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COLUNA

Eduardo Caldas

Foi candidato a prefeito em Suzano em 2004. É professor de Gestão Políticas Públicas na USP

O Profeta Gentileza

31 AGO 2017 - 06h00
O profeta anuncia e muitas vezes desconcerta com seu comportamento que se diferencia do comportamento médio.
Essa semana, ao sair de casa, deparei-me com moradores em situação de rua na Praça dos Expedicionários, depois na Praça João Pessoa. Chegando em São Paulo, na região da Luz também havia uma quantidade imensa de moradores em situação de rua que pareceu uma cena do filme "o grande mentecapto", homônimo do livro de Fernando Sabino em que Viramundo, o personagem principal, em uma de suas andanças, vê-se também como morador em situação de rua, aglomerado com tantos outros em meio à fogueira, carrinho de supermercado, trapos e farrapos. Viramundo também fora um profeta.
O fato é que em meio a isso, lembro-me da violência policial contra esse povo, e leio uma entrevista na Revista Carta Capital em que é relatada a forma como um casal e seus filhos são mal tratados pela força policial em Alter do Chão, no Pará, simplesmente porque a mãe da família estava com seus filhos, desacompanhada do marido, em praça pública, tomando uma cerveja em lata. Ao mesmo tempo também é verdade que nesta semana anunciou-se a morte do 100° policial no Rio de Janeiro neste ano de 2017.
Não procuro as causas imediatas e tampouco profundas de tanta violência. O fato é que em meio a isso, lembrei-me do Profeta Gentileza, José de Trino (1917-1996), que começou a pregar a gentileza no Rio de Janeiro como alternativa ao excesso de violência tanto na Cidade Maravilhosa quanto no mundo.
José Trino, gentilmente apelidado Gentileza, tinha uma empresa de transporte de carga na zona norte do Rio. Vivia como tantos trabalhadores. Em 17 de dezembro de 1961 ocorreu um incêndio em um Circo americano de passagem pelo município de Niterói, que deixou 400 mortos. Seis dias depois, José Trino resolveu abandonar a família e o trabalho, e dedicar-se ao consolo das vítimas do circo.
Leonardo Boff relata que "às vésperas do Natal, José Trino tomou seu caminhão, comprou duas pipas de vinho de cem litros, foi a Niterói e lá começou a distribuir em copos de papel vinho para todos, anunciando: 'quem quiser tomar vinho não precisa pagar nada, é só pedir por gentileza... é só dizer agradecido'".
Em seguida, instalou-se por quatro anos no local do incêndio, transformando-o em jardim de flores. Em seguida, peregrinou o Brasil até voltar ao Rio de Janeiro. Circulava pela cidade, pregava a gentileza nas praças, colocava-se nas barcas de travessia entre o Rio de Janeiro e Niterói. Vivia no meio do povo!
Em 1980, inscreveu seus ensinamentos em 55 pilastras do viaduto do Caju. Denunciava os maus tratos com a natureza, e centrava seus ensinamentos pregando a Gentileza. Se fosse nos dias de hoje e em São Paulo, o prefeito de plantão já teria passado a cor cinza sobre todos os ensinamentos.
Quando chamado de maluco, respondia, dentre outras formas: "seja maluco como eu, maluco beleza, da natureza" ou ainda "maluco para te amar, louco para te salvar".
Regressou à Cafelância (SP), cidade em que nascera. Morreu em Mirandóplis (SP), em 28 de maio de 1996.
A ele foram dedicados alguns livros. Marisa Monte fez uma música com sua alcunha. Em dias tão violentos e hostis, Gentileza faz falta. Que aprendamos com o Maluco Beleza!
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