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Jornal Diário de Suzano - 09/05/2021
COLUNA

Lorena Burger

Advogada

Lorena Burger de Freitas Alves dos Santos é advogada

Outono das frutas

20 ABR 2021 - 05h00
No curso primário aprendíamos sobre estações do ano, cada uma com suas peculiaridades.
O ano se iniciava dentro da estação mais quente, aquela que havia nos alcançado no final do ano, quando víamos as imagens de papai Noel atravessando a neve no trenó puxado por renas, para entregar os presentes de Natal...
Era difícil para uma criança entender que essa esfera que é nosso planeta tenha estações tão diferentes em seus hemisférios.
Aproveitávamos por aqui o calor das festas natalinas e, iniciávamos o ano curtindo férias aquecidas por um Sol brilhante mesclado com dias de chuva, que às vezes nos mantinha quietos dentro de casa.
As aulas voltavam ainda no calor do Verão e íamos nos acostumando com as temperaturas que ficavam mais amenas e nos quintais de nossas casas as árvores frutíferas nos aguardavam no retorno das aulas carregadas de deliciosas frutas que comíamos ali mesmo, para limpar bastava esfrega-las em nossas roupas e já estávamos mordendo com vontade goiabas brancas e vermelhas, pitangas, mangas, caquis, morangos do mato e as mexericas que deixavam um cheiro forte nas mãos e na roupa e outras tantas frutinhas que encontrávamos naquele espaçoso quintal que hoje é quase desconhecido nas casas modernas.
Dentro de casa as laranjas colhidas logo cedo por nossa mãe, que fazia suco para acompanhar nosso almoço, também nos apeteciam. Tínhamos disposição e apetite para saborear tudo aquilo e ainda aceitar de bom grado no fim do dia a janta saborosa, que usufruíamos em família, após uma oração silenciosa.
Tudo isso nos mantinha saudáveis e dispostos para enfrentar as aulas no período matutino e as brincadeiras que só findavam ao anoitecer.
Não nos preocupávamos com as conversas e problemas dos adultos, televisão não era objeto de consumo nas residências e nos dias chuvosos os livros eram nossa companhia.
Assim o tempo passava e só percebíamos as mudanças de estação por conta de nossas vestimentas que iam sendo acrescidas de roupas mais quentes para nossas idas à escola e na hora de dormir, pois, as cobertas ali estavam para nos aquecer.
Quando o inverno chegava trazia com ele algumas delícias especiais, era tempo de fogueiras e ao seu redor muitas conversas e brincadeiras e para acompanhar tinha pipoca, doces diversos feitos em casa, batata doce, pinhão e na escola era tempo de ensaiar a quadrilha e esperar pelas férias que estavam logo ali...
A infância de outros tempos tinha um sabor diferente, curtíamos tudo com mais tranquilidade, apreciando o que cada estação nos ofertava, sempre na companhia de irmãos e de amiguinhos, filhos de nossos vizinhos... 
Agora contabilizamos o tempo e outras maneiras, pelos compromissos assumidos, pelos pagamentos a serem feitos, por nossas responsabilidades com o trabalho e a vida e, só damos atenção às estações do ano pelo excesso de calor e de frio, pelas chuvas e pela falta delas...
Os dias amenos do outono mal são percebidos tão envolvidos estamos em nossos afazeres.
Somente agora, em meio à pandemia, damos conta que as árvores estão quase nuas, suas folhas espalhadas pelo chão nos fazem lembrar que caminhamos em pleno outono, hoje sem frutas nas árvores do quintal, porque como nós eles foram encolhidos e hoje as frutas são encontradas nas bancas das feiras e dos supermercados, mas só podemos saboreá-las após bem lavadas, sem o descuido de nossa infância...
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