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Jornal Diário de Suzano - 16/08/2022
SESC AGOSTO 2022
COLUNA

Suami Paula de Azevedo

É escritor, responsável pela Mirambava Editora, palestrante e professor universitário. E-mail: suamiazevedo@uol.com.br

Ouro

04 DEZ 2021 - 05h00

Há muitos anos atrás...
Enfim! É importante olhar o mundo e vê-lo transcorrer.
Imagine, era um 4 de Outubro, o de 1969. Era uma menina que a frente lhe surgia. Aos dezenove aninhos ela já mostrava ser sólida em suas posições afirmativas. Mas permitia o diálogo. Nem tudo planejamos. Ocorrem surpresas. De nem tudo nos apercebemos de que modo reagimos ante fatos e feitos. Seria um encontro de amigos, dois casais. A vida dele era bem agitada. Mas um amigo do peito pedindo, tinha de se colocar disponível. Foi uma noite agradável e marcante. O sorriso dela iluminava.
Ainda se viram outras vezes, até que, uns dias depois, ele foi hospitalizado. Um acidente muito grave, com aquele casal de amigos. Foram uns dias de coma, e até EQM. Ela o visitava, acompanhava. Dois meses de tratamento difícil internado, mas sem dor. O sorriso dela alegrava. 
Após o tempo de hospital a família dele se mudou para o Rio. Ele precisava deles. Ainda ia em tratamento. Por isso, só viu a menina num Janeiro dois anos depois, no casamento daqueles amigos do primeiro encontro. Ele se emocionou nessa união, chorou, coisa rara para ele. Essa foi mesmo a última em minha vida. Meses depois, vindo a São Paulo ele e a menina se reencontraram. Passou a fazer o bate volta. À distância sentiam suas faltas. E no 4 de Julho decidiram ficar juntos. Trocaram alianças de aço. Aquele sorriso dela aconchegava.
Tempos bem difíceis eram aqueles. Ele deixou trabalho e estudo no Rio. Queriam ver-se unidos no adiante. E concluíram que o melhor era sair do País. As famílias entenderam. Assim, no 4 de Dezembro, ano de 1971, formalizaram a sua união. Ela trazia seu sorriso feliz.
Foram para fora com aquele casal de amigos, que um ano depois voltou. E lá viveram a diversidade. Estudaram muito, graduação e pós. E tinham seus trabalhos que lhes permitiam até boa morada. Um filho os veio alegrar, indicando abrir novos caminhos. Anos após puderam voltar ao seu País. E uma nova filha os veio ainda mais alegrar. Assumiram sua Cidade. Foram colocando suas mãos em cada vontade que lhes vinha. Ergueram sua casa e ofícios. Encantava o contente sorriso dela.
Foram moldando seus Magistérios. Ingressaram com orgulho no Serviço Público e Universidades. E o tempo persistia seguindo seu caminho. Umas tantas dificuldades. Umas tantas soluções. Os filhos cresciam bem. E seu sorriso também.
Nunca buscaram imposição ou submissão entre si. O que sempre nega o diálogo. Toma tempo? E tempo sempre se oferece a frente. Temos de olhar adiante. Olhando sempre juntos podemos ver, perceber, a luz que encanta. E juntos, sempre somos mais fortes. Olhemos com sorriso.
Tantas décadas depois sentiam, sabiam, que era preciso reduzir a velocidade. Foi o que fizeram. E as três netinhas foram chegando alegres, uma de cada vez. Por mais difícil que possa ser um fato se conversarmos tudo pode se mostrar viável. Abra-se uma esperança com a boa vontade.
Ele nunca deixou de mirar aquele sorriso que lhe seduzia.
50 anos. Juntos chegaram ao Ouro, sorrindo.

 

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