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Jornal Diário de Suzano - 04/12/2020

Pelos Mares...

16 ABR 2016 - 08h00

suami-cor_Andei, andei, pelos mares onde passei... Um amigo comentava esta semana que eu teria viajado muito na vida. Filho de Oficial do Exército, morei pelo País todo. Conheço da Amazônia ao Rio Grande do Sul, da Bahia a Brasília. Vivi fora também. E me encantei de poesia por aí. Lorca, Neruda, em espanhol, Eugénio de Andrade, Pessoa, em Portugal, Drummond, Quintana, no Brasil, Verlaine, Rimbaud, em francês, Dickinson, Eliot, em inglês. Para lembrar de alguns rapidamente. Em verdade muitos outros me encantaram com seus cantos.

Quando criança fui aprendendo a decorar poemas na escola. Meu pai gostava de Bilac, em especial, e lia para mim e irmãos. Uma vez tentei decorar “Os Lusíadas”, de Camões. Não consegui completamente, o que me incomodou. E fui descobrindo que era mais fácil decorar seus sonetos. E, um dia, cheguei nos versos livres. Mas como eles pareciam difíceis. Odiava escrever prosa com rima e chamar de verso. Sempre exigi as metáforas. Mesmo sabendo que o texto, ainda que parecendo simples e de fácil entendimento, trazia outras compreensões no seu interior.

E tenho conhecido poetas por esse mundo. E tentado juntá-los.

Há uns anos, em encontro com amigos de Mogi das Cruzes, decidimos criar uma Academia de Letras do Alto Tietê. Já havia pertencido a uma em Porto Alegre e outra em Itaquera (São Paulo). Essa ideia ainda está em formação. Mas estamos avançando, dia a dia. E mais uma vez, conversei sobre isso, este ano, com meu amigo Benilson Toniolo, aliás bom parceiro, Secretário Municipal de Cultura de Campos do Jordão, e Membro Dirigente da Academia de Letras da Cidade, poeta e contista premiado.

Pois esta semana lendo alguns livros do Toniolo, fui sentindo alguns versos encantadores. Ambos dependemos do mar, de Santos, Guarujá, mesmo vivendo nas serras. Aproveito e trago para vocês.

Poema “Sobressalto” (livro “Canoeiro”): “Visita-me a aurora de cabelos molhados./ A visão é vasta, onde me reflito./ No meio da noite umedece-me os olhos./ Agasalha-me o corpo. Abafa-me o grito.”

Um livro de contos dele, “Casos ao Acaso”, de onde retiro duas frases:

“- Não sabia que o senhor lia Poesia.

– E não leio. É pra ajudar, pro senhor não perde a viagem”.

Tomo do livro “Marés e Serranias - Poesias”, aquele instante em que nos bate o silêncio:

“Há dois dias/ que não sei o que é um verso/ Arranja aí um trocado/ Pra gente comprar um vinho/ Que desague em poesia”.

É Benilson Toniolo, meu companheiro, vamos inventar mais umas horas juntos, no “Lugarzinho”.

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