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Cultura

Companhia teatral suzanense conquista edital com peça 'Antígona'

Teatro da Neura iniciou as gravações do espetáculo, que poderá ser conferido, em breve, na Internet

Por de Suzano08 NOV 2021 - 17h00
Companhia teatral suzanense conquista edital com peça 'Antígona'Foto: Fabrício Augusto/Divulgação
O Teatro da Neura conquistou, pela quarta vez, um edital do Programa de Ação Cultural (ProAC), da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo. Dessa vez com o espetáculo “Antígona”, que poderá ser assistido virtualmente, em breve, na plataforma do projeto “#CulturaEmCasa”, no site: https://culturaemcasa.com.br.
 
Sem previsão de lançamento, a peça teve sua gravação realizada no Centro de Educação e Cultura Francisco Carlos Moriconi, em parceria com a Secretaria de Cultura de Suzano.
 
Dirigido por Fernandes Junior, o espetáculo, que foi contemplado com o edital “Registro e Licenciamento de Espetáculos Inéditos de Teatro para Difusão Online #culturaemcasa” conta a história de Antígona, habitante de Tebas, um país em guerra e manipulado por Creonte, um líder autoritário e violento. Ao perder o irmão morto em um combate, ela luta contra injustiças para poder enterrá-lo. Além disso, lida com a necropolítica – que dita como as pessoas devem viver e morrer –, em um ambiente de pandemia.  
 
Assim como costuma ocorrer em outros espetáculos da companhia teatral, “Antígona” segue em constante transformação. “Como usamos a estética do teatro épico, a atualidade que encontramos para essa montagem é a pandemia no Brasil. Assim, veremos, de maneira alegórica, a relação da peça, encenada pela primeira vez em 411 a.C, com os dias atuais, de forma bem clara. O público verá praticamente uma distopia com claras alusões ao que estamos vivendo em relação à Covid-19”, revela Fernandes.
 
Para a atriz Thaís Fernandes, sua personagem é uma sobrevivente. “Eu venho construindo Antígona desde 2018, na primeira versão. Ela vai se moldando com o passar do tempo, assim como ocorre com a peça, que se adapta para dar conta de todas as transformações do país. Tenho pensado muito que, neste contexto, a grande luta de Antígona seja a preservação da memória dos seus, a luta de mães pretas que perdem seus filhos e precisam ficar lutando pela memória deles, em um sistema que tenta incriminar as vítimas como uma forma de justificar o genocídio da população negra”, comenta.
 
Ainda de acordo com Thaís, a peça é uma representação de uma força coletiva e uma oportunidade para questionar, denunciar e constranger o momento em que estamos vivendo. “Hoje, consigo ver ‘Antígona’ nos movimentos sociais, nos agrupamentos de mulheres e jovens e na luta dentro dessa estrutura destrutiva que vivemos. Essa adaptação também é um retrato da pandemia, com um recorte racial e de classe”, reflete. 
 
Conquista
 
Essa foi a primeira vez que o Teatro da Neura conquistou um edital do ProAC com “Antígona”, e a notícia foi recebida com alegria pela companhia teatral. “Receber uma notícia dessas, dentro do contexto em que a peça está inserida, nos motivou a descobrir uma forma de realização da montagem. Quando enviamos um projeto para um edital público, sempre torcemos para que tudo dê certo, e quando “Antígona” passou, percebemos que tínhamos um compromisso com o momento atual para encená-la”, finaliza Fernandes.

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