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Jornal Diário de Suzano - 24/08/2019
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COLUNA

Suami Paula de Azevedo

É escritor, responsável pela Mirambava Editora, palestrante e professor universitário. E-mail: suamiazevedo@uol.com.br

Vai Chegando Assim...

12 JUL 2019 - 23h59
Sei lá, acho que sempre fui meio distraído. De nem tudo me dou conta. Os tempos sempre se achegaram a mim, do jeito que eles vinham. Não fui muito de propor ou de pedir. Os parentes, sei mesmo, que recebemos de presente. Com mais ou menos a tal da sorte. Mas os amigos são aqueles parentes que escolhemos e nos somam bastante. E são seres amados. E temos ainda mais uma benesse, um ganho é pouco para descrever, uma dádiva, talvez. São aquelas pessoas que nos completam. Aqueles seres que nos acrescentam tanto que vamos nos sentindo mais inteiros. São aqueles que, por alguma razão, ao se afastarem de nós, deixam-nos mais miudinhos, mais pobrinhos, muito menos do que sentimos que somos.
Já pude ver muita gente feliz ao sentir que formava um par. Aquela coisa de grupo bem pequeno. Que nem queremos que aumente. Bom, tive essa felicidade. Então, nem vou falar de quem perdeu o seu tanto. É como se a gente flutuasse no ar, voando no espaço, soltos, bem soltos. Mesmo com toda essa fluidez nos sentimos seguros, ficamos tranquilos. 
Sei que podemos nos sentir envolvidos. Talvez alguém de fora possa achar, e até mesmo venha nos dizer que estão nos levando. E o pior - ou seria o melhor? – é que nem sentimos medo, bem ao contrário, sentimos uma segurança que se parece com algo infinito. E vamos, persistimos, continuamos a voar por sobre as coisa, por sobre as gentes. E é tão bom...
E vamos escrevendo, quem assim se solta, e vamos nos embalando, quem assim se sente. 
Ouço aquela música: “eu sei que vou te amar... por toda a vinha vida, vou te amar...” 
É isso mesmo! Vem delicadamente a Bossa Nova, em melodia do muito querido Tom Jobim e poema do amado Vinicius de Moraes. Serve para mim, serve para você, serve para tantos de nós.
Mesmo com, de algum jeito, o se afastar neste momento do nosso João Gilberto, esse envolver é de encantamento. 
Talvez, seja mesmo verdade, um Poema é uma escolha de caminho, tanto para o Poeta quanto para o Leitor. Como cada um interpreta. Porque somos muito amplamente semelhantes, sabemos que podemos sentir coisas próximas entre nós todos.
E isso é bom. Ainda que nem todos queiram se dar as mãos, sei que todos nós, um dia sentiremos, ou esses outros vão mesmo sentir, a importância do outro, tão parecido conosco, tão parecido com ele, talvez ainda que esteja passando do outro lado da rua.
A verdade é que tem alguém que nos espera, ou que, de algum modo, que nem mesmo sabemos, vai se nos achegar. E tudo muda, ou sei não, pensamos, sentimos, que vai fazer tudo começar a mudar.
E então vamos mudando o mundo. Ou será que somos nós mesmos que começamos a tudo mudar no nosso mundo?
O Mundo pode nos parecer imensurável. Porém nós que aqui vivemos somos curtos e breves na nossa parecença. Lembrei, talvez por isso, de um quadro do Mestre Poeta Pablo Neruda. Ele desenhou um poema a sua amada. Dizia assim: “Yo cambio la primavera porque tu me sigas mirando”. Algo assim, “eu mudo a primavera porque tu continuas me olhando”. Só isso? É tão pouco e é tanto!
E vai chegando assim...
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