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                                <title><![CDATA[Diário de Suzano - José Renato Nalini]]></title>
                    
                                <subtitle>Feed de notícias de José Renato Nalini do Diário de Suzano</subtitle>
                                                    <updated>2026-10-02T12:30:38+00:00</updated>
                        <entry>
            <title><![CDATA[Uma história de força e fé]]></title>
            <link rel="alternate" href="https://www.diariodesuzano.com.br/colunista/2026/10/05/uma-historia-de-forca-e-fe.html" />
            <id>https://www.diariodesuzano.com.br/01a0f9f1-de9d-73ec-826e-aca25f01f01d</id>
            <author>
                <name><![CDATA[Gabriely Machado]]></name>
            </author>
            <summary type="html">
                <![CDATA[Rakel Pinho é uma professora que nasceu em Caxias, no Maranhão, em 1987 e veio para São Paulo onde leciona como contratada em Escola Municipal na Zona Leste. O mais importante é que Rakel é uma entusi...]]>
            </summary>
            
                        <content type="html"><![CDATA[<div>Rakel Pinho &eacute; uma professora que nasceu em Caxias, no Maranh&atilde;o, em 1987 e veio para S&atilde;o Paulo onde leciona como contratada em Escola Municipal na Zona Leste.</div>
<div>&nbsp;</div>
<div>O mais importante &eacute; que Rakel &eacute; uma entusiasta pelo meio ambiente.&nbsp;</div>
<div></div>
<div>J&aacute; escreveu oito livros, dois dos quais evidenciam a sua voca&ccedil;&atilde;o ecol&oacute;gica: "Salve a M&atilde;e Natureza" e "A M&atilde;e Natureza e os 17 ODS", os Objetivos de Desenvolvimento Sustent&aacute;vel. Ela traduz os ODS para crian&ccedil;as do ensino fundamental e consegue conscientiz&aacute;-los de que a natureza n&atilde;o precisa de n&oacute;s. N&oacute;s &eacute; que precisamos dela.</div>
<div></div>
<div>Muito bonita a hist&oacute;ria dessa jovem que tamb&eacute;m escreveu uma autobiografia, "Uma hist&oacute;ria de for&ccedil;a e f&eacute;", que usei como t&iacute;tulo desta reflex&atilde;o.&nbsp;</div>
<div></div>
<div>Para ela, catequista desde menina, a f&eacute; supera em intensidade a dor.&nbsp;</div>
<div></div>
<div>E ela n&atilde;o faz somente discurso. Pratica aquilo de que o ambiente necessita, como semear pau-brasil, completar o jardim da escola, ajudar as crian&ccedil;as na coleta seletiva e na destina&ccedil;&atilde;o correta dos res&iacute;duos s&oacute;lidos.</div>
<div></div>
<div>&Eacute; um exemplo de mulher que venceu obst&aacute;culos, superou dificuldades e espalha bondade por onde passa.</div>
<div></div>
<div>&Eacute; disso que o mundo est&aacute; precisando.&nbsp;</div>
<div></div>
<div>&Eacute; bom despertar na inf&acirc;ncia o sentido de pertencimento &agrave; M&atilde;e-Terra, algo que os gregos j&aacute; ensinavam milhares de anos antes do nascimento do nosso Salvador, Jesus Cristo.&nbsp;</div>
<div></div>
<div>Sem uma resposta respons&aacute;vel por parte da sociedade, condenaremos nosso fr&aacute;gil planeta a um futuro sombrio.&nbsp;</div>
<div>A verdade &eacute; aquela que a Professora e escritora Rakel de Jesus Pinho dissemina entre seus alunos: a Terra pode continuar a existir sem nossa presen&ccedil;a.&nbsp;</div>
<div></div>
<div>Estamos sendo perversos inquilinos desse nosso &uacute;nico habitat.&nbsp;</div>
<div></div>
<div>O planeta pode prescindir de nossa presen&ccedil;a inc&ocirc;moda.&nbsp;</div>
<div></div>
<div>O &uacute;ltimo dentre os animais a habit&aacute;-lo e, justamente aquele que escolheu o ecoc&iacute;dio, o fim da aventura humana, pois envenenamos ar, solo e &aacute;gua, elementos sem os quais n&atilde;o sobreviveremos.&nbsp;</div>
<div></div>
<div>Que a leitura dos livros de Rakel Pinho desperte a sensibilidade tamb&eacute;m dos adultos, muitos dos quais inertes diante da poss&iacute;vel e n&atilde;o remota cat&aacute;strofe que n&oacute;s mesmos provocamos.&nbsp;</div>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>]]></content>
                                    <category term="Colunista" />
                        <category term="José Renato Nalini" />
                        <published>2026-10-02T08:00:00+00:00</published>
            <updated>2026-10-02T12:30:38+00:00</updated>
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            <title><![CDATA[Paulo Bomfim: um século de imortalidade]]></title>
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            <author>
                <name><![CDATA[Gabriely Machado]]></name>
            </author>
            <summary type="html">
                <![CDATA[O último dos "Príncipes da Poesia Brasileira", Paulo Bomfim, completaria cem anos em 30 de setembro de 2026. O mais paulista dentre os poetas paulistanos foi uma pessoa de primeiríssima qualidade. Ver...]]>
            </summary>
            
                        <content type="html"><![CDATA[<p><br />
O último dos "Príncipes da Poesia Brasileira", Paulo Bomfim, completaria cem anos em 30 de setembro de 2026. <br />
O mais paulista dentre os poetas paulistanos foi uma pessoa de primeiríssima qualidade. <br />
Verdadeiro polímata: comunicador, cronista, ensaísta, poeta, radialista, homem de TV, diplomata nato, um cavalheiro. <br />
Modelo de polidez e de fidalguia, para ele todos os humanos tinham encanto. <br />
Nunca maldisse, nem difamou, nem injuriou, nem ofendeu. <br />
A todos estendia o seu sorriso e o seu abraço. A mão generosa, a pena elegante, a generosidade em pessoa.<br />
As homenagens merecidas começaram no dia 10 de setembro, na sede da Academia Paulista de Letras, da qual era alma mater. <br />
Continuam dia 16, no SESC Consolação, onde haverá sarau com as músicas que mereceram suas letras mágicas. <br />
E no dia 30 de setembro, dia exato do natalício, haverá missa na Capela de Santa Luzia, na rua Tabatinguera, seguida de inauguração de sua estátua, diante do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, na Praça Clóvis Bevilacqua, a Instituição a que serviu durante décadas. <br />
Nada do que se faça pela memória de Paulo Bomfim será suficiente para retribuir o que ofereceu em termos de amor, devotamento, fervor patriótico e empenho na defesa do chão dos paulistas. <br />
Nunca mais haverá um "Príncipe dos Poetas Brasileiros", pois essa dinastia se encerrou com a partida daquele que tanto amou São Paulo, que era também conhecido como "São Paulo Bomfim".<br />
As novas gerações precisam saber quem foi Paulo Lébeis Bomfim e resgatar, com sua inesquecível trajetória pela vida, os valores de nobreza e amor ao berço natal, nesta Pátria tão sequiosa por harmonia e convivência favorável ao desenvolvimento de virtudes obscurecidas ante evitáveis conflitos gerados pelo egoísmo, pela cupidez e pela completa ausência de ética. <br />
Prestemos o nosso culto e nossa reverência ao incomparável e insubstituível Paulo Bomfim, Príncipe dos Poetas, mas Rei do culto à História Bandeirante, que ele disseminou por mais de nove décadas. <br />
 </p>
]]></content>
                                    <category term="José Renato Nalini" />
                        <published>2026-09-25T11:00:00+00:00</published>
            <updated>2026-09-29T13:09:06+00:00</updated>
        </entry>
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            <title><![CDATA[Por enquanto, é China]]></title>
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            <id>https://www.diariodesuzano.com.br/01a0ed40-95f8-71d3-9828-30e7776f9d8b</id>
            <author>
                <name><![CDATA[Gabriely Machado]]></name>
            </author>
            <summary type="html">
                <![CDATA[O Brasil precisa avançar na transição energética, valendo-se de seu protagonismo em relação às fontes energéticas limpas. São Paulo enfrentará dentro em breve fenômenos que nunca experimentou, como ci...]]>
            </summary>
            
                        <content type="html"><![CDATA[<p><br />
O Brasil precisa avançar na transição energética, valendo-se de seu protagonismo em relação às fontes energéticas limpas. <br />
São Paulo enfrentará dentro em breve fenômenos que nunca experimentou, como ciclones, de acordo com estudos do IEA - Instituto de Estudos Avançados da USP.<br />
Tudo resulta do aquecimento global e as ondas de calor se intensificam diante do desmatamento e densa ocupação do solo para a edificação de milhares de novos edifícios.<br />
Acrescente-se a emissão dos veículos abastecidos com os combustíveis fósseis e teremos o cenário ideal para as catástrofes. Por isso, a utilização da energia elétrica é essencial. <br />
E o sistema BESS de abastecimento de eletricidade funciona de forma eficiente no mundo inteiro e na vanguarda está nossa amiga a China.<br />
De acordo com a BlombergNEF, os BESS chineses custam 73 dólares por kilowatt-hora, contra uma média de 177 dólares dos europeus e 210 dólares dos americanos. Não há dúvida de que se deve preferir a China, até por motivos econômicos. <br />
Porém, é urgente fazer com que o Brasil consiga também a tecnologia chinesa, para poder aparelhar nosso parque industrial, a fim de torná-lo menos dependente das importações e também propiciar a juventude para um mercado de trabalho muito atraente e necessário para a dignidade profissional das novas gerações. <br />
Por enquanto, não há se falar em outra opção que não a chinesa. <br />
Pois além de a China ser polo global de manufatura para tecnologias de transição energética, provida da maior capacidade de produção e menores custos para sistemas de armazenamento de energia em baterias, sua capacidade financeira é inigualável. <br />
A TBEA, maior fabricante de transformadores de alta tensão da China faturou 96 bilhões de yuans, o equivalente a 72 bilhões de reais, em 2024. <br />
Quase o dobro da WEG, uma das empresas que mais faturam no Brasil. <br />
A parceria com a China também oferece a vantagem de se tratar com um país que leva as mudanças climáticas a sério e que realizou magnífica revolução do bem para a qualidade de vida de seu povo, em pouquíssimas décadas. <br />
<br />
</p>
]]></content>
                                    <category term="José Renato Nalini" />
                        <published>2026-09-18T11:00:00+00:00</published>
            <updated>2026-09-29T13:09:06+00:00</updated>
        </entry>
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            <title><![CDATA[Isso é Justiça Climática]]></title>
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            <id>https://www.diariodesuzano.com.br/01a0ed40-95f6-7166-8a25-d745b8252f4e</id>
            <author>
                <name><![CDATA[Gabriely Machado]]></name>
            </author>
            <summary type="html">
                <![CDATA[Se todos são responsáveis pelo aquecimento global, embora em proporções distintas, a tutela do ambiente é também missão de que se não pode descuidar. Interessante o conceito de "Justiça Climática", pa...]]>
            </summary>
            
