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Editorial

Crianças e nutrientes

15 outubro 2016 - 08h00 Por Gabriely Machado
Crianças e nutrientes

Levantamento divulgado ontem mostra que apenas uma em cada seis crianças com menos de 2 anos recebe alimentos em quantidade e diversidade suficientes para a idade, o que deixa as restantes em risco de danos físicos e mentais irreversíveis. De acordo com relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), bebês e as crianças pequenas têm maior necessidade de nutrientes do que em qualquer outra fase da vida. Mas milhões de crianças pequenas não desenvolvem todo o seu potencial físico e intelectual porque recebem pouca comida e demasiado tarde. A alimentação escolar deve ser um dos desafios na área de educação no ano que vem. Prefeitos eleitos terão a missão de aprimorar e reforçar o setor. A Organização das Nações Unidas (ONU) alerta que "uma nutrição deficiente em uma idade tão tenra causa danos mentais e físicos irreversíveis". O relatório mostra um mundo em que uma dieta saudável está fora do alcance da maioria. Os dados revelam que a introdução tardia de alimentos sólidos, o número reduzido de refeições e a falta de variedade de alimentos são práticas generalizadas no mundo, privando as crianças de nutrientes essenciais quando o cérebro, os ossos e o físico deles mais precisam. Com efeito, embora os alimentos sólidos devam ser introduzidos a partir dos 6 meses, um terço de todas as crianças no mundo só começa a comê-los demasiado tarde e um em cada cinco bebês só começa a receber alimentos sólidos após os 11 meses. Apenas 52% das crianças entre 6 e 23 meses recebem o número mínimo de refeições diárias para a sua idade e a diversidade alimentar é outro problema: menos de metade das crianças recebe diariamente alimentos de pelo menos quatro grupos diferentes. Entre os 6 e os 11 meses, faixa etária em que a nutrição é mais importante, a situação é ainda mais preocupante: apenas 20% recebem alimentos de quatro grupos diferentes por dia, o que provoca carências de vitaminas e minerais. Partindo do pressuposto de que a alimentação é essencial para o desenvolvimento integral do ser humano, o presente trabalho aborda aspectos relativos à desnutrição infantil, um dos fatores agravantes no desenvolvimento social, afetivo e cognitivo da criança em idade escolar. A ideia do tema partiu da experiência adquirida no estágio de docência que realizamos em uma escola pública municipal de fortaleza, onde as crianças, em sua maioria são carentes e a escola é vista como um ambiente para a educação e também como a função de suprir a carência alimentar. Esse é, sem dúvida, um dos desafios a serem resolvidos na área da educação.