3R) - reduzir, reutilizar e reciclar - e toda mensagem ambientalista são incompatíveis com o modo de produção capitalista nos seus moldes atuais.



Eduardo Caldas

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