                        <content type="html"><![CDATA[<p><br />
Se todos são responsáveis pelo aquecimento global, embora em proporções distintas, a tutela do ambiente é também missão de que se não pode descuidar.<br />
Interessante o conceito de "Justiça Climática", para a proteção prioritária dos vulneráveis, as vítimas preferenciais dos fenômenos extremos. São os mais injustiçados, pois os que menos prejudicam a atmosfera, já que não possuem os potentes veículos movidos aos venenosos combustíveis fósseis.<br />
Mas há um outro aspecto da Justiça Climática que não pode ser negligenciado. É aquele de levar à barra dos Tribunais os governos omissos ou cúmplices dos exterminadores do futuro. É o que vem acontecendo em algumas partes do mundo e não demorará para chegar ao Brasil.<br />
A sociedade norte-americana sempre foi muito cônscia de seus direitos e deveres, pois ali o Federalismo nasceu espontaneamente, não imposto por mero espírito de cópia. Pois ali, uma coalizão de grupos ambientalistas e de saúde movem processo contra o governo federal, diante da revogação do texto que serviu de fundamento à luta contra as emissões de gases do efeito estufa no território ianque.<br />
A contundência da demanda é eloquente e inspiradora: "Processamos para impedir de reduzir a cinzas o futuro de nossos filhos com o objetivo de oferecer um gigantesco presente às companhias petrolíferas". <br />
Era muito importante a decisão adotada por Barack Obama em 2009 e que se tornou conhecida como determinação de perito, que estabelecia que seis gases de efeito estufa eram perigosos para a saúde. <br />
Eles continuam a ser ainda mais perigosos, diante da perseverança em expelir veneno na atmosfera, com o negacionismo que recrudesceu de forma trágica, exatamente no momento em que o relógio da meia noite está sinalizando a ultrapassagem do momento de transição para a catástrofe. <br />
A união de várias entidades ambientalistas e de saúde mostra que a sociedade ainda conserva lucidez e pode, quando quer, bater às portas da Justiça para impedir que governos pratiquem o mal que atinge não só os viventes, como as futuras gerações. <br />
Que a ação prospere e que se crie precedente para a Justiça de todo o planeta.<br />
 </p>
]]></content>
                                    <category term="José Renato Nalini" />
                        <published>2026-09-11T11:00:00+00:00</published>
            <updated>2026-09-29T13:09:06+00:00</updated>
        </entry>
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            <title><![CDATA[República da hermenêutica]]></title>
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            <id>https://www.diariodesuzano.com.br/01a0ed40-962b-73bd-bf66-525dfef85999</id>
            <author>
                <name><![CDATA[Gabriely Machado]]></name>
            </author>
            <summary type="html">
                <![CDATA[Quando falo que estamos na República da Hermenêutica, onde a interpretação vale mais do que a letra da lei, não estou brincando. E isso não é de hoje. Nos tempos da violência institucionalizada, nos p...]]>
            </summary>
            
                        <content type="html"><![CDATA[<p><br />
Quando falo que estamos na República da Hermenêutica, onde a interpretação vale mais do que a letra da lei, não estou brincando. E isso não é de hoje. Nos tempos da violência institucionalizada, nos primórdios desse regime que destituiu o magnânimo Pedro II para instaurar algo que até hoje procura o seu caminho, Floriano Peixoto foi um dos mais aguerridos titulares da Presidência. Perseguia os adversários, considerando-os inimigos. Castigava sem piedade.<br />
Naquele tempo, quem ousava dizer a verdade era extirpado da vida em convívio. Tinha de fugir para escapar à fúria do tirano.<br />
Mas os intelectuais eram corajosos e criativos. José Patrocínio teve de escapar à sanha florianista e o jornal "Cidade do Rio" estava sob a direção interina de Luís Murat. <br />
Havia censura rigorosa. Olavo Bilac, um poeta boêmio, resolveu organizar um número violentíssimo da publicação. E que todos os colaboradores, responsáveis pelo ataque ao presidente, fugissem antes do jornal entrar em circulação.<br />
Bem idealizado, melhor feito. Murat, Bilac e Guimarães Passos escreveram coisas inacreditáveis contra Floriano: para eles, não passava de assassino, ladrão, covarde e coisas equivalentes.<br />
Assim que o jornal começou a ser rodado nas impressoras, eles trataram de escapar. Bilac foi para a Central, tomar um trem para Minas. Os outros dois, embarcaram a bordo de navios estrangeiros que se achavam no porto do Rio. <br />
Horas depois da circulação da "Cidade do Rio", a redação foi cercada por forças do governo e o gerente foi preso, ficando no cárcere por oito meses. <br />
E para prender Olavo Bilac, inventou Floriano um princípio jurídico, segundo o qual o leito das ferrovias federais nos Estados se torna território federal. Era a hermenêutica a favor da tirania. Nada de novo, portanto, quando se torce o sentido de alguns textos sobre os quais incidiria a regra latina "In claris cessat interpretatio". Ou: diante de texto claro, não precisa haver qualquer interpretação. Mas a sabedoria romana ainda não chegou ao sistema jurídico tupiniquim. <br />
<br />
</p>
]]></content>
                                    <category term="José Renato Nalini" />
                        <published>2026-03-26T11:00:00+00:00</published>
            <updated>2026-09-29T13:09:06+00:00</updated>
        </entry>
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            <title><![CDATA[Vestir a carapuça]]></title>
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            <id>https://www.diariodesuzano.com.br/01a0ed40-93bc-731b-805e-c5d2e51ec186</id>
            <author>
                <name><![CDATA[Gabriely Machado]]></name>
            </author>
            <summary type="html">
                <![CDATA[Essa expressão mostra o quão ridícula pode ser a atitude melindrosa de quem se sente atingido por um comentário que nem sempre contemplou o seu ego. Há pessoas que se comportam como se o mundo girasse...]]>
            </summary>
            
                        <content type="html"><![CDATA[<p><br />
Essa expressão mostra o quão ridícula pode ser a atitude melindrosa de quem se sente atingido por um comentário que nem sempre contemplou o seu ego.<br />
Há pessoas que se comportam como se o mundo girasse não de acordo com a lei celeste, mas em torno de sua onipotente presença. <br />
Para estas, qualquer alusão que não seja encomiástica, da qual não conste o laudatório cansativo que só é música para os ouvidos do objeto de veneração, pode machucar.<br />
Isso acontece em todos os ambientes e a literatura não está livre dos mal-entendidos decorrentes de alguém se sentir lesado em sua honra, após ter ouvido algo que não seja louvação.<br />
Conta-se que o português Bulhão Pato, sentiu-se ferido ao reconhecer-se no personagem Alencar de Alenquer, descrito por Eça de Queiroz em "Os Maias". <br />
Começou a difamar o escritor, que respondeu: <br />
"O meu personagem é um misto de qualidades e defeitos, de virtudes e vícios, de sentimentos nobres e hábitos reprováveis. <br />
Se o Sr. Bulhão Pato se atribui a si mesmo essas virtudes, é um imodesto; e se se atribui esses vícios, vem fazer perante a sociedade a confissão dos seus próprios defeitos". <br />
Resposta suficiente para mostrar que se não deve perder tempo com diz-que-diz-que e com insignificâncias. <br />
O melhor é ser comedido ao comentar fragilidades humanas e exaurir o vocabulário das virtudes, ainda que elas não se apliquem aos ouvidos ansiosos de quem espera uma palavra de reconhecimento quanto às qualidades que, em regra e na verdade, quem ouve não tem.<br />
Espécie esquisita a dos humanos. <br />
Prefere ouvir mentiras agradáveis do que refletir sobre lições que, se fossem apreendidas, acrescentariam valores a perfis superficiais, ocos e sem rumo.<br />
Se por acaso alguém ler este despretensioso texto e se sentir vulnerado, por favor, não me atribuam qualquer intenção que não tenha sido o de entreter incautos. <br />
Escrevo para os que se distraem verificando o que se passa na cabeça de alguém que está mais preocupado com a situação climática do planeta do que com a cabecinha de quem não tem o que fazer. <br />
<br />
</p>
]]></content>
                                    <category term="José Renato Nalini" />
                        <published>2026-03-19T11:00:00+00:00</published>
            <updated>2026-09-29T13:09:04+00:00</updated>
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            <title><![CDATA[Equívocos da pseudociência]]></title>
            <link rel="alternate" href="https://www.diariodesuzano.com.br/coluna/jose-renato-nalini/2026/03/12/equivocos-da-pseudociencia.html" />
            <id>https://www.diariodesuzano.com.br/01a0ed40-95cd-70a5-b632-ee42cd49fbaa</id>
            <author>
                <name><![CDATA[Gabriely Machado]]></name>
            </author>
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                <![CDATA[A ciência reclama experimentação, paciência e prudência. Não vive de atropelos. Se isso hoje é algo bastante polêmico, diante da pressa em divulgar descobertas, antes de que elas sejam objeto de adequ...]]>
            </summary>
            
