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Jornal Diário de Suzano - 24/09/2020
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Pmmc Sarampo

Se correr o bicho pega

02 MAR 2016 - 08h00

eduardo caldas corO adágio popular "se correr o bicho pega e se ficar o bicho come" expressa aquelas situações de "sinuca de bico" em que nos encontramos "entre a cruz e a caldeirinha", ou seja, em que temos muita dificuldade em decidir entre uma situação ruim e outra pior.

Foi essa a minha sensação ao terminar de assistir ao filme "O veneno está na mesa", lançado em 2011 e dirigido pelo cineasta Sílvio Tendler.

De um lado, escuta-se o discurso sobre a insustentabilidade da vida nas grandes cidades, nas regiões metropolitanas, nas megalópoles, com excesso de poluição advinda da frota de veículos, uso indiscriminado do enxofre no diesel que alimenta as frotas de ônibus e caminhões, excesso de resíduos sólidos (muitas vezes sem destino adequado) e a consequente contaminação de lençóis freáticos e mananciais, déficit de esgoto sanitário, lançado de forma irresponsável nos córregos e rios.

Imagina-se, então, que diante de tamanha insustentabilidade, a vida no campo possa ser mais sustentável, e que o alimento trazido direto da horta para as grandes cidades possa ser saudável. Seria isso verdade?

O filme mostra que é possível comer de forma saudável ainda que isso seja cada vez mais difícil porque a contaminação pelos agrotóxicos não escolhe terra, ar e água. O agrotóxico contamina tudo. A ação do vento e o fluxo da água espalham veneno por todo lado. Mesmo os agricultores não contaminantes tornam-se contaminados.

O filme mostra também que desde 2008 o Brasil é o país que mais utiliza agrotóxico no mundo e que segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), no ano de 2009, das 3130 amostras de alimentos coletados em 26 estados, 29% apresentaram resultados insatisfatórios, com quantidade de veneno acima do limite permitido nas seguintes porcentagens: beterraba (32%), tomate (33%), alface (38%), mamão (39%), abacaxi (44%), couve (44%), morango (51%), pepino (55%), uva (56%) e pimentão (80%).

O filme mostra finalmente que além da contaminação do meio em que se vive, contamina-se também o vivente no meio, ou seja, todo e qualquer ser vivo dentre os quais o ser humano. Nessa situação, o agricultor familiar é, muitas vezes, o elo frágil, e muitas vezes envenenado de morte.

Ao fim e ao cabo, o que se observa a partir do filme de Sílvio Tendler é que do outro lado da insustentabilidade da vida nas grandes cidades há também a insustentabilidade da vida no campo, inclusive do agricultor familiar que se torna refém das grandes multinacionais vendedoras de pacotes completos para o plantio, desde as sementes (outrora crioula) até os defensivos (outrora naturais) na forma inseticida. Pior que o uso, é o uso excessivo e indiscriminado.

Ao final do filme fico com a impressão que um eixo estratégico para pensar na sustentabilidade da vida é repensar o fluxo do alimento, da terra, dos insumos necessários, até a nossa mesa.

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