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Jornal Diário de Suzano - 21/11/2017
mrv

Para Quando?...

30 MAI 2015 - 08h00

Fui fazendo amizades pelos tempos e pelos espaços ao longo da vida. Tenho amizades da infância. Tenho amizades dos tempos escolares, ensino médio, cursinho, faculdade. Só na minha cidade, Suzano, tenho muitos amigos há 40 anos, ou um pouquinho mais. Essas relações são muito gostosas. É um prazer reencontrar amigos que não se vê há tempos.

Em março passado lancei livro de poesias no Salão do Livro de Paris, com o apoio da Divine Academie, encontrei-me então, com antigos colegas do tempo da Universidade de Paris. Nós concluímos a graduação (Licenciatura) há 40 anos. Todos nós continuamos e fizemos os nossos Mestrados e Doutorados. Trabalhando mesmo, hoje, são poucos. Como é o caso do Daniel, empresário no Brasil, e que realiza um trabalho social importante com as Casas Taigura, que atendem Crianças de Rua. Aliás, também por isso, foi homenageado com a Grande Medalha de Ouro da Divine Academie. Mas não posso deixar de destacar que o meu querido amigo-irmão-compadre, Daniel Fresnot, é também um fantástico escritor, poeta e romancista de primeiro nível, com prêmio Jabuti. Seu romance “A Terceira Expedição” a crítica considera a melhor ficção-científica do Brasil, e resultaria num filme maravilhoso. Mexendo num material que tinha do Daniel, achei um livro especial: “A Quand le Printemps?”, que poderia ser traduzido, mais livremente, como algo assim: “Para Quando a Primavera?”. Daniel, filho de franceses, foi criado, desde criança, no Brasil, teve inclusive de se exilar para escapar das perseguições nos “anos de chumbo”. Fomos colegas no tempo de faculdade aqui e depois na França. Ele publicou esse livro pela Editions Saint-Germain-de-Près, de Paris, em 1992. Um livro de umas cinquenta páginas.

Nesse livro, Daniel Fresnot, me chamou a atenção para alguns poemas, de épocas que vivemos juntos. No poema “1968”, ele diz (tentarei traduzir): “a malha envolta na cintura/ os pés no asfalto/ a coragem por cima do medo/ e o coração alto sobre o punho/ nós somos grisalhos de sol”. Foi assim. Como esquecer quem o viveu?

Ele fecha o livro com outro poema curto, forte, sem título: “tenho sobre o corpo/ as cicatrizes das minhas loucuras// e no coração/ as feridas sempre abertas/ de ter falhado// tenho sobre o corpo/ as cicatrizes das minhas loucuras// e na cabeça/ o sonho sufocado/ do paraíso”.

Daniel, por que não põe esse livro em português e o lança no Brasil? Ou, por outra, publique uma bela antologia poética. Precisamos.

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