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Jornal Diário de Suzano - 16/11/2019
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COLUNA

Eduardo Caldas

Foi candidato a prefeito em Suzano em 2004. É professor de Gestão Políticas Públicas na USP

Paulo Caldas, 70 anos, presente!

06 MAR 2019 - 23h59
Domingo, 3 de março de 2019, meu pai, Paulo Antônio de Lima Caldas, nascido e falecido em Suzano, respectivamente, em 03/03/1949 e 08/03/2015, completaria 70 anos de vida.
Vou ao supermercado pela manhã e passo pela rua Presidente Rodrigues Alves em que ele nascera. Depois vejo o Restaurante Popular, elemento arquitetônico histórico de Suzano, abandonado. As tesouras do teto ainda são remanescentes do incêndio da Sociedade Vinícola Suzanense (SOVIS) no final dos anos 80 e início dos anos 90. Meu avô, pedreiro, veio de Andradas para construir essa indústria e trouxe consigo, além da família, outros pedreiros. Em seguida, formou gerações de pedreiros e trabalhou em muitas obras, dentre as quais a Escola Estadual Raul Brasil. Essa lembrança mistura histórias pessoais e história da cidade e conbribui para a construção da memória do município.
Deixo a compra do supermercado em casa e vou tomar um café na padaria. Um colega começa, de forma inusitada, a falar que Suzano atualmente, além do Instituto Técnico Federal, tem duas Universidades e nenhuma livraria. Lembra que recentemente uma livraria no Shopping fechou. Incrivelmente começa a falar do meu pai como promotor de cultura na cidade por meio da Livraria que formou gerações.
A Livraria Musicultural foi aberta no início dos anos 70, primeiro chamada Musicultura. Vendia Livros, Discos, Revistas e Jornais. Era, inicialmente, um ponto alugado, depois da praça dos Expedicionários, próximo de onde se montavam os circos e parques de diversão. Depois de muito tempo chegou o Supermercado Guaió e os circos e parques passaram para onde atualmente é o Edifício Iraí. Depois, para onde é o Shopping de Suzano.
A Livraria era um espaço de promoção de cultura. Lembro de histórias contadas e vividas.
Lembro do Tássilo Orpheu Spalding, autor real-fantástico de quem me tornei fã, entrando na Livraria. Amigo do meu pai, esse escritor e professor adotava livros para seus cursos na Universidade em Mogi das Cruzes e, com isso, garantia algum "ganho" para a Musicultural em seus primórdios.
Lembro das portas de vidro e de aço, da porta de madeira aos fundos, das vitrines, do jardim de inverno, dos balcões, dos expositores, do espaço dos professores, e finalmente do mezanino.
Lembro dos muitos balconistas. Para os "trabalhadores do balcão" era um espaço para ganhar o pão e também espaço de formação e constituição de redes.
Lembro das reuniões com o Pedro Miyahira, que se deslocava de seu escritório e da sede do Jornal da Grande São Paulo para conversar sobre a chamada chapa autêntica do PMDB. Depois, das inúmeras conversas para montar partidos e coligações, para analisar conjuntura.
Lembro dos fregueses, das fichas de fiado, dos convênios com as grandes indústrias. Das feiras de livro. Da visita da Raquel de Queiroz em uma dessas feiras de livro promovidas pela Musicultural. Das vendas de livro na Feira das Flores. Dos lançamentos de livros.
Para fomentar a leitura e também garantir vendas, além das campanhas de adoção de livros e dos livros adotados nas escolas, havia também um conhecimento do meu pai sobre os temas de interesse de cada freguês. Tinha a entrega diária de jornais e semanais de revistas. Tinham os fregueses, estudantes e professores, principalmente do Justiniano e do Marques Figueira, que passavam todos os dias para comentar as notícias e "bater papo". Dessas conversas surgiram muitas amizades.
Saio da padaria pensando na Sociedade de Educação e Cultura do Alto Tietê (SECAT), constituída também pelo meu pai; em suas aulas; nas escolas por onde passou e nas amizades que fiz por meio dele; em seu mandato de vereador.
Finalmente, ainda antes de chegar em casa, lembro dos versos de Fernando Pessoa que, ao tratar da morte do dono da tabacaria, diz: "A certa altura morrerá a tabuleta também, e os versos também /Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta /E a língua em que foram escritos os versos /Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu /Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente /Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas".
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