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Jornal Diário de Suzano - 07/03/2021
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Silêncio, choro e esperança, um mês após o terremoto

23 SET 2016 - 08h00

Aos sobreviventes faltam as palavras, choram e esperam encontrar um novo caminho.

Um mês se passou desde quando a terra tremeu na madrugada do dia 24 de agosto no Centro da Itália, atingindo três municípios: Amatrice, Accumoli e Arquata.

Pequenas cidadezinhas que no passado ostentavam brasões de famílias nobres e ricas, com servidores que viviam em humildes abrigos. Com o passar do tempo, estes feudos medievais situados numa estratégica posição geográfica nas encostas das montanhas, tendo de um lado o mar Tirreno e do outro o mar Adriático, se tornaram lugares privilegiados para passar as férias durante o verão. São lugares que conheço, por ter vivido com a população e por ter dedicado horas e horas, durante as férias, a escalar as montanhas, percorrendo caminhos, subidas e obstáculos para alcançar o melhor nível de altitude. Os municípios atingidos pelo terremoto tinham montanhas, rios, represas, lagos, bosques, cascatas, parques ecológicos e selvas. Todo o meio ambiente era considerado um tesouro inestimável.

Municípios conhecidos pelos invernos rigorosos, que iniciam no mês de novembro e deixam o território com muita neve e gelo. Alguns dias antes do terremoto, eu estava andando por estas montanhas.

Quem poderia imaginar que, no dia 24 de agosto, quando muitas pessoas estavam concluindo as férias, municípios e montanhas sofreriam um golpe terrível e fatal? Foi um terremoto não anunciado por tremores leves e premonitórios, como tinha acontecido na cidade de L'Aquila em 2009.

Nos três municípios, o grau maior de 6,2 na escala Richter foi registrado logo no início, seguido de outros oito tremores de 4,2 e de centenas de outros mais leves. O terremoto levantou telhados, derrubou muros, paredes, arrebentou tetos, quartos, casas, lojas e pontes, e centenas de pessoas não conseguiram salvar a própria vida. Também nas montanhas, algumas das rochas se despedaçaram, deslocando-se do conjunto rochoso. Naquela noite a terra liberou uma força muito superior à força humana, a uma profundidade de apenas quatro quilômetros. Muitos perderam a vida. Outros, incapazes de se mover, esperavam ser liberados dos escombros que os sufocavam, pelas mãos dos bombeiros, agentes da proteção civil e voluntários.

A morte adquiriu um caráter de fatalidade, mas também a esta fatalidade se junta a responsabilidade dos homens, quando maltratam a terra ou quando constroem edifícios públicos e privados, desviando recursos do investimento planejado. Ao invés de agirem pelo bem maior, agem pelo mal menor, deixando inseguras as estruturas de casas, hospitais, escolas e outros edifícios. O terremoto acabou com a vida de famílias inteiras, deixando em pranto parentes e amigos.

Nestes momentos, o desespero atinge seu climax no grito: onde está Deus? Aquele que crê duvida do seu crer, ou fica a meio caminho entre a incredulidade e a fé. Também quem possui uma fé consciente e adulta é duramente testado ao ver tanta destruição e morte. Porém, assim como é grande o prejuízo que as calamidades, tragédias e catástrofes causa para nós, também grande é o prejuízo que a dúvida ou a negação de Deus causa à verdade e à vida divina. Sofrem as criaturas quando veem que a vida é negada aos entes queridos, assim, sofrem os seres celestes quando veem que a vida de Deus e a dos Santos é negada pelos homens. Pior ainda quando a vida de Cristo, já negada na Terra por ter sido crucificado, é negada por nós também, agora que Ele está no céu. Que a fé arrebate as fronteiras da morte, restituindo-nos a beleza da vida.

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