                        <content type="html"><![CDATA[<p><br />
A ciência reclama experimentação, paciência e prudência. Não vive de atropelos. Se isso hoje é algo bastante polêmico, diante da pressa em divulgar descobertas, antes de que elas sejam objeto de adequada comprovação, não deixou de existir em tempos idos. <br />
Quando, principalmente no Brasil, ela engatinhava.<br />
Com razão, pois o Brasil ficou submisso a Portugal até 1822, com o hiato a partir de 1808, quando a Corte fugiu de Napoleão e se escondeu na Colônia. <br />
Nunca existiu Universidade no Brasil antes do século XIX, enquanto as colonizações espanholas a possuíam desde o século XVI.<br />
Conta-se que o político João Coelho, pôs-se a afirmar que comprovara a existência de vida após a morte. É que durante o verão, em Marajó, morrem todos os caranguejos. À primeira chuva, porém, surgem caranguejos miúdos, da noite para o dia. <br />
Impressionado com esse fenômeno, João Coelho foi à mídia e declarou que os caranguejos demonstravam a verdade da revivescência dos seres, pois, mortos no ano anterior, espalhados sobre a lama seca, retomavam a vida logo com a primeira chuva, pondo-se a correr em busca de alimento.<br />
Uma afirmação ingênua, que foi logo desmentida pelo fazendeiro e estudioso Vicente Chermont de Miranda, autor de um vocabulário da Ilha de Marajó. <br />
Com bom humor, explicou que o ardor do verão realmente matava grande quantidade de caranguejos. Alguns, contudo, conseguiam esconder-se na lama, em lugares mais profundos, conservando-se abrigados durante a estação. Eram estes que, emergindo do esconderijo, às primeiras chuvas reapareciam. <br />
Não satisfeito, João Coelho volta aos jornais e disso resultou uma das mais pitorescas polêmicas que se têm travado no Brasil, entre a ciência leiga e a ignorância diplomada. <br />
Ainda hoje, há quem sustente afirmações esdrúxulas, sem o menor fomento da ciência, com veemência tal, que chegam a acreditar nas tolices que propalam. <br />
Preste atenção e vejam como é duro o embate entre a ciência-verdade e a pseudociência, sustentada pelos imbecis que ganharam espaço nas redes sociais. <br />
<br />
</p>
]]></content>
                                    <category term="José Renato Nalini" />
                        <published>2026-03-12T11:00:00+00:00</published>
            <updated>2026-09-29T13:09:06+00:00</updated>
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            <title><![CDATA[Capistrano & Bilac]]></title>
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                <name><![CDATA[Gabriely Machado]]></name>
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                <![CDATA[É importante para as novas gerações, saberem que o Brasil já contou com literatos que foram, à sua época, cultuados como os atuais influencers. A diferença é que eles tinham conteúdo. A obra era resul...]]>
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                        <content type="html"><![CDATA[<p><br />
É importante para as novas gerações, saberem que o Brasil já contou com literatos que foram, à sua época, cultuados como os atuais influencers. A diferença é que eles tinham conteúdo. A obra era resultado de aprofundados estudos, de reflexão e de maturação das ideias. Já a produção dos tik-toks e vias análogas é o impulso espontâneo de erupções que pouco têm a ver com erudição. <br />
Capistrano de Abreu, por exemplo, era venerador dos vultos antigos. Estudava tanto a vida deles, que nutria a sensação de viver entre elas e no seu tempo. Uma dessas fixações afetivas era Frei Vicente do Salvador. Mais do que admiração, era uma espécie de religião. Fora responsável por editar a "História do Brasil" escrita por Frei Vicente. Anotara-a, estudara-a e amava o autor como a um amigo vivo.<br />
Um dia surgiu muito triste e cabisbaixo. Qual a desgraça que o atingira? E ele responde ao amigo que se preocupa com seu abatimento: - "Você não imagina como tenho andado aborrecido! Sabe o que eu descobri? Não só descobri, como apurei e verifiquei que a mãe de Frei Vicente foi uma pessoa viciada, desonesta, uma pessoa de vida escandalosa!". <br />
Era difícil para ele desvincular a obra e seu autor da origem presumivelmente espúria. Do lodo também podem brotar lírios!<br />
Já Olavo Bilac, nada obstante a qualidade poética, bebia demais. Descia para a cidade - Rio de Janeiro - ordinariamente, entre as onze horas e o meio-dia. Trazia a sua crônica diária para "A Notícia". E começava a beber e assim prosseguia, até alta noite ou, às vezes, até alta madrugada.<br />
Numa noite, 4 de novembro de 1904, ele estava bem alterado. Caminhando a partir do Largo da Lapa, ele e alguns amigos de bebedeira passaram diante do Catete. O palácio presidencial estava em regime de plantão, porque se aguardava o ataque da Escola Militar, que obedecia ao comando de Lauro Sodré. Inteirado pela guarda dos acontecimentos, Bilac, que havia bebido mais do que nunca, gritou: <br />
- "Eu não posso ir para casa numa situação dessas! Vou fazer companhia a meu amigo Rodrigues Alves!".<br />
Identificou-se, teve acesso ao Catete e ali ficou até o dia seguinte. É que o paulista Rodrigues Alves, então Presidente da República, devotava a Bilac a maior estima. Consta até que ele namorava uma filha do Presidente, que faria o maior gosto no casamento. Mas isso não chegou a acontecer. <br />
<br />
</p>
]]></content>
                                    <category term="José Renato Nalini" />
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            <updated>2026-09-29T13:09:04+00:00</updated>
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            <title><![CDATA[De onde saem os boatos?]]></title>
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                <name><![CDATA[Gabriely Machado]]></name>
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                <![CDATA[A boataria, inevitavelmente, sai de ambientes muito próximos aos que são alvo dela. Encontrar assunto para comprometer a memória de alguém é uma especialidade dos íntimos. É algo universal, de que é e...]]>
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                        <content type="html"><![CDATA[<p><br />
A boataria, inevitavelmente, sai de ambientes muito próximos aos que são alvo dela. <br />
Encontrar assunto para comprometer a memória de alguém é uma especialidade dos íntimos. <br />
É algo universal, de que é exemplo o livro de Georges Normandy, "Vie anecdotique et pittoresque de Maupassant". <br />
Dele consta o boato malévolo de que Guy de Maupassant seria filho de Gustave Flaubert.<br />
Isso porque Laura de Maupassant se separara do marido e Flaubert era o amigo muito próximo a velar pela esposa abandonada.<br />
Mas aqui no Brasil é difícil escapar a um boato. Dentro da Academia Brasileira de Letras, encontrou-se estreita semelhança entre Mário de Alencar, filho de José de Alencar, e o próprio criador do Silogeu, Machado de Assis.<br />
Os imortais comentavam entre si: "Compara aquelas duas testas...aquelas duas cabeça...aquele cabelo ondulado em um e outro. Examina tudo isso sem esquecer a amizade "filial" que uniu Mário ao Machado até à hora da morte..."<br />
Para quem observasse, havia, realmente, nos dois, traços fisionômicos que corriam paralelos. <br />
Estranha, também, aquela afeição paternal de Machado, tão desconfiado nas suas amizades e, no entanto, tão ligado a Mário de Alencar, cuja presença, na velhice, não dispensava um só dia?<br />
Para completar o quadro de coincidências, Mário de Alencar era epilético. Seu pretenso pai, José de Alencar, jamais sofreu de epilepsia. <br />
Machado de Assis morreu com essa moléstia. Há quem diga que "Dom Casmurro" é uma história verdadeira. <br />
Do amigo que trai o amigo, aquele filho que fica de amores clandestinos, não seriam páginas de uma autobiografia?<br />
Hoje até seria possível realizar a prova, com a IA e o exame de DNA. <br />
Mas o que mudaria a História, qual seria a consequência concreta dessa descoberta, senão alimentar a famélica volúpia de quem quer explorar as intimidades da vida alheia?<br />
<br />
</p>
]]></content>
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                        <published>2026-02-26T11:00:00+00:00</published>
            <updated>2026-09-29T13:09:05+00:00</updated>
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            <title><![CDATA[Elogio em boca própria]]></title>
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                <name><![CDATA[Gabriely Machado]]></name>
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                <![CDATA[... é vitupério. Ou seja: gabar-se, exaltar-se, tecer loas a si mesmo é ridículo, é brega, é coisa de gente menor. Mas, lamentavelmente, é muito comum e corriqueiro. Há pessoas que fazem tanta questão...]]>
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                        <content type="html"><![CDATA[<p><br />
... é vitupério. Ou seja: gabar-se, exaltar-se, tecer loas a si mesmo é ridículo, é brega, é coisa de gente menor. Mas, lamentavelmente, é muito comum e corriqueiro. Há pessoas que fazem tanta questão de mostrar erudição, que chateiam os seus ouvintes. Uma conversa não pode ser um desfilar contínuo de nomes e datas, a mostrar que a proclamação das verdades históricas é um talento natural ou fruto de contínuo aprendizado. Algo hoje facilitado com a rápida busca de informações nas redes sociais e utilização adequada da Inteligência Artificial.<br />
Note-se que nos créditos dos autores de artigos, ensaios, escritos, ainda que a publicação se dê em periódicos locais ou regionais, há quem se esmere em colocar tantos títulos, que isso ocupa boa parte do espaço reservado para o conteúdo de sua contribuição.<br />
Também é um pouco deselegante, atestado de mau gosto, incluir nos próprios livros o teor de manifestações que outros fizeram a seu respeito. A transcrição de tudo que, sinceramente, o por amabilidade, se tem escrito sobre o autor, é algo que os editores Goncourt chamavam de "admiração preventiva". Uma estratégia que deveria ser proibida, mas que é, em regra e por gente inteligente, condenada. Pois o livro deve valer por si, deve ter o seu valor intrínseco, sem que se atente para o nome do autor ou para o mérito de outras obras saídas do mesmo computador. <br />
Porém, quanto mais medíocre a pessoa, mais quer se impor perante a comunidade, como se o autoelogio fosse algo que fizesse mudar a pequena consideração que ela merece no meio efetivamente intelectual. <br />
Como fazem falta as "pequenas grandes virtudes" da modéstia, da humildade, da delicadeza, da gentileza, da contenção. É um conjunto de atributos que homenageia quem se relaciona com a pessoa que deve ser estimada por outros motivos, não exatamente aqueles que ela própria cuida de enaltecer perante o grupo com o qual convive. <br />
Parece que a humanidade retrocede ao assumir a vaidade, o protagonismo, o orgulho, a autossuficiência como características vãs, pois, além do mais, a vida é efêmera e frágil. Não se compadece com desvios na rota ética e de respeito ao outro que todos merecem e devem observar. <br />
<br />
</p>
]]></content>
                                    <category term="José Renato Nalini" />
                        <published>2026-02-19T11:00:00+00:00</published>
            <updated>2026-09-29T13:09:06+00:00</updated>
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            <title><![CDATA[Falta inteligência natural]]></title>
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                <name><![CDATA[Gabriely Machado]]></name>
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                <![CDATA[O advento de tantas emergências climáticas deveria fortalecer a consciência dos arquitetos, engenheiros e urbanistas, para que as soluções levassem a sério a natureza. Não é novidade que as "soluções...]]>
            </summary>
            
                        <content type="html"><![CDATA[<p><br />
O advento de tantas emergências climáticas deveria fortalecer a consciência dos arquitetos, engenheiros e urbanistas, para que as soluções levassem a sério a natureza. Não é novidade que as "soluções de acordo com a natureza" representam a resposta da consciência humana à proximidade da tragédia anunciada. <br />
Casos recentes de derrubada de matas para a construção mostram que isso não tem sido levado em conta. Um bosque, por pequeno seja, levou tempo para crescer. Significou um projeto de pessoas que já não estão aqui, mas se preocuparam com oferecer um futuro saudável a quem as sucedesse.<br />
Por que não elaborar projetos criativos, inovadores, que não precisem sacrificar a mata? Verticalizar mais, pensar em soluções engenhosas, que preservassem a natureza? Haveria um ganho adicional, pois há pessoas conscientes que valorizam a presença de árvores num projeto residencial.<br />
O velho esquema de cortar árvores para aproveitar o solo e multiplicar a construção anacrônica - cimento, ferro, aço - é algo que já se torna insustentável. Pense-se que a construção civil usa insumos cuja fabricação é poluente. Depois, edifica-se um novo prédio que vai também poluir e que é causa evidente das "ondas de calor" que sufocam as áreas conurbadas. Mais do que isso, a construção civil costuma desperdiçar 35% do material utilizado.<br />
É hora de urbanistas, arquitetos conscientes e empreendedores responsáveis utilizarem a inteligência natural e adotarem soluções de acordo com a natureza que não sacrifiquem árvores. O prejuízo reputacional dessas empresas não é desprezível. Uma sociedade civilizada e consciente poderá dar o troco e colocar essas incorporadoras ou empreendedoras numa lista de pouco amigas do verde. E isso pode se refletir nos futuros negócios.<br />
É só alertando para prejuízos materiais que talvez elas repensem o que tem sido feito como rotina: a eliminação de árvores frondosas e a promessa de plantio de mudas que levarão década - ou séculos - para chegarem à situação pretérita. <br />
Ou, pior ainda, que se satisfaçam com doações para Fundos que têm a missão de proteger o que existe, antes de pensar em um futuro remoto e que poderá sequer existir, se o desmatamento continuar acelerado como em nossos dias. <br />
<br />
</p>
]]></content>
                                    <category term="José Renato Nalini" />
                        <published>2026-02-12T11:00:00+00:00</published>
            <updated>2026-09-29T13:09:05+00:00</updated>
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            <title><![CDATA[Bairrismo acadêmico]]></title>
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                <name><![CDATA[Gabriely Machado]]></name>
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                <![CDATA[Uma nação com dimensões continentais abriga uma biodiversidade humana admirável. Natural que haja disputa, em emulação às vezes benéfica, entre as várias regiões. Principalmente quando elas recebem a...]]>
            </summary>
            
