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Jornal Diário de Suzano - 24/11/2017
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Samba do Crioulo Doido

25 ABR 2015 - 08h00

Um jornalista, cronista, compositor, criativo, Sergio Porto, que em trabalhos artísticos usava o pseudônimo de Stanislaw Ponte Preta, gostava de ironizar, causticamente, o que lhe parecia tolice. Especialmente as oficiais. Na época da Ditadura Militar escreveu uma música cuja letra brincava com a determinação dada as Escolas de Samba do Rio de só fazerem samba-enredo sobre temas históricos. Ele tira um sarro da imposição com seu “Samba do Crioulo Doido”. Quem conhece história neste País? se perguntava ele.

Estava na fila do banco quando um senhor, na minha frente reclamava do excesso de feriados do Brasil. “Pra que esse de ontem?” perguntou irritado. Fiquei com vontade de questionar, e não me contive: “Ontem foi feriado do que?” soltei minha pergunta. Ele me olhou, com cara de espanto e respondeu: “Acho que foi Dia do Índio”. Ao que uma senhora da fila apoiou: “É mesmo, o meu netinho comemorou na escola”. Não me contive e insisti: “E hoje? Comemoramos o quê?” Todos em volta me olharam, como se perguntassem: “Hoje?” Nada! A resposta era clara.

Tive de concordar, de fato, no dia 22 de abril, em nosso País, não comemoramos nada. É uma data a mais, sem significado, foi apenas o dia da Descoberta do Brasil. Coisa sem importância...

A morte de Tiradentes em 21 de abril de 1792, no Rio de Janeiro, por enforcamento, tendo depois seu corpo esquartejado e os pedaços pendurados em postes no caminho para as Minas Gerais, foi uma atitude de violência a ser exibida a todos que tentassem desafiar o governo real português de então. Não comemoramos a sua morte, com toda a certeza. A comemoração é pela sua luta pela independência do nosso Brasil. Nesse mesmo dia, em 1985, morreu, em razão de doença, Tancredo Neves, o primeiro Presidente da República eleito depois da Ditadura.

Não temos de comemorar toda data. Vamos conhecer as razões históricas. Ainda que eu, em particular, a cada dia agradeça essa parcela de tempo a mais que me é permitida. Comemoro, sinto e sei muito bem do valor de cada período que tive e tenho concedido. E tento demonstrar meu agradecimento fazendo algo, a cada dia, que possa contribuir para o bem de mais gente. Mas essa é a minha leitura do mundo.

Ah, o “Samba do Crioulo Doido”? É um texto para ridicularizar, só com bobagens, sem nexo histórico. Diz assim: “Foi em Diamantina/Onde nasceu JK/Que a Princesa Leopoldina/ Arresolveu se casá/ Mas Chica da Silva/ Tinha outros pretendentes/ E obrigou a princesa/ A se casar com Tiradentes.”



Suami Paula de Azevedo

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