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Mortes de jovens em baile funk de Paraisópolis viram tema de conto

Sacolinha, escritor suzanense responsável pelo texto, diz que a intenção do projeto "O final você já sabe", é mostrar o lado humano das pessoas

Por Daniel Marques - de Suzano17 DEZ 2019 - 20h04
Com base em relatos de familiares à imprensa, Sacolinha criou histórias fictícias dos jovens mortosFoto: Arquivo/DS
A morte de nove jovens após o baile da ‘Dz7’ em Paraisópolis, Zona Sul de São Paulo, foi tema para diversos debates nas últimas duas semanas. O caso foi retratado em um conto do escritor suzanense Ademiro Alves, o Sacolinha. O texto integra o projeto literário ‘O final você já sabe’, com uma história fictícia das vítimas.
 
Para Sacolinha, o projeto tem como objetivo principal expor o lado humano das pessoas. E, na segunda edição do projeto, o escritor criou situações que as vítimas passaram. Dos nove jovens, dois eram moradores de Mogi das Cruzes. 
 
A ideia do escritor é a de levar ao leitor uma narrativa sobre o sonho de cada um dos mortos, o que os levou à comunidade e, também, a influência do baile funk em suas vidas. Sacolinha pontua que, para poder escrever cada história, foi atrás de relatos de familiares à imprensa. E, assim, pôde escrever as histórias fictícias. 
 
"(contar a história de pessoas da periferia) surgiu em 2018, mas o primeiro conto foi feito após o caso da Ágatha. A ideia é mostrar o que essas pessoas faziam antes e sonhos que tinham e fazer as pessoas conhecerem o lado humano dos outros", conta Sacolinha.
 
O caso no qual o escritor suzanense se refere é o da menina Ágatha Vitória Sales Félix, de 8 anos, morta no Complexo do Alemão, Zona Norte do Rio de Janeiro. O inquérito policial apontou que o tiro fatal partiu da arma de um policial militar.
 
No site www.escritorsacolinha.com, as pessoas têm acesso aos textos. Uma das ações que Sacolinha adota é de, após o crime, aguardar cerca de três dias para ver todos os pontos de vista da história. Ele ressalta que não consulta as famílias, por respeito à dor das perdas.
 
"Vou atrás dos veículos que estão mais próximos daquilo que está alinhado ao meu pensamento. Eu me coloco no lugar dessas pessoas, respeitando a dor delas", reforça Sacolinha.
 
"As histórias são de ficção, mas tento ser o mais fiel possível. Criamos outro mundo através das palavras. Não estamos satisfeitos com o que está acontecendo. Não queria ter feito, porque cada texto representa uma grande tragédia", emenda.
 
Estado
 
O escritor se aprofundou no caso e responsabilizou o Estado pelo fato. Para ele, tanto jovens, familiares e policiais são vítimas. "O maior problema é achar um responsável, mas as mortes foram provocadas por aqueles que deveriam nos defender, e a responsabilidade é do Estado. Os policiais, assim como os jovens e os familiares, são reféns de um Estado violento", opina.
 
"A pólvora é o baile e o fósforo é a polícia que, muitas vezes, não queria estar ali. O governo é culpado, pela falta de políticas públicas. O pagode, o samba e o rap sofreram a mesma coisa que o funk sofre hoje. Todos os gêneros que representam a periferia passaram por isso", completou o escritor.

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