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Jornal Diário de Suzano - 29/09/2020
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Reflexões sobre a Solidariedade e a Caridade

12 MAI 2016 - 08h00

eduardo caldas corNa última semana um colega me contou entusiasmado que seu filho de seis anos participaria de seu primeiro acampamento. Trata-se de atividade do colégio de matriz católica em que o filho estuda promove anualmente. São três dias de acampamento sem barraca em local com infraestrutura confortável e uma série de atividades para, dentre outros aspectos, promover a autonomia das crianças, que se inicia na preparação de suas roupas para a viagem. Anualmente, os dois pontos altos das atividades são o banho de piscina e o escorregador na lama.

O colega comenta o excesso de zelo dos pais em saber se a piscina é aquecida, se não há risco de resfriados e gripes, se a equipe que observa as crianças é suficiente em termos quantitativos e qualificada. Quanto ao banho de lama, o coordenador dá as mesmas explicações dadas com relação à piscina com um adendo: levem roupas e calçados velhos e bem surrados porque as roupas ficam imprestáveis depois do banho de lama. Então essa roupa será lavada e doada para comunidades próximas ao local do acampamento.

Neste ponto inicia-se a reflexão: essa doação tem caráter solidário ou caridoso?

Então, lembrei-me de lições que tive sobre caridade em uma Comunidade Emaús, fundada pelo Padre Pierre na qual se doa o que nos é útil e precioso e não o que nos é descartável.

Nos Dicionários de línguas latinas como o Houaiss da Língua Portuguesa ou o Larousse da Língua Francesa, a caridade está associada à dimensão religiosa e ao ato de amar a si, ao próximo e a Deus; a solidariedade, por sua vez, está associada a um dever moral de apoiar outros membros de um grupo fundado sobre algum tipo de identidade ou interesse, ou ainda a relações de interdependência entre pessoas, ou finalmente à ligação existente entre pessoas que tenham uma comunidade de interesse ou identidade comuns.

Assim, a caridade e a solidariedade não consistem em doar o que é "inservível", mas em gesto de amor ou a uma ação entre pessoas que se sentem parte de uma mesma comunidade.

A doação a que se refere o colega não parece relacionada a um ato de caridade ou solidariedade, mas ainda assim serve para indicar o desvio do sentido da caridade e ao mesmo tempo sinalizar como o pobre é tratado, depositário do que é inservível. Provavelmente, tudo isso é traço de uma sociedade colonizada nos moldes escravocrata, latifundiário, exportador e monocultor, explorador e usurpador dos recursos naturais, da paisagem e dos indivíduos de classes ou estratos sociais diferentes do explorador.

Na pior das hipóteses essa história ajuda a refletir sobre as relações sociais que se constrói no país, no dia-a-dia, no cotidiano, com o pedinte, o esmoleiro, o empregado, o ajudante, o servidor público no guichê de serviços, o cidadão na fila do serviço público e também com o vereador, o prefeito, o deputado, dentre outros, e o sentido que damos tanto à caridade quanto à solidariedade.

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