                        <content type="html"><![CDATA[<p><br />
Uma nação com dimensões continentais abriga uma biodiversidade humana admirável. Natural que haja disputa, em emulação às vezes benéfica, entre as várias regiões. Principalmente quando elas recebem a denominação de Províncias ou Estados, o que acentua o seu sentido de pertencimento.<br />
Considerar o seu berço natal o melhor, o mais importante, é algo natural e característico ao ser humano. Desse entendimento não escapam os intelectuais. Ao contrário, podem ser até mais criativos e instigantes do que os desacostumados do uso talentoso da palavra.<br />
Um dos famosos escritores que abusava das ironias foi Emilio de Menezes. Seu nome completo: Emílio Nunes Correia de Meneses, (1866-1918) jornalista e poeta parnasiano brasileiro, imortal da Academia Brasileira de Letras e mestre dos sonetos satíricos. Para Glauco Mattoso, o poeta paranaense é o principal poeta satírico brasileiro após Gregório de Matos. <br />
Quando aconteceu, por volta de 1917, um escândalo que envolveu o então Presidente de Minas Gerais - era assim que se chamavam então os Governadores - Emílio, fingindo indignação, brindou os que o ouviam com a seguinte exclamação: "Mas, mineiro cria boi, mineiro cria porco, mineiro cria galinha, por que mineiro não cria vergonha?".<br />
Minas, um enorme e poderoso Estado, sempre suscitou comentários de parte dos não mineiros. Dizia-se, ao tempo em que muita gente viajava por lá, à procura do ouro que diziam sobrar, constatava-se a avareza dos mineiros. Um paulista, ao chegar ao território das Minas, perguntava ao seu hospedeiro: - "Quanto custa o pouso por uma noite?" E a resposta era: "Nada, moço. A casa é de vossa senhoria; vossa senhoria só tem que pagar o capim do cavalo". Na manhã seguinte, cobravam-lhe dois mil reais pelo capim do cavalo...<br />
Essas estórias corriam, na primeira metade do século XX, nas rodinhas dos então fundadores e primeiros ocupantes das Cadeiras da Academia Brasileira de Letras, criada por Machado de Assis em 1897. São narradas no delicioso "Diário Secreto" de Humberto de Campos (1886-1934). <br />
Lembrá-las ajuda a conhecer melhor a alma brasileira, prenhe de tonalidades, assim como a biodiversidade natural, a mais exuberante do planeta. <br />
<br />
</p>
]]></content>
                                    <category term="José Renato Nalini" />
                        <published>2026-02-05T11:00:00+00:00</published>
            <updated>2026-09-29T13:09:06+00:00</updated>
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            <title><![CDATA[O Brasil não é bonzinho]]></title>
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                <name><![CDATA[Gabriely Machado]]></name>
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            <summary type="html">
                <![CDATA[Embora se queira dourar a pílula, o Brasil não é herói na questão do enfrentamento às emergências climáticas. Já não pairam dúvidas sobre a causa do aquecimento global, gerador do efeito estufa: a emi...]]>
            </summary>
            
                        <content type="html"><![CDATA[<p><br />
Embora se queira dourar a pílula, o Brasil não é herói na questão do enfrentamento às emergências climáticas. Já não pairam dúvidas sobre a causa do aquecimento global, gerador do efeito estufa: a emissão de gases venenosos. Pois o Brasil é o terceiro devedor da dívida climática, estando entre os países ricos, os que mais empesteiam o mundo.<br />
Se isso for calculado em dinheiro, alcançará a cifra nada desprezível de 97,5 trilhões de dólares. Quantos zeros são necessários para exprimir numericamente essa quantia?<br />
Considerada a emissão de CO2 por combustíveis fósseis, mudança do uso da terra e desmatamento das florestas, desde 1990, os Estados Unidos são o maior devedor do planeta: 46.606 trilhões. O Japão vem logo a seguir, responsável por 9.419 trilhões e o Brasil em terceiro lugar, com 8.755 trilhões. À frente da Rússia, com 8.128 e Alemanha, com 7.022 trilhões. <br />
Essa dívida total representa nada menos do que 516 trilhões de reais. É o que indica o estudo produzido pelo IPEA - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Embora o Brasil não esteja entre os países mais ricos do mundo, ele tem responsabilidade histórica por ser um fabricante de desertos e por acabar com sua cobertura vegetal com uma cupidez alucinada. <br />
É importante que a sociedade civil saiba disso e motive o Poder Público, principalmente o Parlamento Federal, a ser mais cuidadoso com a tutela da natureza. Uma pesquisa patrocinada pelo Instituto Clima e Sociedade constatou que 56% da população pensa que o enfrentamento ao colapso do clima terá um peso grande - 34% - ou muito grande - 22% - durante a corrida eleitoral de 2026. Assim, eleger menos dendroclastas, menos congressistas que aprovem Lei da Devastação e que sejam mais responsáveis. É uma questão de sobrevivência, não de simpatia pela causa ecológica. <br />
O paradoxo é que embora a população confira importância ao ambiente, já que 89% dos entrevistados enxergam as mudanças climáticas como ameaça grave ao País, 43% dizem não ter alterado nenhum hábito nos últimos doze anos. Como reflexo disso, 66% dos pesquisados não tinham conhecimento de que a COP iria ocorrer, enquanto 34% estavam cientes da realização do encontro da ONU em Belém. <br />
<br />
</p>
]]></content>
                                    <category term="José Renato Nalini" />
                        <published>2026-01-08T11:00:00+00:00</published>
            <updated>2026-09-29T13:09:04+00:00</updated>
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            <title><![CDATA[O toque da pontualidade]]></title>
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            <id>https://www.diariodesuzano.com.br/01a0ed40-93ea-7134-8bdb-f82a96953444</id>
            <author>
                <name><![CDATA[Gabriely Machado]]></name>
            </author>
            <summary type="html">
                <![CDATA[Tenho a mania de ser pontual. Isso me custa em irritação e indignação. Parece que os horários são meros parâmetros. Uma indicação vaga daquilo que deveria acontecer na hora marcada. Essa prática da po...]]>
            </summary>
            
                        <content type="html"><![CDATA[<p><br />
Tenho a mania de ser pontual. Isso me custa em irritação e indignação. Parece que os horários são meros parâmetros. Uma indicação vaga daquilo que deveria acontecer na hora marcada.<br />
Essa prática da pontualidade causa conflitos domésticos. É algo que o mundo conhece e que cientistas sociais tentam entender há décadas. Lá por volta de 12950, o antropólogo Edward T. Hall cunhou os termos “monocrônico” e “policrônico”. No norte da Europa e EUA, sociedades monocrônicas, as pessoas são mais pontuais. Já na América Latina, África e Oriente Médio, sociedades policrônicas, as pessoas se sentem mais à vontade em ser dispersas com horários. <br />
É uma questão de disciplina. As pessoas são mais criativas, motivadas e produtivas quando trabalham em seu estilo preferido. Algo que ajuda a avaliar os valores em relação ao uso do tempo é observar como se reage a interrupções. Se você não gosta de ser interrompido, você é monocrônico. Pessoas que gerenciam o tempo priorizam obrigações em detrimento de relacionamentos. Para estes, uma interrupção é irritante. <br />
Noto que temos o hábito de justificar atrasos culpando o trânsito. Se sabemos que o congestionamento é uma constante, por que não se programar? Não há escusas para o costumeiro atraso. Sinal de pouca consideração para com o compromisso ou com a pessoa. <br />
Já se você tende a se atrasar porque tenta atender às necessidades de várias pessoas ao mesmo tempo, você é policrônico. Cada característica tem suas vantagens e desvantagens. Estilos de uso do tempo são preferência, não um caráter inflexível. Se o objetivo for o de fortalecer vínculos, deve-se adotar o estilo policrônico. Para os compulsivamente pontuais, que se frustram com o atraso alheio – incluo-me nesta categoria, - já me acostumei a levar um livro. Assim, é possível se manter produtivo enquanto se espera. Mas continuo a pensar comigo mesmo, que pontualidade é uma questão de educação. Educação de berço, não necessariamente formal.<br />
 </p>
]]></content>
                                    <category term="José Renato Nalini" />
                        <published>2025-12-18T11:00:00+00:00</published>
            <updated>2026-09-29T13:09:04+00:00</updated>
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            <title><![CDATA[Tudo é clima]]></title>
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            <author>
                <name><![CDATA[Gabriely Machado]]></name>
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                <![CDATA[A realização da COP30 no Brasil foi o gatilho para que a questão climática entrasse no radar de todos e não saísse mais. E tem de ser assim mesmo. O maior desafio já enfrentado pela humanidade é o aqu...]]>
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                        <content type="html"><![CDATA[<p><br />
A realização da COP30 no Brasil foi o gatilho para que a questão climática entrasse no radar de todos e não saísse mais. E tem de ser assim mesmo. O maior desafio já enfrentado pela humanidade é o aquecimento global, gerado pela excessiva emissão de gases perniciosos, causadores do efeito-estufa.<br />
Este ano de 2025 será o terceiro mais quente da História que o ser humano construiu no planeta. <br />
As ondas de calor causam mortes e incrementam comorbidade que não existiria se não tivéssemos destruído a cobertura vegetal que nos aguardava quando começamos a densificar a ocupação do solo. Os sistemas de saúde acusam muitas internações durante esse período. <br />
O calor não vai aparecer no assento de óbito das pessoas. Mas é aquilo que provocou AVC, enfarte, embolia, outras enfermidades cardiorespiratórias que matam de forma adoidada.<br />
Por isso, cuidar do clima é cuidar da saúde. É economizar. <br />
Fica muito mais barato multiplicar o número de árvores de uma cidade do que construir novos hospitais. Estes, só se tornam necessários por causa de nossa omissão ao cuidar da Terra. <br />
A economia depende do clima. As altas temperaturas atrapalham o cultivo. As tempestades acabam com as lavouras. O desmoronamento de casas requer reconstrução e isso custa dinheiro. Até o esporte fica prejudicado por causa do clima. <br />
Tamires, jogadora de futebol que disputou duas Copas do Mundo, assinou uma carta em que afirma que a mudança climática é um dos adversários mais difíceis que os atletas enfrentam. Jogar futebol no Brasil passa a ser uma aventura perigosa. E isso vale para os demais esportes: corrida, tênis, voleibol, basquete, etc. <br />
Por isso é que, a despeito dos resultados concretos da COP30, é preciso estar atento e não descuidar do mínimo zelo em relação ao ambiente. <br />
A urgência maior é o plantio de árvores. <br />
Somos fabricantes de desertos. A motosserra destrói em alguns minutos aquilo que a natureza levou séculos para nos oferecer.<br />
Triste animal o homem: considera-se racional, mas age de maneira tal, que a irracionalidade parece constituir sua mais típica característica. <br />
<br />
</p>
]]></content>
                                    <category term="José Renato Nalini" />
                        <published>2025-12-11T11:00:00+00:00</published>
            <updated>2026-09-29T13:09:06+00:00</updated>
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            <title><![CDATA[Esgoto na água de beber]]></title>
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            <author>
                <name><![CDATA[Gabriely Machado]]></name>
            </author>
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                <![CDATA[O Estado de São Paulo, o mais desenvolvido da Federação, ainda enfrenta sérios e graves desafios na gestão do esgoto. Pesquisadores do Departamento de Hidráulica e Saneamento da Escola de Engenharia d...]]>
            </summary>
            
