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Jornal Diário de Suzano - 05/12/2020

Passeios pela Vida

07 MAI 2016 - 08h00

suami-cor_Pensava na minha crônica semanal. No geral, vou escrevendo. Tem vezes que o tema sai aos poucos. Outras, inicio sabendo do que tratar. Escrever é uma das minhas artes, talvez a preferida. E sei do tanto que me protege.

Agora, pensei escrever sobre as Mães. Tenho de homenageá-las. Sinto a importância delas. As mães me comovem. Estou bem marcado pelo exemplo da minha mãe, mesmo que só maduro me dei conta disso. Sei do exemplo da minha mulher. Fui protegido por tudo isso! Ah, vida!

Porém deu saudade do meu pai. Ele fazia aniversário a 29 de abril. Ia falar dele antes, mas posterguei. Agora a marca dele me veio. Teria completado 117 anos. Mas se foi, deixou-nos, no dia 31 de dezembro de 1973. Eu estava fora do Brasil. E me sentia triste por lá. Com muitas saudades dele. Não sabia que ele estava doente, terminal. Nem ele deixou que soubesse. Só mais tarde vim a me dar conta de que isso tudo também fora, mais uma, proteção. Ele já havia me protegido tanto. Mas levei muitos e muitos anos para perceber. Hoje sei que havia um Senhor que abria as mãos do meu pai, quando me acarinhava com suas falas, seus atos, suas vontades.

Tomo um gole de vinho tinto, como ele gostava, como gosto. Uma certa tristeza visualizo. Tenho lá minhas razões para estar triste. A gente do meu País não está contente. Também não estou. São muitas as razões. Razão e emoção também se juntam. Mas não choro. Não sei mais chorar. Que eu me lembre, a última vez que chorei foi em janeiro de 1971, solucei, sem lágrimas, no casamento de um amigo querido, hoje falecido. Tinha de ser forte. Isso é trauma? Sei lá. Mais uma proteção?

Dediquei minha primeira tese acadêmica a meu pai, ainda na Europa. Estou construindo um novo livro de Poesias, “Passeios pela Vida”, onde escrevo circulando pelo aprendizado de existir, que poderia dedicar a meu pai. Ou as minhas três netinhas, que não sabem, mas tem tanto a ver com ele. E que gostaria tanto de dar proteção como meu pai me deu. Como eu também nem sabia, elas nem precisam saber. “Passeios”, me parece, neste momento, natural. Aprender é seguir o caminho. Sem perder a esperança. Isso nos protege também.

Finalizo com um poema: “As Brumas”: “saber é tão lento/ mas os dias todos agradeço/ cada novo tempo de aprender/ como um professor também/ aprende devagar a ser mestre/ aluno leva seu tempo a descobrir/ ouvir e ver e entender o ensinado/ levei meu tempo/ aprendi que se a noite foi escura/ e a manhã se desperta em brumas/ podemos ter certeza de que o sol vai brilhar/ forte e cheio de calor em nossa vida”.

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