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O que pensar sobre a Economia?

02 JUN 2016 - 08h00

eduardo caldas corAs análises de curto prazo em economia nos impedem de pensar de forma mais criativa tanto o médio quanto o longo prazo. Uma referência importante para pensar a economia em prazo mais ampliado é o ensaio "As possibilidades econômicas de nossos netos" do economista britânico John Maynard Keynes. Nesse ensaio, o economista britânico está fazendo uma projeção da economia para o final do século XX.

O ensaio é atualíssimo porque os problemas econômicos daquela ocasião (anos 1930) são muito semelhantes ao problemas econômicos recentes.

Keynes inicia o ensaio dizendo que "o poder dos juros compostos em duas centenas de anos é da monta a abalar a imaginação". De algum modo, fica explícita a crítica aos financistas que acumulam dinheiro por meio das aplicações financeiras e drenam recursos do sistema produtivo real.

Ao mesmo tempo, Keynes reconhece que "em alguns anos poderemos ser capazes de desenvolver todas as funções da agricultura, da mineração e da indústria com um quarto do esforço humano que nos acostumamos". Neste aspecto, o autor enfatiza, portanto, o desenvolvimento tecnológico intensivo em capital e poupador de mão-de-obra.

Naquela ocasião, Keynes tratou do desemprego tecnológico e afirmou que se tratava apenas de um desajuste temporário, "afinal, tudo isso significa que a humanidade está resolvendo seu problema econômico", ou seja, está resolvendo o problema de produzir para atender as necessidades humanas.

O autor continua nesta meada, explicando que as necessidades humanas podem ser agrupadas em duas classes: as necessidades absolutas; e as necessidades relativas, ou seja, as necessidades que sentimos quando sua satisfação nos torna superiores a nossos semelhantes.

Em seguida, conclui o autor que o primeiro tipo de necessidade pode ser facilmente atendida nos próximos 100 anos, dado o desenvolvimento tecnológico. Quanto à outra necessidade, não se trata de problema econômico, mas patológico.

Então, com o desenvolvimento tecnológico e a superação da produção e do acesso aos bens de necessidades absolutas, com trabalho reduzido a "turnos de três horas diárias ou semanas de quinze horas", o problema econômico da humanidade estaria resolvido.

Quase um século se passou desde a publicação do referido ensaio. Atualmente, o problema econômico de produção dos bens para atender às necessidades absolutas da humanidade foi superado.

No entanto, o problema político referente à distribuição de recursos para a garantia de vida digna persiste, assim como persiste o problema patológico da acumulação financeira e da ganância e da criação infinita de necessidades relativas.

Junta-se às dimensões política e patológica, uma dimensão ambiental, relacionada à escassez de recursos naturais, que nos anos 1930 estava fora da agenda política, econômica e social.

Impressiona o olhar otimista e ao mesmo tempo irônico do autor: por um lado reconhece a criatividade humana em desenvolver tecnologia nos vários campos do conhecimento; por outro lado é irônico porque apesar da inteligência do ser humano, o autor percebe tanto o problema patológico de acumular sempre e cada vez mais, quanto o problema cultural e moral da humanidade, escrava do trabalho, na qual cada indivíduo vive para trabalhar em vez de trabalhar pouco para usufruir e contemplar a vida, breve, brevíssima.

A superação da crise econômica recente passa necessariamente pela redução da jornada de trabalho.

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