                        <content type="html"><![CDATA[<p><br />
O Estado de São Paulo, o mais desenvolvido da Federação, ainda enfrenta sérios e graves desafios na gestão do esgoto. <br />
Pesquisadores do Departamento de Hidráulica e Saneamento da Escola de Engenharia de São Carlos, da USP, avaliou os 645 municípios bandeirantes e concluiu que mais de duzentas toneladas de nitrogênio e trinta toneladas de fósforo são diariamente lançadas nos cursos d'água, provenientes de esgoto sem tratamento ou de maneira insuficiente.<br />
Isso contribui para a degradação da qualidade da água. <br />
A recomendação é a de que o uso das Estações de Tratamento de Esgotos em funcionamento seja aperfeiçoado com tecnologias mais eficazes. <br />
São Paulo não está ilesa de situação tal. Esgoto in natura é lançado diuturnamente na única represa abastecida com nascentes locais, a Guarapiranga. <br />
Seria importante que a SABESP fizesse estações de tratamento descentralizadas e não houvesse a necessidade de levar o esgoto para ser tratado em Barueri, quase cinquenta quilômetros além da represa. <br />
O artigo que os pesquisadores escreveram está na revista científica Journal of Environmental Management e partiu do Atlas Esgoto, a base nacional mais atual sobre a situação do esgotamento sanitário no Brasil, embora já antigo: anos de referência 2015 e 2016. Tudo pode estar bem pior em 2025, já que o Marco Legal do Saneamento não tem sido levado a sério como deveria, por uma série de razões. Todas elas superáveis. <br />
É urgente levar a sério as questões de engenharia e gestão e repensar o atual modelo de saneamento é fundamental para reduzir as cargas poluidoras e garantir a qualidade da água nos cursos d'água paulistas, sobretudo os que abastecem os milhões de paulistanos desta megalópole. <br />
A situação nos demais 644 municípios paulistas pode ser também preocupante. <br />
Ou existe cidade que tenha solucionado 100% a questão do saneamento básico e possa garantir que a qualidade de sua água seja insuscetível de qualquer crítica?<br />
Não é possível que, em 2025, ainda haja coliformes fecais na água que os paulistas bebem. Vamos cuidar disso?<br />
<br />
</p>
]]></content>
                                    <category term="José Renato Nalini" />
                        <published>2025-12-03T11:00:00+00:00</published>
            <updated>2026-09-29T13:09:04+00:00</updated>
        </entry>
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            <title><![CDATA[O que fazer sem água?]]></title>
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            <author>
                <name><![CDATA[Gabriely Machado]]></name>
            </author>
            <summary type="html">
                <![CDATA[Quando o Instituto de Engenharia alerta que a represa Guarapiranga, a única abastecida por nascentes paulistanas, está correndo sério risco de se exaurir, é urgente um despertar de toda a comunidade....]]>
            </summary>
            
                        <content type="html"><![CDATA[<p><br />
Quando o Instituto de Engenharia alerta que a represa Guarapiranga, a única abastecida por nascentes paulistanas, está correndo sério risco de se exaurir, é urgente um despertar de toda a comunidade. <br />
O Instituto de Engenharia realizou um evento, emblematicamente chamado "Sem água não há vida", para debater a questão que é a mais premente para os mais de doze milhões de paulistanos. <br />
Todos sabemos que a receita para recuperar os córregos, as nascentes e requalificar a água que bebemos é devolver à natureza as árvores que dela fomos subtraindo no decorrer dos séculos. <br />
Infelizmente, a população ainda não compreendeu que a melhor amiga da vida é a árvore. Ela é polivalente: presta serviços ecossistêmicos e gratuitos. A ecotranspiração garante o sequestro de carbono e a renovação do oxigênio. <br />
Regiões arborizadas chegam a registrar até dez graus Celsius menos do que as regiões áridas. <br />
As árvores têm de estar num solo drenante. Isso faz com que o regime de chuvas se reequilibre. <br />
Não mais as tempestades violentas, causadoras de enchentes, inundações e desabamentos, mas a chuva boa, aquela que ameniza o calor e faz a atmosfera mais saudável. <br />
Além disso, o local que abriga uma árvore é um ponto de escoamento da água da chuva, reabastecendo o lençol freático. <br />
Árvores são refúgio da vida silvestre, dão sombra e beleza, são tudo o que há de bom para preservar os viventes neste planeta. <br />
O município de São Paulo plantou mais de 120 mil árvores em 2025. <br />
Para combater a escassez hídrica, é urgente refrear a desenfreada ocupação da região dos mananciais, saqueada por construções que não podem invadir um espaço do qual dependem milhões de paulistanos. <br />
A moradia é importante, mas não se sobrepõe à própria vida, o primeiro dos direitos individuais explicitados no artigo 5º da Constituição da República. <br />
São Paulo precisa hoje de muito juízo, muita ação emergencial e conscientização de toda a comunidade. Pode-se viver sem petróleo. <br />
Sem água não. <br />
O que fazer sem água? É uma tragédia que todos podemos evitar. <br />
<br />
</p>
]]></content>
                                    <category term="José Renato Nalini" />
                        <published>2025-11-27T11:00:00+00:00</published>
            <updated>2026-09-29T13:09:04+00:00</updated>
        </entry>
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            <title><![CDATA[Sinais trocados]]></title>
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            <author>
                <name><![CDATA[Gabriely Machado]]></name>
            </author>
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                <![CDATA[O Brasil começou a padecer de uma enfermidade estranha. Os dela acometidos se esquecem do principal e aderem ao superficial. Assim ocorre, por exemplo, com a educação formal. Busca-se o diploma. Deixa...]]>
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                        <content type="html"><![CDATA[<p><br />
O Brasil começou a padecer de uma enfermidade estranha. <br />
Os dela acometidos se esquecem do principal e aderem ao superficial. Assim ocorre, por exemplo, com a educação formal. Busca-se o diploma. <br />
Deixa-se o conhecimento de lado. <br />
Daí o sucesso de tantas empresas que vendem diplomas de nível que seria considerado "superior", em sessenta prestações mensais. <br />
O que interessa é o "canudo", não o que se adquiriu durante esse período pretensamente destinado ao aprendizado. <br />
Não é só no nível "superior" que esse fenômeno ocorre. No ensino médio, o que interessa é obter o certificado de segundo grau para concorrer aos vestibulares. Daí as salas ociosas e as imediações dos estabelecimentos escolares repletos de vagabundagem. <br />
Bares e baladas em pleno funcionamento. Aulas, destinadas a poucos. <br />
Assim ocorre também com um setor em que o Brasil se destacava pela criatividade. <br />
A publicidade brasileira. Que já contou com a DPZ, o trio mágico formado por DUAILIBI, o grande Roberto, há pouco falecido, Francesc Petit e José Zaragoza. Luiz Lara, fundador da LewLara, escreveu um livro para contar essa história.<br />
O título é "Alma Brasileira do negócio: da era de ouro à era digital, como a comunicação transforma o mundo".<br />
Ele historia o mundo publicitário brasileiro e conclui que hoje, por causa dos jovens que só almejam prêmios, a publicidade brasileira perde humor e emoção. É a geração que vive nas telas, em busca de indicadores de algoritmos e deixa de encontrar a verdade nas ruas. <br />
É muito importante que os jovens publicitários, se quiserem preservar a tradição brasileira na área, estudem mais. Conheçam mais o Brasil. <br />
Cultivem relacionamentos, convivam com outras faixas etárias e com outros extratos sociais. <br />
O recado é muito claro: publicidade não existe apenas para ganhar prêmio. Isso é consequência de um bom trabalho. <br />
Publicidade existe para que o negócio dê certo. Seja na vida privada, seja na administração pública, setor que, no Brasil, ocupa espaço cada vez maior. <br />
<br />
</p>
]]></content>
                                    <category term="José Renato Nalini" />
                        <published>2025-11-20T11:00:00+00:00</published>
            <updated>2026-09-29T13:09:06+00:00</updated>
        </entry>
            <entry>
            <title><![CDATA[Os entraves burocráticos]]></title>
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            <author>
                <name><![CDATA[Gabriely Machado]]></name>
            </author>
            <summary type="html">
                <![CDATA[Embora egresso - mas ainda imerso - no sistema Justiça, onde permaneci por meio século, ainda tenho dúvidas sobre o que ele representa para aprimorar a qualidade de vida humana. Vejo um formalismo est...]]>
            </summary>
            
                        <content type="html"><![CDATA[<p><br />
Embora egresso - mas ainda imerso - no sistema Justiça, onde permaneci por meio século, ainda tenho dúvidas sobre o que ele representa para aprimorar a qualidade de vida humana.<br />
Vejo um formalismo estéril, um exagero na observância de regras ridículas, um funil que submete qualquer iniciativa factível em desistência. Ninguém consegue vencer a burocracia dos pareceres, das inúmeras reuniões, das minudências, da vontade de submeter o conteúdo a uma forma sufocante.<br />
É isso o que acontece quando o Brasil demora em regulamentar os créditos de carbono. <br />
Quando reluta em adotar uma nova comodity chamada "unidade de conservação", que enfrenta incrível e surreal resistência baseada em algo que parece a tirania da pequena autoridade.<br />
Quantas vezes não se constata que os verdadeiros formuladores das políticas públicas se entusiasmam com algo que parece inovador e tende ao êxito. Mas os subalternos, aqueles que fazem parte permanente da máquina, nos quais só falta a placa de patrimônio para que sejam considerados semoventes, são os que atravessam o roteiro de tomada de decisão e criam obstáculos que tornam intransponíveis. <br />
Ao lado do crédito de carbono, a unidade de conservação propicia ao Poder Público arrecadar fundos mediante a venda desses títulos que representam a preservação da cobertura vegetal e que, portanto, produzem bem intangível para todos os viventes.<br />
Depois de inúmeras reuniões, a trava amarga faz com que a proposta pereça, antes mesmo de ter sido implementada. <br />
Quem será capaz de destravar a mente obscurantista de quem se considera dono da verdade e inibe a implementação de algo que parece contrariar a lógica: propiciar ao Poder Público ganhar dinheiro com a sua obrigação indeclinável de conservar íntegro o ambiente natural. <br />
Esse é um pequeno exemplo. <br />
Quantas outras boas ideias se mumificam nos escaninhos das consciências limitadas pela burocracia que lhes tomou a capacidade de discernir? Quem perde é o futuro do povo brasileiro.<br />
<br />
</p>
]]></content>
                                    <category term="José Renato Nalini" />
                        <published>2025-11-13T11:00:00+00:00</published>
            <updated>2026-09-29T13:09:06+00:00</updated>
        </entry>
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            <title><![CDATA[Trânsito caótico sacrifica e mata]]></title>
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            <author>
                <name><![CDATA[Gabriely Machado]]></name>
            </author>
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                <![CDATA[Ignácio de Loyola Brandão, biacadêmico - imortal das Academias Paulista e Brasileira de Letras - previu, na década de setenta, que um dia os paulistanos não conseguiriam sair com seus carros de suas g...]]>
            </summary>
            
