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Eduardo Caldas

Foi candidato a prefeito em Suzano em 2004. É professor de Gestão Políticas Públicas na USP

O que vale mais, a floresta em pé ou a floresta deitada?

09 OUT 2019 - 23h59
Em agosto deste ano, as queimadas devastaram aproximadamente 30 mil quilômetros quadrados da floresta amazônica, equivalente ao estado de Alagoas. Para comparar mês-a-mês e neutralizar qualquer tipo de sazonalidade, trata-se de queimada quatro vezes maior que a ocorrida em agosto do ano passado e a maior queimada desde 2010.
Diante de tamanho descalabro, o mundo ficou aturdido, estarreceu-se: uma floresta pega fogo, o Presidente da República responsabiliza os índios, autóctones, seringueiros, povos da floresta, incentiva atividades econômicas ambientalmente destrutivas na região, é apoiado por gente que olha para o feito como oportunidade para ampliar estradas e infraestrutura no meio da mata. A bancada de deputados ruralistas se refestela imaginando a ampliação de seus pastos.
Nos anos 90, o então ministro do meio ambiente José Lutzenberger concedeu uma entrevista e tratando dos desmatamentos e da ocupação da Amazônia, disse: ocupar a Amazônia é como assaltar um castelo pleno de objetos valiosos sem critérios. O ladrão entra na sala e se encanta com taças e castiçais de ouro. Corre para um dos quartos com móveis e quadros. Outro quarto, esculturas e porcelanas. Até que chega a guarda e o prende.
Em outras palavras: adensem a ocupação de lugares já ocupados, equivalente ao primeiro quarto. Do contrário, será uma exploração geral, sem critérios e com resultados adversos.
O próprio Lutzenberger em 1992 escreveu um texto chamado "uma proposta para exploração madeireira sustentável" propondo o manejo sustentável da Amazônia.
Na mesma toada, Ignacy Sachs, economista desenvolvimentista escreveu em 1997 texto chamado "Rumo a uma moderna civilização baseada na biomassa" em que propunha o reconhecimento da biodiversidade de áreas como a Amazônica e o uso de sua biomassa por meio de biotecnologias (3B) para a produção de itens essenciais para o consumo humano: alimento (food), suprimentos (feed), combustível (fuel), fertilizantes (fertilizers) e ração animal (feedstock), chamados de "5-F". Propunha também o manejo sustentável e específico da floresta a partir de diferentes formas de ocupação: florestas intactas, subdivididas em virgens e habitadas; e áreas desflorestadas subdivididas em florestas secundárias (capoeiras) e demais áreas. Nas florestas habitadas propunha a constituição de reservas nativas; nas florestas secundárias, reservas extrativas e da biosfera; e nas outras áreas a constituição de cidades e povoados. Para todos os casos propunha a adaptação das famílias ao ecossistema amazônico; em alguns casos, o enriquecimento da floresta; em outras, o plantio adaptado; em outras ainda "a coleta de produtos florestais não-madeireiros e cortes seletivos de madeiras.
Definitivamente, tanto para Lutzenberger quanto para Sachs, não se tratava de conceber a floresta como um santuário intocado, mas como área a ser preservada e manejada de forma sustentável a partir de suas riquezas e suas especificidades.
Recentemente, diante da atrocidade que assola o país, duas revistas muito diferentes entre si apresentaram reportagens tratando do manejo sustentável da floresta. Na Carta Capital n°1071 de 11 de setembro, a reportagem "A floresta vale mais em pé"; na Globo Rural n°407 de setembro, a reportagem "O agronegócio que valoriza a floresta em pé". Em ambos os casos, a floresta em pé é a solução amazônica e vale muito mais que a floresta deitada. A queimada e o agronegócio convencional e predatório retratam o atraso e o falso dilema entre o desenvolvimento e a preservação da floresta.
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