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Jornal Diário de Suzano - 19/09/2020
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Brasil sofre, mas vence Alemanha e fatura inédito ouro olímpico

21 AGO 2016 - 00h48

O Brasil é ouro! Conquistou finalmente ontem o único título que faltava ao seu futebol, o de campeão olímpico, numa final dramática contra a Alemanha, vencida apenas na última cobrança de pênalti. Coube a Neymar, o craque do time, capitão e que havia feito da medalha de ouro quase uma questão de honra. A vitória por 5 a 4 nas penalidades - com defesa de Weverton e gol do camisa 10 - após empate por 1 a 1 no tempo normal e na prorrogação coroa uma equipe jovem, que pode representar um futuro vencedor para o futebol brasileiro.

O título é também uma recompensa a um técnico até então desconhecido, Rogério Micale, que se propôs a respeitar as características e a essência do futebol brasileiro. O jogo bem jogado, ousado, ofensivo.

Após decepções seguidas como a derrota por 7 a 1 para a Alemanha na Copa de 2014, e participações desastrosas em Copas Américas, o Brasil volta a conquistar um título de peso. "O campeão voltou", celebrou a torcida que lotou o Maracanã.

As três bolas que a Alemanha acertou no travessão no primeiro tempo servem para dar a dimensão do quanto o jogo foi difícil para a seleção brasileira. O time de Horst Hrubesch confirmou o que se esperava: é muito bem armado, entrosado, frio e perigoso ao atacar e ainda mais ao contra-atacar.

O Brasil até se expunha, mas tinha o mérito de não deixar a Alemanha respirar. Sempre que os adversários tentavam sair da defesa, aparecia um brasileiro pressionando, marcando forte. Muitas bolas foram roubadas ou retomadas assim.

Renato Augusto fazia grande partida, tanto na destruição de jogadas como ao começar a construí-las. Talvez tenha exagerado nas vezes em que procurou Neymar, sempre bem marcado, o que fez com que algumas jogadas acabassem não saindo.

Neymar se mexia bastante, fez algumas jogadas individuais, tentou tabelas. E recebeu faltas. Numa delas, o Brasil saiu na frente. O atacante cobrou com perfeição, no ângulo, sem defesa para Horn. O Maracanã explodia.

Na comemoração, Neymar comemorou imitando o raio característico Usain Bolt, que estava no Maracanã - foi para ver o jogo e conhecer o camisa 10 depois da partida. O jamaicano, que assistia o jogo ao lado do pai do craque, aplaudiu, entusiasmado, e o atacante decretou: "Eu mando aqui!", falou, apontando para o gramado do Maracanã.

O Brasil estava bem em campo, apesar de algumas atuações apagadas como a de Gabriel Barbosa, mas a Alemanha não podia ser desprezada. Mesmo porque fazia uma jogada que o técnico Rogério Micale havia previsto: seus atacantes afunilavam, abrindo espaço para as subidas dos laterais.

Ao lado do campo, sempre de pé, Micale dava instruções e tentava corrigir o posicionamento. Mas a seleção tinha dificuldade para controlar esse tipo de jogadas e dava espaços. Mas, ao fim da etapa, apesar dos três sustos, e da grande defesa feita por Weverton aos 30 minutos em chute de dentro da área de Meyer, o Brasil continuava sem tomar gol na Olimpíada.

A invencibilidade acabaria aos 13 minutos da etapa final, após jogada alemã pela direita do ataque, com bastante espaço, e um cruzamento rasteiro para a área onde Meyer, livre de marcação, bateu firme para empatar. A jogada que terminaria em gol aconteceu depois de mais um erro na saída de bola do time brasileiro.



Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

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