                        <content type="html"><![CDATA[<p><br />
Ignácio de Loyola Brandão, biacadêmico - imortal das Academias Paulista e Brasileira de Letras - previu, na década de setenta, que um dia os paulistanos não conseguiriam sair com seus carros de suas garagens. Teriam de caminhar sobre milhares de automóveis enferrujados, tamanha a proliferação desse veículo que é o mais egoísta do planeta.<br />
Essa profecia não está longe de se concretizar. Noticia-se a média de quinze mil licenciamentos diários para veículos leves. E os congestionamentos, segundo o cientista e médico Paulo Saldiva, prolongam a exposição à poluição, afetam o sono e reforçam a urgência por transporte coletivo sustentável e cidades mais equilibradas.<br />
Em recente fala na Rádio USP, ele diz que o trânsito caótico rouba o único insumo que não se pode repor: o tempo. Mas o subtrai não só do trabalho, do sono, do descanso e do lazer. Isso altera o humor e a saúde mental das pessoas. E acrescenta: "pois concordemos que dirigir em uma grande cidade está longe de ser uma experiência de elevação espiritual. Mais ainda, a opção por transporte individual prioritária tem feito com que inalemos mais poluentes. Graças a esforços e dos agentes reguladores da melhoria da qualidade veicular, as concentrações de poluição caíram na nossa cidade; no entanto, o mesmo não acontece com a dose de poluentes que inalamos. Não caiu na mesma extensão nós passamos para um nível muito mais baixo de poluição, mas o tempo que passamos no trânsito é muito maior".<br />
Para o patologista que é especialista em "ondas de calor", não é incomum que percamos mais de uma ou duas horas por dia "inalando de forma inexorável os poluentes que nos circundam, emitidos por aqueles pequenos tubos que são as novas chaminés. São as grandes avenidas e o tráfego denso que produzem gases e partículas produzidas não só pela combustão, como também pela suspensão do solo. Não é senão por isso que a gente observa nas pessoas falecidas na cidade de São Paulo, no serviço de verificação de óbitos da capital, a impressão digital da cidade sob a forma de pequenas cicatrizes, pequenas tatuagens negras nos nossos pulmões, mesmo que não fumantes. Essa é uma situação também que afeta a qualidade e a dignificação da cidadania".<br />
As vítimas preferenciais desse drama são os mais carentes. Moram longe. Perdem precioso tempo que poderiam usufruir em descanso ou estudando e também inalam mais poluentes pelo tempo maior que perdem nos seus deslocamentos. "Esse é um chamamento para que a gente invista em sustentabilidade e redução das emissões."<br />
Isso acontece em todas as grandes cidades de São Paulo e do Brasil. Por isso, deve servir de modelo a inspiração do Prefeito Ricardo Nunes, que insiste na eletrificação dos ônibus paulistanos, para que haja preferência da população por transporte coletivo. Além disso, investe-se na utilização do biometano, o gás natural não fóssil que provém dos resíduos orgânicos e da vinhaça do setor sucroalcooleiro.<br />
Também deve ser estimulado o ciclismo, o caminhar a pé, a opção por "um dia sem carro", pois o que está em jogo é a qualidade de vida, a saúde humana e a constatada perda de longevidade daqueles submetidos à crescente poluição dos grandes centros. <br />
O Poder Público está fazendo sua parte. Mas depende da colaboração da cidadania, porque sem a firme adesão de todos, a melhor política pública deixa de produzir os efeitos esperados e desejados. <br />
<br />
</p>
]]></content>
                                    <category term="José Renato Nalini" />
                        <published>2025-11-06T11:00:00+00:00</published>
            <updated>2026-09-29T13:09:06+00:00</updated>
        </entry>
            <entry>
            <title><![CDATA[Verde é a cor da vida]]></title>
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            <author>
                <name><![CDATA[Gabriely Machado]]></name>
            </author>
            <summary type="html">
                <![CDATA[Nossas cidades se tornam cor de cinza. É só concreto, aço, vidro e outros materiais cuja fabricação é altamente poluente. Outra característica da construção civil é que 35% do material utilizado é des...]]>
            </summary>
            
                        <content type="html"><![CDATA[<p><br />
Nossas cidades se tornam cor de cinza. É só concreto, aço, vidro e outros materiais cuja fabricação é altamente poluente. Outra característica da construção civil é que 35% do material utilizado é descartado, constituindo o resíduo sólido mais nefasto para a vida humana. Em São Paulo, por exemplo, todas as noites muitos caminhões clandestinos, a maioria com placas falsas, despeja detritos da construção civil nas represas, nos córregos, nos jardins, nas praças e nas ruas. <br />
Não é uma questão apenas de polícia. É uma questão de educação no sentido estrito. Não necessariamente educação ambiental. É urgente se crie uma consciência de que as cidades precisam adotar soluções de acordo com a natureza e não continuar a ser concentrações inóspitas e insalubres de grandes caixotes de concreto. Não são apenas os edifícios. Também as residências, perderam os jardins, erguem muros elevados, tornam-se verdadeiros bunkers, onde a natureza não tem acesso. <br />
O remédio é multiplicar as áreas verdes em todas as cidades brasileiras. A ciência o recomenda. Ranny Michalski, professora da FAU-USP, especialista em conforto ambiental e acústica urbana, realça a importância das áreas preservadas para a vida humana, sobretudo ante o quadro de cataclismo climático ora enfrentado pela humanidade. <br />
Para ela, deve-se criar espaços verdes em toda a cidade, como praças, parques, corredores ecológicos, que permitam a circulação de aves, insetos e mamíferos. O Brasil desprezou os córregos, os cursos d'água, criando uma civilização que se notabilizou por construir moradias de costas para a água, cujo limite é o muro por cima do qual se lança lixo na benção da natureza chamada rio. <br />
Brincamos de Deus e "corrigimos" o curso natural dos rios, potencializando as enchentes, porque eles querem retomar suas margens. Não investimos em telhados verdes, nem multiplicamos as "vagas verdes", para tomar do automóvel - esse veículo egoísta - um pequeno espaço para plantio de espécies vegetais. <br />
O ideal seria a adoção do conceito de "cidade esponja", tão bem desenvolvido pelo arquiteto chinês Yu, recentemente falecido, quando propagava sua estratégia de fazer cidades mais conformes com a natureza, algo que precisaria envolver toda a poderosa indústria da construção civil nacional. Vamos fazendo o que é possível, enquanto a consciência pátria ainda parece adormecida para as urgências criadas por nós mesmos, ao desrespeitarmos o ambiente e a nos servirmos dos recursos naturais de maneira cruel e desmedida. <br />
<br />
</p>
]]></content>
                                    <category term="José Renato Nalini" />
                        <published>2025-10-30T11:00:00+00:00</published>
            <updated>2026-09-29T13:09:04+00:00</updated>
        </entry>
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            <title><![CDATA[Os lucros de plantar]]></title>
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            <author>
                <name><![CDATA[Gabriely Machado]]></name>
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                <![CDATA[Todos já sabemos que as cidades precisam de mais verde, de mais natureza, de devolução ao ambiente de tudo aquilo que subtraímos dele. O plantio é a melhor, pois a mais eficiente e econômica fórmula d...]]>
            </summary>
            
                        <content type="html"><![CDATA[<p><br />
Todos já sabemos que as cidades precisam de mais verde, de mais natureza, de devolução ao ambiente de tudo aquilo que subtraímos dele. O plantio é a melhor, pois a mais eficiente e econômica fórmula de tornar as zonas urbanas mais saudáveis e compatíveis com as necessidades existenciais. <br />
É verdade que muitas municipalidades já se preocupam com devolver árvores aos espaços tomados pelo concreto, pelo aço, pelo ferro, pelo cimento e pelo vidro. Todos insumos cuja fabricação é emissora de gases poluentes causadores do efeito-estufa.<br />
Mas é preciso também plantar árvores frutíferas. Elas servem a inúmeras finalidades. Vão acudir as aves que não encontram mais verde nas áreas desmatadas e elas são essenciais para a polinização, para a disseminação de sementes, para manter o equilíbrio ecológico. <br />
Além disso, o cultivo de espécies frutíferas se torna fator de fortalecimento na cadeia de recursos alimentares, além de ser aliado estratégico e ajudar na adaptação das cidades aos fenômenos extremos. <br />
O respeitado centro de pesquisa e produção de cultura que é a ESALQ - Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, divulga uma proposta de repensar a relação das pessoas com o ambiente urbano, exatamente por meio desse cultivo. Isso se chama forrageamento. Essa prática pode ser uma das chaves para enfrentar os desafios das mudanças climáticas e ampliar o acesso à alimentação.<br />
Quem estudou isso foi o engenheiro florestal Eduardo Ribas, sob orientação do professor Demóstenes Ferreira Silva Filho, do Departamento de Ciências Florestais. "O forrageamento urbano é uma prática emergente no mundo e pode se tornar um aliado estratégico para cidades mais sustentáveis e resilientes", destaca Ribas. "Nosso estudo mostra que as árvores podem oferecer muito mais do que sombra e beleza: elas também podem ajudar a colocar comida no prato das pessoas."<br />
A carência de árvores é comum em todas as cidades brasileiras. A população precisa se conscientizar disso e participar dos plantios voluntários, exigir do Poder Público mais atenção quanto à cobertura vegetal, promover educação ecológica em todos os níveis, até na informalidade. Pois o produto final é benéfico para a natureza e para todos os viventes. Principalmente os humanos. <br />
<br />
</p>
]]></content>
                                    <category term="José Renato Nalini" />
                        <published>2025-10-23T11:00:00+00:00</published>
            <updated>2026-09-29T13:09:04+00:00</updated>
        </entry>
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            <title><![CDATA[O plantador de árvores]]></title>
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            <author>
                <name><![CDATA[Gabriely Machado]]></name>
            </author>
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                <![CDATA[Ele existe. Não é lenda. Chama-se Hélio da Silva e, sozinho, conseguiu fazer o primeiro grande corredor ecológico da capital paulista, por muitos chamada de "selva de pedra". Seu amor pela natureza o...]]>
            </summary>
            
