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COLUNA

Eduardo Caldas

Foi candidato a prefeito em Suzano em 2004. É professor de Gestão Políticas Públicas na USP

Feira Livre: Oásis Alimentar

09 OUT 2018 - 23h59
A ideia de deserto alimentar é recente. Distante do deserto como espaço de silêncio, de reflexão, de provações e tentações, o deserto alimentar traz em si a ideia do inóspito e da escassez. Os desertos alimentares são áreas geográficas nas quais seus habitantes tem pouca ou nenhuma disponibilidade de opções alimentares saudáveis como frutas, legumes e verduras frescas por causa da ausência de feiras e quitandas nas cercanias.
No Reino Unido, desertos alimentares são definidos a partir da distância geográfica entre as residências e os supermercados, escolhidos porque crê-se que são os únicos estabelecimentos capazes de prover a população de alimentos variados, saudáveis e a preços competitivos. No Reino Unido, portanto, deserto alimentar é qualquer lugar distante entre 500 e 1.000 metros ou entre 10 e 15 minutos a pé de um supermercado.
Os supermercados, no entanto, garantem acesso a muitos alimentos de consumo e estocagem fáceis, muito demandados pela população que no dia-a-dia procura alimentar-se de forma rápida. Os alimentos saudáveis estão menos disponíveis e são mais caros. Nos Estados Unidos, enquanto o preço das frutas, legumes e verduras aumentou cerca de 75% entre 1989 e 2005, o preço das comidas gordurosas diminuiu mais de 26% no mesmo período.
A diversidade de frutas, legumes, frutas, ervas e especiarias não está no supermercado, mas nas feiras, armazéns e quitandas. 
No entanto, em decorrência da dificuldade de estocagem e dos altos custos para a manutenção do pequeno comércio, quitandas e armazéns tornam-se inviáveis. 
Nas quitandas, a escala de venda é pequena, o estabelecimento geralmente é familiar, o transporte é caro. O concorrente é a cadeia de supermercados. As quitandas fecham suas portas.
Com fechamento e "distanciamento" das quitandas, o tempo e o dinheiro gastos pela população com o deslocamento para a compra de frutas, legumes e verduras aumenta. Assim, a opção mais cômoda, talvez a única, seja a compra de alimentos processados, ricos em açúcares, farinha, gordura e sódio.
Os desertos alimentares não estão distribuídos de forma equânime: estão geralmente em áreas de população pobre. Nas áreas mais abastadas, além das quitandas de bairro e mais recentemente as quitandas "gourmet" e mais caras, há também maiores quantidades e diversidade de verduras, frutas e legumes nos supermercados.
Nos desertos alimentares, as opções alimentares disponíveis e o poder aquisitivo são dois fatores que restringem sensivelmente a tipo de alimento das pessoas que decidem comer de forma mais saudável e ecologicamente sustentável.
Assim, diferente do Reino Unido, deserto alimentar é qualquer lugar distante entre 500 e 1.000 metros ou entre 10 e 15 minutos a pé de uma quitanda ou de uma feira livre.
Como oásis e desertos alimentares são termos recentes no Brasil há muito que ser estudado. Por enquanto ficam pistas para pesquisas e um senso intuitivo de que para promover os oásis alimentares há que se valorizar o agricultor familiar, a agricultura urbana e periurbana, as quitandas e fundamentalmente a feira livre, suas cores, diversidade, fartura e os feirantes. A feira livre é um oásis alimentar!
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