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Jornal Diário de Suzano - 03/12/2020
Sec de Governo - Educação Kit de Atividades 02 - Dezembro
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Sobrevivente à Guerra Portuguesa na África mora há 40 anos em Suzano

01 JUL 2016 - 08h00

carmineLuciano Abreu, nascido na Ilha da Madeira, morador de Vila Amorim, em Suzano, ex- combatente das Forças Armadas portuguesas, participou no começo de junho, em Lisboa, do 1º Encontro dos soldados, da sua tropa, que sobreviveram à guerra dos portugueses, na Angola e Moçambique. Uma guerra que durou quase 10 anos, de 1964 até 1974, com confrontos entre as Forças Armadas portuguesas e as forças organizadas pelos movimentos de libertação, das antigas províncias de Angola, Guiné-Bissau e Moçambique. Luciano estará de volta ao Brasil neste começo de julho, após ter reencontrado os amigos portugueses. Seguindo as ordens de Salazar, foram enviados no ano de 1964, ao território angolano, para controlar as rebeliões e manter o domínio colonial. Luciano esteve na guerra, avançando nas aldeias revoltosas com armas pesadas, vivendo momentos dramáticos e arriscando a própria vida no combate.

Porém, o que quero destacar neste texto não é a guerra do exército Português em Angola, mas a história da ida à Moçambique, de Maria Cildina Gonçalves Abreu, que deixou a Ilha da Madeira, onde morava, para ficar junto ao seu marido.

Cildina alcançou o esposo na África, quando este já tinha deixado de participar da guerra em Angola para seguir carreira militar no Exército e residia numa cidade de Moçambique.

Reencontrando-se com o seu marido, parecia que os dois estivessem seguindo um futuro feliz. Nasceu um menino, porém, o falecimento da criança abalou a vida dos dois. Não bastasse isso, o Comando Geral, sempre de olho no domínio colonial, convocou de novo Luciano para defender os territórios portugueses no norte de Moçambique. Cildina quis se unir ao marido, para estar ao lado dele no confronto bélico, prometendo manejar sem medo, as armas de fogo, confirmando sua coragem sem fim e seu amor heroico a Luciano. Foi desaconselhada e proibida pelo Comando Geral de ir com o marido.

Ao ouvir a história dessa mulher, contada pelo próprio Luciano, pois a Cildina faleceu em 2003, com 55 anos, me parecia estar diante, não de uma mulher que eu visitei, quando estava em coma, mas de uma guerrilheira, semelhante à catarinense Anita Garibaldi, que combateu ao lado do marido em várias batalhas, no Brasil, no Uruguai e na Itália. Diante da insistência de Cildina de ir para a guerra, não houve Santo que a convencesse a ficar na cidade. Por este motivo, Luciano pediu ao Comando militar um período de férias para ver se conseguia convencer a sua esposa a ficar na casa de um amigo na África do Sul. Cildina aceitou passar as férias, mas recusou ficar sozinha num apartamento da cidade, oferecido pelo amigo. Queria seguir vivendo ao lado do marido, mesmo no campo de batalha. A esta altura, Luciano tomou a decisão de abandonar (desertar) o exército, deixando tudo o que tinha adquirido em Moçambique, tais como um imóvel e dinheiro no banco, e embarcando com a esposa rumo ao Brasil. No Rio de Janeiro, não encontrou Empresa de Ônibus que lhe vendesse uma passagem para São Paulo, com o dinheiro trazido da África, nem Casa de Cambio, que lhe trocasse as moedas africanas. Como chegou no Estado de São Paulo, é uma outra história. Aqui ele vive há mais de 40 anos com seus filhos Carlos e Lucinda e seus netos Vinícius e Sofia. Ele é o produtor de um vinho excelente, feito com uvas amassadas em sua própria casa.

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