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Heróis chegam ao grito de 'o campeão voltou' em velório com honra e choro

04 dezembro 2016 - 07h01 Por Gabriely Machado
Heróis chegam ao grito de 'o campeão voltou' em velório com honra e choro

Emoção e lágrimas tomaram conta de Chapecó ontem. Desde o início da manhã, com a chegada dos corpos dos atletas e dirigentes do clube vítimas de acidente aéreo na Colômbia que matou 71 pessoas, milhares de pessoas foram às ruas e à Arena Condá para prestar a última homenagem. Debaixo de forte chuva, a despedida teve início no aeroporto da cidade, onde o presidente Michel Temer (PMDB) recebeu os 50 corpos. Depois, o cortejo fúnebre percorreu 9 quilômetros pelas ruas da cidade, até o estádio, onde foi realizado o velório coletivo com a presença de familiares, torcedores e autoridades. Temer também participou da cerimônia na arena. Tite, técnico da seleção brasileira, cancelou uma viagem que faria à Europa onde iria assistir a cinco jogos, para acompanhar o velório. "Quero poder, na medida do possível, amenizar um pouquinho o sofrimento e encorajá-los". Assim como o presidente da Fifa, Gianni Infantino, o presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, também viajou à Chapecó, acompanhado de diretores da entidade. "Vim prestar homenagem a todos os familiares, corpo técnico e jornalistas. Estamos fazendo o nosso papel. Aquilo que pudermos fazer, estamos fazendo", afirmou. Ex-jogadores do clube catarinense também foram ao velório, como Vilson (Corinthians), Douglas Grolli (Ponte Preta) e Soares (Madureira). O silêncio só era rompido pelo barulho da chuva, aplausos e choros. Muitos torcedores rezavam, outros choravam. A cada corpo que entrava no campo, todo o estádio aplaudia. Em outras cidades do País, foram velados os corpos de jornalistas que também morreram no acidente de terça-feira: 20 profissionais de imprensa foram vítimas do desastre. Os últimos dias na cidade de Chapecó foram de muito sol e calor. Ontem, chegaram a chuva e o frio e o clima fez com que a melancolia fosse ainda mais forte no adeus dos moradores da cidade aos ídolos da Chapecoense. Mesmo assim, não faltaram apoio e demonstração de amor dos torcedores, que não mediram esforços para saudar aqueles que viraram heróis da cidade. Os portões da Arena Condá foram abertos às 7h30, mas bem antes já havia torcedores na fila para entrar no estádio. Sarita Maria Lopes, de 51 anos, e sua filha, Pamela Lopes, de 29, foram as primeiras a chegar. "Estamos aqui desde às 22 horas de ontem (sexta-feira)", contou a mãe, com a camisa da Chapecoense e uma capa de chuva. Frio e chuva não foram suficientes para impedir que elas participassem da despedida dos jogadores e membros da comissão técnica do time, vítimas do acidente aéreo com o avião que levava a delegação da Chapecoense na última terça-feira para Medellín, na Colômbia, para o jogo de ida da final da Copa Sul-Americana. "A gente andava na rua e encontrava com eles. Eram pessoas muito do bem e farão muita falta para a gente", contou Pamela. Solidariedade foi a palavra mais ouvida nos últimos dias em Chapecó. As filas para entrar nos dois portões que foram reservados para os torcedores davam voltam no estádio. Psicólogos voluntários foram destacados para dar suporte aos familiares dos jogadores e jornalistas presentes à Arena Condá.