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Cultura

Moradora de Suzano, filha conta como pai virou ‘modelo’ da foto de Araquém

Modelo retratado na foto é o lavrador Arabelo Florindo da Silva, hoje com 82 anos

Por Bruna Nascimento - Repórter Fotográfica do DS16 MAI 2019 - 08h46
Modelo retratado na foto é o lavrador Arabelo Florindo da Silva, hoje com 82 anosFoto: Araquém Alcântara/Reprodução
Uma casa de chão de terra batida e paredes de pau a pique com um tecido sobre uma delas e uma janela fechada ao fundo, impedindo que a luz do dia aparente possa invadir ainda mais o cômodo. Uma mesa e uma cadeira do lado direito e uma poltrona do lado esquerdo, entre elas, um cachorro deitado tranquilo ao lado de um chinelo. Centralizado, o assunto principal da imagem: um senhor bem vestido e de semblante tranquilo sentado num banco de madeira ao lado de um rádio, concentrado no violão que está em seu colo. Esse cenário compõe uma fotografia feita por Araquém Alcântara em 2007 na Cidade de Iporanga, localizada na região do Vale do Ribeira e próxima a cidade de Apiaí, conhecida por abrigar cavernas que atrai turistas àquela região, e é uma das tantas imagens características de Araquém, conhecido como 'fotógrafo do povo e da natureza brasileira.’
 
O ‘modelo’ retratado na foto é o lavrador Arabelo Florindo da Silva, hoje com 82 anos. Pai de 6 filhos sendo uma delas a artesã moradora do Bairro Jardim Colorado em Suzano, Catarina Florindo da Silva de 42 anos. A moça conta que como não estava lá no momento da foto, não sabe de muita coisa, mas que na ocasião, Clayton Lino, presidente do Conselho Nacional da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica (CN-RBM) e conhecido do pai dela, levou Araquém Alcântara até a casa de um vizinho de Arabelo, o senhor Joaquim Rocha, que faleceu em fevereiro deste ano com 100 anos de idade. Lá acenderam uma fogueira, pegaram o violão, conversaram e fotografias foram nascendo.
 
Catarina diz que só viu a foto há cerca de três anos, através do Facebook do próprio autor da imagem, mas que antes, a irmã havia lhe contado da visita de Araquém. “Na época, eu nunca tinha ouvido falar dele e fui pesquisar, quando vi quem ele era pensei: 'Esse cara fotografou meu pai?’ A gente se sente lisonjeado, porque entre tantas pessoas, ele escolheu meu pai”, conta. Ela ainda diz que não sabe se a fotografia chegou a fazer parte de algum livro ou mostra do fotógrafo. 
 
Apesar de Araquém ter sido o primeiro fotógrafo renomado a retratar Arabelo, Catarina revela que era comum ver o pai na frente de lentes. Isso, porque ele é conhecido por criar peças como cestaria, chapéus, vassouras e miniaturas de animais utilizando madeira, taquara e cipó. Através dessa arte que fora aprendida com o pai dele, começou para uso próprio e depois chamou atenção de moradores e turistas, Florindo participou de feiras e exposições em diversas cidades como Piracicaba e também na Oca do Ibirapuera, além do Festival ‘Revelando São Paulo’ e de ter tido peças levadas para o Japão. Porém, Arabelo sempre viveu com simplicidade na cidade de Iporanga contando histórias e tocando violão. “Muitas pessoas fotografaram meu pai, crescemos vendo isso e era natural, mas ser fotografado por alguém ‘de nome' foi um honra”. 
 
Catarina que via ele produzindo peças e tecendo, também levou o artesanato que "está no sangue" com ela. Saiu de Iporanga em 2001 e está em Suzano desde que conheceu o marido, em 2005, onde hoje vive com ele e os dois filhos fazendo artesanato sob encomenda e vai visitar o pai durante as férias das crianças e em feriados prolongados.
 
Quando soube da presença de Araquém em Suzano para a abertura da Mostra 'Brasileiros’, Catarina procurou a foto novamente no Facebook, printou e está preparada para estar presente no evento, apesar de temer que Araquém não se lembre daquela foto em especial. "Está na minha agenda", ela conta, animada pra conhecer o autor de uma bonita fotografia do pai e talvez descobrir se existem mais fotografias ou ouvir sobre aquele dia diretamente do homem que durante uma de suas 'andanças' a procura de imagens, conheceu Arabelo e teve a sensibilidade de fazer aquele senhor com sua simplicidade, se transformar no personagem principal de uma obra que é capaz de lembrar e representar a importância dele para Catarina, toda a família e até mesmo para quem não o conhece pessoalmente, mas que se sente atraído pela bela imagem dele sentado com o violão, ao observar um dos retratos brasileiros feitos por Araquém Alcântara.

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