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Jornal Diário de Suzano - 26/05/2022
COLUNA

Suami Paula de Azevedo

É escritor, responsável pela Mirambava Editora, palestrante e professor universitário. E-mail: suamiazevedo@uol.com.br

Isso de Viver Poesia

22 JAN 2022 - 05h00

Queria que esse Novo Ano chegasse com Poesia. Se fizesse em água, como a Poesia consegue ser. Continuasse assim, meio obscuro, meio sem jeito de chegar chegando. Nem só de chuva. Talvez se alargando como no mar.
Quando começa o ano, tantas vezes nos perguntamos, como quem pergunta aos anjos, como vai ser o nosso novo tempo. Não, eu não quero saber como vai ser o meu ano seguinte, quero curtir cada pedacinho, cada nesga que me for lançada à frente, o caminho que me seja escolhido.
Ano de Poesia? Comecei a escrever poesia tinha lá nos meus 17 anos. Na época havia um certo preconceito. Diziam que isso de poesia era coisa de menina. Até que constatei que menina, de fato, gostava de poesia. Então, porque não agradá-las com uns tantos versos.
Quando eu era criança éramos orientados a decorarmos os poemas para declamarmos como tarefa escolar. “Minha terra tem palmeiras...”, entre outros similares, eram aprendidos e repetidos. Mas na adolescência a coisa começava a mudar um pouco. Muitos professores nem se davam conta disso, é verdade. Algumas obras primas da literatura podem ser inadequadas para algumas idades. Bom isso é outra área.
Aprendi também que só pode dar quem tem o que dar. Se alguém não gosta de ler não tem como ensinar a ler. Só pode passar esse prazer quem o tem. Isso numa escola é fundamental estar claro, para quem aprende como para quem ensina.
Estou completando meus sessenta anos de construção poética, desde 1963 criando meus versos. Em 1965 publiquei meu primeiro poema em jornal da escola. Minha escrita, minha construção poética mudou, certamente não é a mesma. Não é da mesma forma que leio hoje. Ah, essa vida poética...
Queria a surpresa, que não gosto de ter, e que sempre é a mais saborosa. Queria poder levar palavras novas ou com novos sentidos a quem nunca se emocionou com as palavras na loucura dos sonhos mais loucos. Queria mudar as palavras, todos os termos, até que os homens entendessem que tem de encontrar sentido na vida juntos.
Quem sabe, até alterar os sonhos, torná-los tão grandes que só o coração humano possa contê-los. Que a Poesia entrasse pelos poros, como deviam poder os polens, levando música de perfume para os olhares mais estranhos.
Queria que a luz circulasse no sangue levando sentido ao nosso espanto mais infantil. Que sempre fossem imensos e infantis os nossos encontros. Que encontros e espantos sempre fossem o que sempre deviam ser, descobertas de mundo. Com aquela doce alegria que descubro no olhar das crianças.
A poesia tinha de estar em todos nós, mesmo que nem o saibamos. Mesmo que nem todos se apercebam da sua estranha melodia que nos move como se flanássemos.
Este ano também quero a magia, Alquimistas do mundo, uni-vos. Vamos saborear o que dizem os sentidos. Sem esquece dos olhares, dos sorrisos do olhar. Que cheguem como sutis toques dos dedos.
Faça a Poesia da sua Vida. Os versos sairão de suas mãos no fazer do seu dia a dia. O mundo pode e será melhor.

 

Umc

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