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Jornal Diário de Suzano - 27/09/2020
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Presente!

19 SET 2015 - 08h00

suami-cor_Li o livro “Presente do Mar”, obra especial, da escritora e poetisa americana Anne Morrow Lindbergh, mulher do primeiro piloto a atravessar o Atlântico. Sucesso desde lançado em 1955. Provocante às mulheres e a todas as pessoas sensíveis.

Ela divide os capítulos em conchas do mar. Nem sei se a tradutora usou os nomes brasileiros ou os temas desenvolvidos. Fala da “concha-pera”, aquelas enroladinhas em si mesmas. Lembra o quanto nos esquecemos de nos voltarmos para nós mesmos e, sem percebermos, nos tornamos múltiplos, ou, nos arriscamos ao quase-nada. Fala da “concha-lua”, um caracol redondo, centrado como num olhar, como a lua. Mas, pergunta-nos, como nos deixarmos ficar sós, sem tantos dos demais que nos cercam? E a concha “dupla-aurora”? que nos oferece uma relação pura com o outro, sem cobrança. Não somos donos de ninguém, nem pertencemos a algué m. E a concha “banco de ostras”? Não são raras, mas uma é diversa da outra, uma ostra com muitas conchinhas grudadas no seu dorso curvo. Seria como o casamento? Quando nos adequamos ao outro? Fala dos “argonautas”, que não são conchas, mas seres que se aninham nelas. Homem e mulher são seres iguais, mas a vida prática os separa. Vejam, isso escrito em 1955. Mulher muito adiante de seu tempo. Um ciclo passa, outro vem. O mar vem e vai. A vida. Como presente do mar. Seria uma ilusão a porta escancarada do mar a tudo permitir?

Presente estive para assistir ao Ballet Stagium, em Suzano. A apresentação “Choros – Estudos Brasileiros nº 6”, trouxe os “chorinhos”, músicas que muitos jovens de hoje desconhecem, mas que é base da nossa formação musical, em coreografias belíssimas de Décio Otero, com figurinos e direção de Márika Gidali, criadores desse Grupo de Dança em 1971. Na época reagiam com sensibilidade artística a um tempo de parcas liberdades. O espetáculo emocionante, de alta performance técnica na expressão corporal e forte sensibilidade estética, tem elenco de fina competência. Vimos o rigor da Márika e de Fábio Villardi, como Edgar Duprat (luz) e Marcel Jannuzzi (som). Em conversa descontraída com Marika Gidali, demonstrei meu orgulho em poder estar com eles, assistir a exibição, mais uma obra de gente encantadora da minha geração. Gente que ama a nossa Cultura e o demonstra com sensibilidade.

As Artes nos fazem crescer, entender o que somos, onde estamos e do que somos capazes, nos fazem crescer ante a imensidão de um mar, que por estarmos diante em permanência, tantas vezes deixamos de ver.

Presente!

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