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Jornal Diário de Suzano - 23/11/2017
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Velho moço...

24 JUN 2015 - 08h00

Com frequência me questiono sobre o envelhecer, principalmente quando vejo as oportunidades que os jovens de hoje usufruem. O horizonte é muito mais amplo do que tempos atrás e mesmo tendo aproveitado tudo que a educação, a cultura e o avanço tecnológico me permitiram, sempre sonhei com mais... Entretanto, esse mais demorou chegar e só vim poder acessá-lo quando bons anos de minha vida já se haviam consumido.

Nem por isso deixei de me atualizar e participar dessas novidades, desses avanços, desse progresso, como a maioria de minha idade, mesmo sob a pressão de alguns que nos criticam, acreditando que esse novo universo de possibilidades é só para os jovens.

Nas minhas constantes conversas com meus falava de minhas ideias e por eles sempre fui incentivada... Talvez até devesse ter cursado engenharia e ter participado de projetos futuristas, que pareciam tão utópicos, tão distantes...

Mas, sempre fui conduzida pelo senso de Justiça e, essa força maior me levou a concretizar o sonho de infância e tornei-me Advogada, profissão que exerço com orgulho e sempre com muito ânimo. Acredito na Justiça e a ela sirvo por intermédio do Direito.

O envelhecer, no entanto, me faz questionar as possibilidades e impossibilidades inerentes à idade...

Não vejo nenhum empecilho em continuar me aprimorando, fazendo cursos, mantendo-me atualizada... Como dizem os jovens, sou antenada e curto o progresso, porque posso usufruir dos benefícios que ele me proporciona...

Assim como eu, algumas pessoas que já viveram algumas primaveras, não se sentem confortáveis em fazer uso de benefícios concedidos por lei... Fila para idoso... Ah! Ali me sinto uma intrusa, sempre acredito que tem pessoas que precisam mais desse benefício que eu...

A mente tem ciência da idade, o corpo já cobra o seu desgaste, mas a mesma mente não se adaptou ao passar dos anos, sente-se capaz, ativa e interessada e isso talvez nos faça muito bem, não só a mim, mas a muitos outros como eu...

Quando vejo jovens discutindo temas como matemática, informática, literatura, não se deixando envolver pelas drogas tão fartas e, sendo premiados ou conquistando bons salários, sinto não ter a idade que o cérebro quer, mas a idade cronológica que de certa forma me impede de começar novos projetos que talvez demandassem mais tempo do que aquele que tenho ainda para cumprir... Mas me alegro por saber que se não poderei mais me aventurar em grandes sonhos, posso compartilhar com esses jovens as ideias e o conhecimento que a vida e o tempo nos faz adquirir. E assim manter-me antenada e participativa...

Assim como eu, acredito que outras pessoas vivam felizes, por acompanhar o progresso que chegou com tantas novidades, que se tornam efêmeras em breve tempo, mas que para quem nasceu no século passado pareciam distantes e inconcebíveis...



Lorena Buger

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