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Jornal Diário de Suzano - 07/07/2020
Cemeap
COLUNA

Lorena Burger

Advogada

Frio que atormenta

29 JUN 2020 - 23h59
Gosto de temperaturas amenas, que atualmente acontece com mais frequência no inverno, onde a Terra fica um pouco mais distante do Sol e aí não sofremos com o calor escaldante, que faz o ânimo diminuir e a disposição desaparecer, não significa que trabalhemos menos ou desenvolvemos com qualidade inferior nossas obrigações.
Mas o meio do ano chegou e com ele as temperaturas mais baixas, o céu ganha um azul diferente, mais profundo, percebemos que as nuvens ficam esgarçadas lá nas alturas por conta dos ventos que aqui embaixo muitas vezes nem sentimos.
Em nossas casas procuramos nos aconchegar mais, nossa alimentação é mais quente e nutritiva, nossas vestimentas ganham peso e assistimos televisão envolvidos em cobertores sorvendo um café ou chocolate quente.
Quando precisamos sair tratamos de nos proteger, afinal esta época é propícia para que alguns vírus oportunistas nos ataquem e, mesmo vacinados, sabemos que a gripe pode nos pegar e, agora temos mais cuidados ainda por conta do Corona Vírus que se espalha por aí...
Entretanto, basta prestar atenção nas ruas e vemos que muitas pessoas, mesmo aquelas que possuem um lar, não tem condições de se proteger das temperaturas mais baixas, o que ganham muitas vezes mal dá para manter a alimentação básica da família e para saldar as dívidas das contas de água e energia e, agora em tempo de empregos reduzidos e salários escassos para muitos a situação ficou muito mais difícil.
Às vezes estão agasalhados, mas, os tecidos são tão finos que sequer os protegem de temperaturas amenas, mesmo assim encaram com coragem a condução á caminho do trabalho, muitas vezes aproveitando a proximidade das outras pessoas para absorver um pouco de calor.
Em seus lares os cobertores devem ser divididos com todos ou devem se unir num mesmo leito para se manterem aquecidos, é uma vida difícil...
Pelo menos esses possuem um teto para os cobrir, uma cama para os receber para o repouso do corpo.
Esticamos mais o nosso olhar e vemos aquelas pessoas que são quase invisíveis, que se mantem com as mesmas roupas durante muito tempo, seus corpos sujos e com cheiro desagradável, faz com que nos afastemos deles, então ficam pelos cantos, dormindo sob as marquises, sob as partes cobertas dos imóveis, carregando para todo lado seus cobertores surrados e encardidos...
Vivem da boa vontade de alguns que lhes dão um prato de comida e alguns trocados, remexem as lixeiras em busca de restos de lanches, buscam pelo chão restos de cigarros e muitas vezes levam consigo seus cães, estes apesar da vida miserável de seus donos, estão alimentados e muitas vezes até melhor agasalhados, recebem afagos das mãos calejadas e os acompanham para todos os lados, servindo muitas vezes de cobertor nas noites frias.
Quando o frio se torna insuportável, como nestes últimos dias, gastam os trocados que ganham comprando aguardente, que consomem como se fosse água, assim de certa forma aquecem o corpo, uma espécie de cobertor líquido, que também desgasta a saúde e adormece os sentidos ajudando-os a dormir pelos cantos, sem reclamar.
Podemos ajudar dispondo do que temos em excesso nas campanhas que agora acontecem.
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