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Jornal Diário de Suzano - 11/04/2021
COLUNA

Malu Fernandes

é vereadora e presidente da Comissão Permanente de Educação da Câmara de Mogi das Cruzes

1 ano de escolas fechadas

07 ABR 2021 - 05h00
Arthur tem 15 anos e é aluno do 1º ano do ensino médio, no município de Alencar, oeste do Pará. Todos os dias, para ter acesso aos conteúdos das aulas, ele precisa subir em uma árvore, único local na comunidade onde vive, que possui uma boa recepção de sinal de internet. É assim, que desde novembro de 2020, o jovem realiza suas atividades, baixa os conteúdos e conversa com os professores.
Essa história pode parecer fictícia, mas não é. Arthur ganhou a mídia com sua história, mas ele é apenas um entre os 6 milhões de estudantes, desde a pré-escola até a pós-graduação, que não têm acesso à internet banda larga ou 3G/4G em casa e que, consequentemente, não conseguem participar do ensino remoto. Desses, 5,8 milhões são alunos de instituições públicas de ensino, segundo o estudo "Acesso Domiciliar à Internet e Ensino Remoto Durante a Pandemia", feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), no segundo semestre de 2020.
Com o início da pandemia, em março de 2020, cerca de 44 milhões de estudantes foram afastados das salas de aula, segundo a Unicef. 
Já de acordo com o Inep, a evasão escolar subiu 20% por conta do isolamento social.
Em Mogi das Cruzes, essa realidade não é diferente. 
Segundo dados da Secretaria Municipal de Educação, com vista à 2020, 20% dos alunos do município não possuem conectividade e cerca de 200 alunos evadiram do ensino, não sendo localizados durante as aulas remotas.
Há 1 ano as escolas estão fechadas e mantê-las nessa situação por ainda mais tempo tende a piorar esses números, agravando cada vez mais as desigualdades no país, impactando principalmente os estudantes em situação de vulnerabilidade, que não possuem insumos para educação remota.
Além disso, existe ainda a questão da saúde mental, que comprovadamente, vem se agravando nas crianças e adolescentes pelo baixo convívio social, além da desnutrição e o aumento no índice de violência e negligência infantil.
Sabemos que estamos em um momento extremamente delicado para todo o país. 
A nova onda do coronavírus vem assolando nosso Brasil, deixando leitos de UTI e enfermaria lotados e mais de 3 mil vidas para trás, por dia, muitas delas, jovens e, por isso, é completamente inviável reabrir as escolas.
No entanto, essa não é uma pauta que pode ser deixada para trás, ela precisa ser discutida incansavelmente, para que soluções para um retorno seguro sejam encontradas. Para que quando essa curva de contaminação diminuir, as escolas sejam as primeiras a reabrir.
Com o anúncio da vacinação para professores, uma nova onda de esperança nos atinge, mas, enquanto isso, é preciso que o sistema educacional seja resiliente e inovador, se adequando e encontrando soluções que permitam um ensino de qualidade, assegurando o direito e o acesso à educação à todos os alunos, independentemente de seus CEPs.
Por ora, nos resta colaborar, para que essa fase termine e também entender que o momento não pede polarização, politicagem ou achismos, mas sim a integração entre o governo e a população, para combatermos esse mal invisível.
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