                        <content type="html"><![CDATA[<p><br />
Ele existe. Não é lenda. Chama-se Hélio da Silva e, sozinho, conseguiu fazer o primeiro grande corredor ecológico da capital paulista, por muitos chamada de "selva de pedra".<br />
Seu amor pela natureza o moveu e continua a mover. Hoje são quarenta e três mil árvores plantadas ao longo de um córrego que estava praticamente morto. <br />
O projeto Tiquatira já mereceu reportagens nacionais e internacionais. E o "Seu" Hélio continua na labuta. Quer chegar às cinquenta mil árvores. E chegará.<br />
O local merece uma visita. Ele enfrentou dificuldades e incompreensões. Muitas vezes, as árvores plantadas eram arrancadas. <br />
Por maldade e ignorância. <br />
Caminham sempre juntas. Mas ele não desistia. Plantava de novo.<br />
Hoje, o trecho atrai visitas e é o preferido para as caminhadas dos moradores da região Leste. <br />
O exemplo de Hélio da Silva é a demonstração mais evidente de que uma só pessoa, se quiser, tiver idealismo, entusiasmo e vontade, pode mudar o mundo para melhor.<br />
Quando sabemos que o Brasil se destacou nas últimas décadas por ser uma pátria de "fabricantes de desertos", é confortador encontrar exemplos como o do "Seu" Hélio. <br />
Vale a pena incentivar outras pessoas a que façam o mesmo. <br />
Quem quiser saber mais sobre o bosque Tiquatira, pode consultar o blog oplantadordearvores.bogspot.com.br ou se contactar com Hélio da Silva pelo e-mail plantadordearvores@gmail.com<br />
Depois disso, mãos à obra. Todos os municípios do Brasil precisam de árvores. Quem quer replicar esse paradigma tão edificante em sua cidade?<br />
A natureza agradecerá e, mais do que isso, garantir-se-á melhores tempos para as novas e futuras gerações, gravemente ameaçadas de uma vida inóspita se o desmatamento continuar e, com ele, o aquecimento global, o causador das emergências que agora já estão sendo chamadas "cataclismo climático". Enquanto há esperança, vamos agir!<br />
<br />
</p>
]]></content>
                                    <category term="José Renato Nalini" />
                        <published>2025-10-16T11:00:00+00:00</published>
            <updated>2026-09-29T13:09:04+00:00</updated>
        </entry>
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            <title><![CDATA[Não adianta falar]]></title>
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                <name><![CDATA[Gabriely Machado]]></name>
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                <![CDATA[O desmatamento e inadequada utilização do solo constituem os dois vilões para o clima brasileiro. Isso é sabido desde a década de setenta. Mas a cada ano, parece que a situação piora. A cada ano, regi...]]>
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                        <content type="html"><![CDATA[<p><br />
O desmatamento e inadequada utilização do solo constituem os dois vilões para o clima brasileiro. Isso é sabido desde a década de setenta. Mas a cada ano, parece que a situação piora. A cada ano, registra-se devastação recorde. Cerrado e Amazônia somaram mais de 90% da área desmatada no país em 2024. Segundo dados do MapBiomas, quase toda a perda de vegetação nativa - 97% - decorreu de pressão da agropecuária, desde 2019. <br />
A poucos meses da tão comentada COP30, o desmate cresceu na Amazônia. É de chorar acompanhar o ritmo da depauperação de nossa biodiversidade e a nossa eficiência em fabricar desertos. <br />
O mais incrível é que ainda haja negacionismo, pessoas que recorrem ao fanatismo para nada mais enxergarem senão questões toscas e surreais em torno a nomes de seres humanos que só deslustram a espécie. <br />
Todos sabem o que fazer. A ciência tem alertado desde a década de 1970, que é preciso dizer "basta", mas é risível - embora seja algo trágico - afirmar que a partir de 2030 valerá o "desmatamento zero". Isso era para ontem, para dez anos ou vinte anos atrás, não para 2030.<br />
O pior é que financiamentos para obras de devastação continuam a ser concedidos por entidades financeiras oficiais. Não se coloca na prisão o desmatador. A restrição de crédito, a cobrança efetiva das multas, a atualização das sanções pecuniárias que são meramente simbólicas, tudo isso merece reexame. <br />
Ninguém acreditaria, num país civilizado, que em ano de sediar a COP, o Parlamento tenha tido a coragem de editar a "lei da devastação", da destruição, do desfalque da natureza. Uma vergonha que não chegou a ser corrigida de todo, pois os 63 vetos permitiram a sobrevivência do absurdo. E com o Congresso atual, quem garante que até esses tímidos freios não tenham curta duração, com a derrubada do veto?<br />
Resta confiar no STF, que precisa se recobrar da falha e do retrocesso ao considerar compatível com o artigo 225, a lei que, embora chamada "Código Florestal", não fala uma fez em floresta!<br />
 </p>
]]></content>
                                    <category term="José Renato Nalini" />
                        <published>2025-10-09T11:00:00+00:00</published>
            <updated>2026-09-29T13:09:06+00:00</updated>
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            <title><![CDATA[Veganismo & vegetarianismo]]></title>
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                <name><![CDATA[Gabriely Machado]]></name>
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                <![CDATA[Aqueles brasileiros que se comovem com a circunstância pouco explorada de que o Brasil tem mais gado do que gente, às vezes adotam práticas imunes ao consumo animal. Duas delas são as mais disseminada...]]>
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                        <content type="html"><![CDATA[<p><br />
Aqueles brasileiros que se comovem com a circunstância pouco explorada de que o Brasil tem mais gado do que gente, às vezes adotam práticas imunes ao consumo animal. Duas delas são as mais disseminadas: o veganismo, uma filosofia e estilo de vida que exclui exploração e sofrimento animal no consumo cotidiano. E o vegetarianismo, que implica na eliminação de alimentos de origem animal no cardápio. <br />
Existe uma Associação Brasileira de Veganismo, a congregar aqueles mais conscientes, que não admite pratos, vestimentas, cosméticos e diversões com base animal e normalmente a juventude, mais sensível à dramática situação do planeta, é a que assimila essa prática. <br />
A boa notícia é que, além do comércio vegano, hoje existe promissor horizonte para quem quiser fazer turismo vegano ou vegetariano. A Sociedade Vegetariana Brasileira realizou uma pesquisa na qual se apurou existirem mais de catorze milhões de brasileiros convertidos a essa opção.<br />
A USP divulgou artigo publicado na Revista "Hospitalidade", assinado por Romário Loffredo, doutorando em Turismo e por Bruna Conti, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que dentre as várias dimensões ponderadas por turistas veganos, a mais comum é a gastronômica. É uma questão que envolve condições psicológicas de bem-estar daqueles que se condoem quando se alimentam com produtos causadores de maus-tratos animais, ou obtidos mediante sacrifício da vida de seres de uma categoria a que também pertencemos. Afinal, somos também animais, só que nos consideramos racionais. Algo que é pelo menos controverso, diante de tantas atitudes inteiramente insensatas e irracionais praticadas pelo bicho-homem.<br />
Hoje existe um turismo vegano e vegetariano bem acessível e frequentado por muita gente que, depois do movimento "Segunda sem Carne", aderiu a formas mais consistentes de poupar os "irmãos" irracionais. Além de menus regionais, food trucks temáticos e feiras locais, existe um aspecto não negligenciável de implemento de condutas sustentáveis e éticas. O setor prima pela redução do desperdício, consumo consciente e rastreabilidade dos insumos. <br />
Para quem pretende empreender, esse é um nicho promissor. Quem se emociona com a dor animal é propenso a ser pacífico, polido e cordial. São virtudes que precisam ser intensificadas numa nação polarizada e que tem convivido com pregação de ódio e disseminação de ira e discórdia. <br />
<br />
</p>
]]></content>
                                    <category term="José Renato Nalini" />
                        <published>2025-10-02T11:00:00+00:00</published>
            <updated>2026-09-29T13:09:04+00:00</updated>
        </entry>
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            <title><![CDATA[Ambiente é saúde]]></title>
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                <name><![CDATA[Gabriely Machado]]></name>
            </author>
            <summary type="html">
                <![CDATA[A crescente preocupação com o clima não é expressão de apego à ecologia, senão consciência de que ele afeta a saúde humana. É legítimo o amor à natureza, o respeito às árvores, o culto à água. Porém,...]]>
            </summary>
            
                        <content type="html"><![CDATA[<p><br />
A crescente preocupação com o clima não é expressão de apego à ecologia, senão consciência de que ele afeta a saúde humana. É legítimo o amor à natureza, o respeito às árvores, o culto à água. Porém, o que motiva a ciência a procurar estratégias de adaptação das cidades para o enfrentamento dos fenômenos extremos é a vida dos seres racionais.<br />
São Paulo está muito bem servida de cientistas que se devotam a essa causa. Hoje, o alvo de nossa reflexão é o respeitado médico Professor Paulo Saldiva. Estudioso das vicissitudes que acometem o ser humano, especializou-se no trato das enfermidades climáticas.<br />
Ele comprovou que as ondas de calor em São Paulo causam mais mortes do que as ondas de frio. Tem plena consciência de que as mudanças climáticas resultam do consumo humano. E como a vítima preferencial dos eventos resultantes das emergências climáticas é o vulnerável, o mais carente, o despossuído, propõe que colocar a saúde humana no centro das discussões ambientais pode trazer a conscientização que o discurso cientista não conseguiu. É urgente que a humanidade altere, profundamente, o seu comportamento.<br />
Ele indaga, de forma a nos fazer pensar: "Vamos conseguir adaptar a biologia do nosso corpo e a estrutura urbana na mesma velocidade que as mudanças ambientais estão ocorrendo?". O enfrentamento dos graves e seríssimos desafios contemporâneos não depende apenas da ciência ou da tecnologia. Estas já foram explicitadas durante décadas. Agora, quem está com a palavra é a natureza. <br />
Os cientistas recorrem à incorporação, aos alertas que já emitiram, de valores das ciências humanas. Faltam solidariedade, compaixão e dignidade. Quem está correndo perigo não é o planeta. É a humanidade e para salvá-la, são necessárias políticas públicas mais humanas e colaborativas. O momento é crítico e há quem sustente que já ultrapassamos o ponto de inflexão, após o qual a aventura dos racionais sobre a Terra já não será possível.<br />
Paulo Saldiva conclama os seres de boa vontade a se arregimentarem: "Se a gente olhar, vamos ver que o estoque dos produtos 'solidariedade e compaixão', esse espírito colaborativo está rareando no almoxarifado das políticas globais. É o momento de a gente passar de uma situação de paciente, aquilo com que ele atua na medicina, para a criação de novos vínculos e dar condições para que políticas virtuosas prosperem no único planeta de que dispomos e confiram qualidade acrescida em nossas existências".<br />
<br />
</p>
]]></content>
                                    <category term="José Renato Nalini" />
                        <published>2025-09-25T11:00:00+00:00</published>
            <updated>2026-09-29T13:09:04+00:00</updated>
        </entry>
            <entry>
            <title><![CDATA[E a IA em SP?]]></title>
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            <id>https://www.diariodesuzano.com.br/01a0ed40-9359-71ac-b04b-c2ab63b698be</id>
            <author>
                <name><![CDATA[Gabriely Machado]]></name>
            </author>
            <summary type="html">
                <![CDATA[São Paulo é líder brasileiro em quase todos os setores. Mas será que estamos bem quanto ao uso da IA-Inteligência Artificial na produtividade, aqui incluída a educação em todos os níveis? Fico preocup...]]>
            </summary>
            
