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Jornal Diário de Suzano - 12/05/2021
COLUNA

Suami Paula de Azevedo

É escritor, responsável pela Mirambava Editora, palestrante e professor universitário. E-mail: suamiazevedo@uol.com.br

Mulher, a Poesia

06 MAR 2021 - 05h00
Minha amiga querida, a competente jornalista Marilei Schiavi, mulher forte e sensível, destacou-me esta semana, início de Março, o Mês da Mulher. Tenho uma admiração enorme por esses seres tão resistentes, as Mulheres, apesar de todas as malvadas pancadas que recebem. 
Sim, não posso deixar de destacar, Dia 8 de Março é o Dia Internacional da Mulher, temos mais é de comemorar. Quem tem um pouco de suscetibilidade para exibir sabe que temos mais é que reconhecer a importância desse ser absoluto no universo humano.
Tive mãe atuante, tive namorada, tive, e tenho, mulher, sempre presente na minha vida. E tanto dependi desses encantamentos. 
Meu reconhecimento não é coisa só de Poeta. E coisa de Ser Humano, coisa de gente que vive relação saudável de eterno aprendizado. 
Sempre fui enamorado de mulher. Como negar? Por que negar? E ela, a Mulher, sempre atuou, sempre surgiu, forte nos meus versos. E tantas vezes, nesses meus quase sessenta anos de prática poética, me questionei, e ainda me questiono, se a Mulher não é a própria Poesia. Se a Poesia não é a própria Mulher. 
Em meu livro "Aprendiz de Encantamento" (2012) tenho as minhas passagens sobre essa certeza, Mulher é igual Poesia. Vejam este Poema, "Mulher":
"minha senhora/ é como a poesia quer/ que lhe trate/ e peça um instante de atenção/ em agradecimento/ por ser o que importa/ pretendendo sempre melhorar ainda/ dar sem tirar/ ficando etérea e terrena/ sólida e líquida/ base humana forte e terna/ quem leva à luz da vida/ e a viver ensina".
O lado feminino é algo a ser identificado. Tem de estar, tem de ser explícito. Sei que ainda hoje há quem não se aperceba disso. 
Sei que há a brutalidade, quando alguns seres humanos (ou desumanos?) esquecem de que são parte e não o todo, ainda que se recusem. 
A primeira mulher que nos impressiona, a mãe, nos envolve e seduz. Minha mãe sempre foi um encantamento. Com certeza, levei um bom tempo a perceber tudo isso. Depois dessa descoberta, não pude mais ver de outra forma. Um Bem suavemente dominante.
E fui pelo caminho até encontrar quem me encantasse a desejar repartir o meu singelo espaço. A longa vida tem me oferecido condições de reconhecê-la como quem já faz parte de mim com todo o seu jeito de caminhar no mundo. 
Nesse mesmo livro, "Aprendiz de Encantamento", tenho lá outra expressão desse viver, o Poema "Ser Imensa":
"quando te escondes/ no dia/ na rua/ quando te exibes/ na noite/ na cama/ quando te esqueces/ na lua/ no espelho/ como desvendar o calor dos teus dedos?"//
"generosos instantes/ em que te entregas inteira e amante/ delicados instantes/ em que te dás absoluta e materna/ saborosos instantes/ em que te voltas sábia e dominante/ rigorosos instantes/ em que te abandonas completa e maestra"//
"és mulher/ ou poesia tão somente?"//
"quem há de dizer/ de toda a luz do teu horizonte?/ quem há de escrever/ a palavra em teu sonoro pensamento?/ quem há de conhecer/ o sorriso do teu ser caminhante?"//
"quedamos a teus pés no silencio do teu abrigo/ quem dirá teu segredo?/ quem saberá o que és?"
Sinta! 
Mulher é Poesia!
SOUZA CAFÉ
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