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Cultura

Fotógrafa do DS produz livro ‘Nhandereko’ sobre cultura indígena

Temática foi inspirada na descendência da autora e retrata o atual modo de vida ainda adotado por aldeias da etnia Guarani

02 dezembro 2017 - 13h00 Por Marília Campos - De Suzano
A repórter fotográfica do DS, Bruna Laura Alves do Nascimento produziu o fotolivro "Nhandereko- A imagem da cultura e resistência da raiz do Brasil". O projeto é resultado do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) de Fotografia, pela Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação (Fapcom). A temática da obra foi inspirada na descendência da autora e retratou o atual modo de vida tradicional ainda adotado por aldeias da etnia Guarani, no Jaraguá, na região noroeste da capital paulista.
 
Bruna conta que os avós, Aloísio Alves Feitosa e Maria do Carmo Ferreira de Lima, viviam no Alagoas quando frequentavam a aldeia Karapotó. Em São Paulo, lembra-se de receber fotos registradas durante as comemorações na comunidade indígena. "Sempre tive curiosidade com tema. Na faculdade, conheci o trabalho de Maureen Bisilliat com a narrativa antropológica. Percebi que eu era capaz de fazer com que as pessoas sejam ouvidas. Acredito que me encontrei na fotografia antropológica, social e documental". 
O livro conta com 56 fotos da aldeia Tekoa Itakupe, no Jaraguá, registradas ao longo do ano. O conflito com o Governo do Estado gerado pela revogação do processo de demarcação de terras indígenas acabou por interferir no processo de criação do livro, pois dificultou o contato com as aldeias indígenas. Foi aí que a fotógrafa resolveu procurar o jornalista Thiago Carvalho que também havia realizado um projeto na região. 
 
"As pessoas estavam agitadas por toda a manifestação e alguns viajaram a Brasília, mas quanto mais difícil ficava mais aquilo me encantava e dava vontade de mostrar o modo vida deles atualmente. Eu não quis me envolver com a questão política porque realmente o foco era outro". Nhandereko significa "modo de vida tradicional", na língua Guarani. O termo foi apresentado pelo vice-cacique Matheus, chamado Wera Xondaro, filho da cacique Geni Para Yri. 
 
"Aprendi muita coisa, quebrou os estereótipos que carregava. A gente acha que os indígenas são parados no tempo, que não tem vontade própria. Apesar da influência do mundo moderno, a comunidade mantém o próprio modo de vida. Eles usam roupas, sapatos, tem piercing, tatuagem e acessam o Whatsapp, mas ainda assim se reúnem para as rezas". A autora aborda a pré-concepção fora da realidade propagada pelo censo comum. O futebol e a arte do grafite, presentes na aldeia, colorem as páginas verde e vermelho do livro. "Cada elemento da produção tem um significado para mim. As cores escolhidas trazem a tonalidade do fruto ucurum, além de se relacionar com a ideia de força e vitalidade", disse. Os comentários sobre o local e a possível recepção não inibiram a fotógrafa. "Fui apenas uma vez à aldeia acompanhada. As visitas geraram alguma preocupação, as pessoas comparam o espaço a uma favela, mas tudo isso só serviu para chamar ainda mais atenção da minha teimosia".
 
Carreira
A repórter fotográfica começou a carreira ainda na adolescência, ao realizar pequenos ensaios com a família e registrar alguns shows de amigos, até que decidiu cursar o tecnólogo em fotografia, logo após o ensino médio. Há 10 meses segue na linha de frente da equipe de imagem do DS. "Pretendo continuar com o fotojornalismo, paralelamente publicar meu trabalho e manter projetos de cunho autoral e documental". Parafraseando o professor Mestre Carlos Eduardo Frucci: 'Antes de conhecer o mundo, ela foi conhecer a própria raiz'. 

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