                        <content type="html"><![CDATA[<p><br />
São Paulo é líder brasileiro em quase todos os setores. Mas será que estamos bem quanto ao uso da IA-Inteligência Artificial na produtividade, aqui incluída a educação em todos os níveis?<br />
Fico preocupado quando vejo Ronaldo Lemos, diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro elogiar Goiás que, segundo ele, foi o primeiro a aprovar lei de IA no Brasil. <br />
E o fez de maneira ambiciosa, mais correta do que a tentativa do Congresso Nacional, onde se discute mais a criação de modalidades de controle do orçamento, para atender às pretensões eleiçoeiras de seus integrantes, do que os temas de interesse nacional.<br />
Goiás adotou o modelo de IA de código aberto, o "open source", igual ao que os chineses ofereceram ao planeta com o seu DeepSeek e que balançou as bigtechs americanas. Também estabelece incentivos para atração de datacenters para o Estado, que tem diferencial competitivo excelente: a energia renovável. Indica o uso de biometano, que pode ser produzido com resíduos do agro, como a vinhaça de cana. Em São Paulo, o biometano já abastece os caminhões da coleta de lixo.<br />
Também aborda o ensino da IA nas escolas, em todos os níveis, assim como a parceria com o Sistema S, o que garantirá o uso intensivo da IA em todos os setores da indústria, do comércio e dos serviços. <br />
Já indica o regime de regulação "a posteriori" e não "a priori", como quer o rançoso projeto em curso no Parlamento Federal. Prevê o uso de IA na saúde, na melhoria dos serviços públicos, estimulando o seu fácil acesso por parte de toda a população.<br />
Isso não nasceu na cabeça de lideranças políticas de Goiás, mas foi fruto de consulta pública iniciada em maio de 2024, pela Abranet e pelo ITS do Rio. Houve muita contribuição online, escutas setoriais e hackathons físicos realizados pela Campus Party. Ronaldo Lemos culmina por dizer que Goiânia já era a capital da IA no Brasil, pois o seu Centro de Excelência em Inteligência Artificial da UFG é o maior do nosso país. Recomenda a visita ao site: ceia.ufg.br<br />
Como andam as nossas Universidades? Deixamos de lado o lema bandeirante: "Non ducor, duco"? Com a palavra, os especialistas. <br />
<br />
</p>
]]></content>
                                    <category term="José Renato Nalini" />
                        <published>2025-09-18T11:00:00+00:00</published>
            <updated>2026-09-29T13:09:04+00:00</updated>
        </entry>
            <entry>
            <title><![CDATA[A trama das árvores]]></title>
            <link rel="alternate" href="https://www.diariodesuzano.com.br/coluna/jose-renato-nalini/2025/09/11/a-trama-das-arvores.html" />
            <id>https://www.diariodesuzano.com.br/01a0ed40-92c4-73bd-97d3-332afff4125b</id>
            <author>
                <name><![CDATA[Gabriely Machado]]></name>
            </author>
            <summary type="html">
                <![CDATA[O Brasil ainda tem árvores milenares. São poucas, mas existem. Resistiram à sanha dendroclasta dos fabricantes de desertos. Somente a ignorância disseminada na República onde setenta por cento de seus...]]>
            </summary>
            
                        <content type="html"><![CDATA[<p><br />
O Brasil ainda tem árvores milenares. São poucas, mas existem. Resistiram à sanha dendroclasta dos fabricantes de desertos. Somente a ignorância disseminada na República onde setenta por cento de seus habitantes são analfabetos funcionais é que justifica o desmatamento. <br />
Os negacionistas do ogronegócio, não do agronegócio saudável, que tem noção da necessidade de cobertura vegetal nativa para o bom desenvolvimento do cultivo, deveriam ler o livro "A Trama das Árvores", escrita pelo escritor Richard Powers. Ele abandonou o seu emprego na Universidade Stanford para ir morar no parque Gret Smoky Mountains, no leste dos Estados Unidos e se pôs a estudar as matas de seu país. <br />
Ali também, quase cem por cento - mais exatamente, noventa e nove por cento - da floresta primária original foi cortada. Existem minúsculos nichos que podem mostrar como a mata já foi. E ali se respira outro ar, sentem-se outros aromas, os sons indicam a vida silvestre. Um outro ambiente, completamente diferente da nociva convivência nas cidades impregnadas de gás carbônico e outros venenos que vão causar o efeito estufa e provocar cataclismo ambiental.<br />
O livro que Powers escreveu é um romance com oito histórias paralelas ao longo de décadas e de séculos. Foi publicado em 2018 nos Estados Unidos e mereceu o Prêmio Pulitzer de ficção, além de ter vendido mais de dois milhões de exemplares pelo mundo. E a originalidade está em que as plantas são as personagens. O livro reproduza história da interdependência e da rede de reciprocidade que existe no mundo. <br />
Para ele, "não podemos entender a nós mesmos se não for em alinhamento com nossos vizinhos não humanos. Não somos uma história separada e não podemos nos narrar assim". <br />
Os ignorantes não respeitam as árvores. E elas estão aqui há quatrocentos milhões de anos, enquanto os humanos modernos estão aqui há, no máximo, duzentos mil anos. A Terra é uma história de árvores há duas mil vezes mais tempo do que ela é uma história do bicho-homem. <br />
Árvore não é coisa. Árvore é vida. Quem mata uma árvore está acabando com a vida e, ainda que não saiba, apressa a sua própria partida deste planeta que nos hospeda, a nós, inquilinos infiéis e traiçoeiros. <br />
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]]></content>
                                    <category term="José Renato Nalini" />
                        <published>2025-09-11T11:00:00+00:00</published>
            <updated>2026-09-29T13:09:03+00:00</updated>
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            <title><![CDATA[Conflitos culturais]]></title>
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                <name><![CDATA[Gabriely Machado]]></name>
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                <![CDATA[A preocupação com a drástica mudança dos valores e dos costumes não aflige apenas os pais convencionais. Não é só a burguesia que está angustiada com o procedimento de suas crias. Os indígenas também...]]>
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                        <content type="html"><![CDATA[<p><br />
A preocupação com a drástica mudança dos valores e dos costumes não aflige apenas os pais convencionais. Não é só a burguesia que está angustiada com o procedimento de suas crias. Os indígenas também demonstram perplexidade com aquilo que acontece com sua juventude.<br />
O líder Raoni, que já foi cotado para o Nobel da Paz e que esteve com quase todos os presidentes do Brasil, à exceção do anterior ao atual, é considerado a maior liderança indígena do país. <br />
Ele trata de sua sucessão e enfatiza sua apreensão: "Nos meus sonhos eu vejo os jovens e fico preocupado com eles. Por que? Porque assim que eu os deixar, no dia em que eu partir, eles não estarão bem. Eles estão mais aprendendo ritmos da cultura dos brancos e esquecendo a nossa!".<br />
Os indígenas, tão mal compreendidos pelos que chegaram ao território que eles ocuparam durante milhares de anos e o conservaram, alvo de tantos preconceitos, foram guardiões do tesouro que os "civilizados" destruíram e continuam a destruir, malgrado as consequências nefastas que disso resultam.<br />
"Eu falo para eles não serem assim, para defenderem as terras, os rios, o povo. Isso é que eu falo para eles". Raoni lança sua autobiografia, chamada "Memórias do Cacique". Além do relato de sua vida e trajetória, a obra é repleta de mensagens dirigidas às novas gerações, em tom que mistura crítica e frustração. <br />
Não se sabe ao certo qual sua idade. Calcula-se tenha 88 anos. Mas é movido a idealismo e amor pela Terra. Estava entre os líderes convidados pelo saudoso Papa Francisco para o Encontro das Academias Pontifícias em maio de 2024, fazendo o que tem feito ao longo de muitas décadas: transmitir o conhecimento para as novas gerações, às quais recomenda prezarem pela paz, protegerem a floresta e cuidarem do seu povo.<br />
Resta a nós, não indígenas, a reflexão que se impõe: quem chegou depois a este continente chamado Brasil fomos os exploradores de territórios considerados bárbaros. Será que o direito natural não se inclinaria a reconhecer a legitimidade da posse da terra que sempre ocuparam, em detrimento da cultura jurídica de predominância do direito dos brancos? Vale a pena pensar sobre isso e verificar se não há mais preconceito do que direito na discussão sobre o marco legal. <br />
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]]></content>
                                    <category term="José Renato Nalini" />
                        <published>2025-09-04T11:00:00+00:00</published>
            <updated>2026-09-29T13:09:06+00:00</updated>
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            <title><![CDATA[Deixe um bosque de legado]]></title>
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                <name><![CDATA[Gabriely Machado]]></name>
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                <![CDATA[Pessoas há que acumulam bens durante toda a vida e, quando morrem, deixam problemas para os descendentes. As famílias nem sempre são aquele ninho de amor e de harmonia com que o conceito é dulcificado...]]>
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                        <content type="html"><![CDATA[<p><br />
Pessoas há que acumulam bens durante toda a vida e, quando morrem, deixam problemas para os descendentes. As famílias nem sempre são aquele ninho de amor e de harmonia com que o conceito é dulcificado em teoria e delineado na poesia. Elas vão se transformando com a chegada de elementos provindos de outras culturas e histórias. O direito sucessório tem milhões de casos emblemáticos em que herdeiros se digladiam, perdem amizade, compostura e até a própria saúde e aquela fortuna vai ser dilapidada. Quem mais leva proveito com a encrenca é o advogado...<br />
Por isso, a melhor coisa que alguém pode fazer em vida é contribuir para que a vida possa prosseguir neste planeta que é o único disponível, o único a aceitar como inquilino esta racinha irracional e egoísta que é a humana. <br />
Veja-se a beleza da vida de Sebastião Salgado, recentemente falecido. Ele restaurou uma região completamente estéril, que fora alvo de extermínio de parte dos seres egoístas que se especializaram em fabricar desertos. Em São Paulo, a "selva de pedra", cidade que se impermeabilizou e que serve mais ao automóvel do que às pessoas, o advogado Jayme Vita Roso formou uma beleza de área florestal no extremo sul da pauliceia, exatamente a região que hoje é alvo da devastação orquestrada e que põe em risco o abastecimento de água para os quase treze milhões de paulistanos. <br />
Outro exemplo edificante, recentemente noticiado, é o de Maria Cristina Garcez, que depois de elaborar projetos sustentáveis na França e na China, quis fazer algo benéfico para a sua pátria, o Brasil. Descobriu uma área degradada em Bananal e resolveu reflorestá-la com espécies nativas da Mata Atlântica. Seu objetivo é atrair o lobo-guará, o único lobo brasileiro ameaçado de extinção. Embora seja lobo e a nossa consciência está repleta das estórias de "lobo mau", esse exemplar da fauna tupiniquim só se alimenta de uma fruta, produzida pela lobeira (Solanum lycocarpum é o nome científico).<br />
Nos tempos em que o Brasil era a promissora potência verde, a esperança de preservação do maior patrimônio pátrio, a exuberante biodiversidade aqui generosamente ofertada pela Providência, a ciência jurídica ofertou inúmeros instrumentos de preservação. Um deles é a RPPN - Reserva Particular do Patrimônio Natural, unidade de conservação de domínio privado, iniciativa do proprietário interessado em preservar o ambiente, a biodiversidade que tem flora e fauna incríveis.<br />
É importante que os proprietários de imóveis tenham em vista a verdade inafastável: ninguém leva consigo, quando deixar esta peregrinação, aquilo que amealhou. O solo pátrio está sendo a cada dia mais degradado. Para o Brasil, a principal causa do aquecimento global é, exatamente, o desmatamento. A voracidade do ogronegócio, aquele que se distingue do agronegócio, faz derrubar sem piedade florestas que a natureza levou milhares de anos para formar. Faz ali um plantio e exaure a terra, depois destinada a ser pasto. E o próximo passo é o deserto. <br />
Quem tiver juízo ainda pode fazer com que, em vez de deixar herança para acabar com a família, deixe um legado. Sob a forma de uma floresta, que vai garantir redução da temperatura - temos tido os anos mais quentes da História e tudo indica que 2025 não será diferente - abrigo para a fauna, garantia da biodiversidade e de chuva. A escassez hídrica está no horizonte próximo de toda a humanidade.<br />
Jundiaí possui a Serra do Japi, que está sendo continuamente ameaçada pela especulação imobiliária. Seja um herói e ajude a reflorestar o último remanescente de mata nativa nas proximidades da maior cidade da América Latina. Deixe um bosque de legado, não encrenca para os filhos.<br />
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                        <published>2025-08-21T11:00:00+00:00</published>
            <updated>2026-09-29T13:09:04+00:00</updated>
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