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Jornal Diário de Suzano - 19/11/2017
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Um dia por semana sem carne

20 MAI 2015 - 08h00

Neste mês de maio, o campus da Universidade de São Paulo (USP) em Piracicaba seguiu a Faculdade de Saúde Pública (FSP) da mesma universidade, que adotou uma segunda-feira sem carne por mês em 2012. Em Piracicaba a proposta é a exclusão da carne dos cardápios uma vez a cada quinze dias.

A ideia de redução da carne nos cardápios também foi tema de campanha promovida pela prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente e da Sociedade Vegetariana Brasileira, em 2009. A campanha se chamava "Segunda sem Carne" e, como sugere o nome, tinha o propósito de "incentivar as pessoas a deixarem de consumir carne ao menos uma vez por semana, tendo assim benefícios à sua saúde e à saúde do planeta", além de "ampliar o repertório de alimentos no cardápio das pessoas por meio de um convite para deixar a carne de lado um dia por semana e testar novas receitas", como afirmou o então secretário do verde e do meio ambiente Eduardo Jorge (Revista Galileu, 2009).

Argumento semelhante é usado por Paula Poeta, nutricionista responsável pelo cardápio das aproximadamente 1.700 refeições diárias servidas na USP em Piracicaba. Segundo Poeta, a proposta "é uma forma de educar e de apresentar novos sabores, aliando-se à sustentabilidade".

Ao diminuir o consumo de carne, reduz-se o desperdício de água. Segundo Washington Novaes, produzir um quilo de carne bovina exige, ao longo de todo o ciclo de vida do boi, aproximadamente 15 mil litros de água. Se uma pessoa consumir 200 gramas desse tipo de carne por dia, estará consumindo 3 mil litros de água.

Reduzir o consumo de carne também implica na redução do desmatamento, da desertificação e da extinção de espécies (oriundas de áreas desmatadas), além da redução da emissão dos gases de efeito estufa. Atualmente há, no Brasil, 210 milhões de cabeças de gado em 160 milhões de hectares de pastagens.

Em termos de saúde humana, segundo a Associação Dietética Americana, a redução do consumo de carne favorece a prevenção de doenças crônicas degenerativas, como a hipertensão arterial, doenças cardiovasculares, colesterol elevado, vários tipos de cânceres e diabetes.

Seguindo o argumento da ampliação do repertório alimentar no cardápio, ao reduzir o consumo de carne, cada indivíduo tem a oportunidade de aumentar o consumo de feijões (leguminosas), frutas, cereais, legumes, sementes e verduras, como preconiza o Guia Alimentar para a População Brasileira do Ministério da Saúde.

Em termos globais, reduzir o consumo de carne implica em aumentar a segurança alimentar mundial quando se considera que mais da metade da produção mundial de alimentos é destinada à ração para animais de abate.

Esse tipo de campanha, longe de ser uma imposição, é um convite para repensar o nosso cotidiano e, a partir do nosso cotidiano, repensar o mundo.

Que as iniciativas promovidas pela Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, Sociedade Vegetariana Brasileira, Faculdade de Saúde Pública (FSP-USP) e Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ-USP) em Piracicaba sejam fontes de inspiração.



Eduardo Caldas

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