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Eduardo Caldas

Foi candidato a prefeito em Suzano em 2004. É professor de Gestão Políticas Públicas na USP

Tecnologia Apropriada para o Tratamento de Água

12 NOV 2019 - 23h59
O debate sobre tecnologia apropriada nos remete à luta pela independência da Índia, travada por Mahatma Gandhi; passa por um intenso debate europeu sendo um de seus mais expressivos representantes o economista E.F.Schumacher; chega ao Brasil pela prática de muitos gestores públicos tais como Franco Montoro (SP) e Cristovam Buarque (DF), bem como pelos movimentos sociais como a Articulação do Semiárido (ASA) e a Pastoral da Criança, que desenvolveram e disseminaram, respectivamente, o Programa de Um Milhão de Cisternas, o Soro Caseiro e a Multimistura.
O debate sobre tecnologia apropriada diz respeito tanto à produção social das tecnologias, ou seja, ao reconhecimento das tecnologias como produto de um determinado momento histórico em decorrência de percepções, desejos, demandas da sociedade; quanto ao uso das tecnologias, ou seja, às formas de "apropriação" das tecnologias por determinados grupos sociais.
Do ponto de vista econômico, a tecnologia apropriada procura incorporar variáveis como mão-de-obra intensiva, baixo custo para o usuário, efeito multiplicador da renda, pequena escala e processos de apropriação da referida tecnologia.
Do ponto de vista político, promove e fortalece a organização de grupos sociais e a articulação de seus usuários em redes de políticas.
Do ponto de vista social e pedagógico, a tecnologia apropriada promove a interação entre o conhecimento acadêmico, técnico, universitário e os diversos saberes populares.
Do ponto de vista técnico, as tecnologias apropriadas são simples, compreensível, de fácil manutenção e geradora de empregos.
Recentemente conheci o Aqualuz, purificador de água não-potável que usa luz solar, sem produtos químicos ou filtros descartáveis. Do ponto de vista técnico a tecnologia é um pequeno reservatório de água feito de aço inox com tampo de vidro, acoplado às cisternas. 
A água é tratada basicamente pelo aquecimento solar.
A iniciativa é da Anna Luísa Beserra, nascida em Salvador (BA) e primeira brasileira a vencer o Prêmio Jovens Campeões da Terra, concedido pela Organização das Nações Unidas (ONU).
Foram pelo menos cinco anos de trabalho, 10 protótipos, muita observação e financiamento público por meio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ).
A referida tecnologia lembra os versos de Paulinho da Viola: "as coisas estão no mundo/só que eu preciso aprender". 
O verso é um jeito poético de reafirmar que as "coisas estão no mundo" e precisam ser observadas, reconhecendo a "observação" como princípio básico de qualquer desenvolvimento científico e processo de aprendizagem.
Daqui para frente, precisa-se observar se a benfazeja tecnologia vai ser cooptada, capturada, internalizada por algum grupo que a disponibilizará à sociedade por meio de relações convencionais de mercado, ou se será "apropriada" por meio de grupos sociais organizados e articulados em redes de políticas.
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