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Editorial

Sem gratificações

20 outubro 2016 - 07h00 Por Gabriely Machado
Sem gratificações

A delicada situação financeira que o País enfrenta tem reflexos em diversos municípios. Em um contexto de crescimento negativo do Produto Interno Bruto (PIB), o aumento da inflação e do número de desempregados, administrações municipais sofrem com a baixa arrecadação e também com a diminuição dos repasses do governo federal. Em outras palavras, o dinheiro em caixa está acabando. Ontem, a Prefeitura de Suzano deixou clara a situação difícil financeira em que vive. Conforme reportagem do DS, a cidade vai cortar de "imediato" gratificações de cerca de 180 funcionários com cargo de chefia em setores, seções e departamentos. A medida partiu da Comissão de Contingenciamento de Despesas e deve gerar uma economia de aproximadamente R$ 800 mil até dezembro. O objetivo da medida é garantir o pagamento de salários e do décimo terceiro dos 4,8 mil servidores públicos da administração municipal. Uma situação crítica e que terá de ser tomada em razão da gravidade do problema. Em Suzano, segundo a Comissão de Contingenciamento de Despesas também será estudado até o final de outubro a demissão de parte do quadro de funcionários comissionados. Atualmente, a despesa mensal da Prefeitura de Suzano com pessoal é da ordem de R$ 14,5 milhões, sendo que apenas o pagamento do décimo terceiro salário vai gerar um custo de R$ 13,8 milhões. Desde 2013, a Prefeitura de Suzano vem enfrentando uma grande crise financeira. Por exemplo, o orçamento previsto, em 2013, era de R$ 751 milhões (deixado pela antiga administração), sendo que o realizado foi de apenas R$ 523 milhões, ficando quase 30% abaixo do previsto e prejudicando totalmente o trabalho da administração municipal para os próximos anos. Nos últimos dois anos, a administração municipal realizou um contingenciamento das despesas, porém, sem afetar a oferta de serviços essenciais à população. Todos os secretários ficaram encarregados de refazer contratos e diminuir valores contratuais em até 25%. A tendência é que essa situação ainda persista nos próximos anos. Agora cabem aos novos prefeitos enfrentar esse grande desafio. Os prefeitos, que são os chefes do munícipio, precisam saber como gerir os recursos e ter criatividade. Devem, sem dúvida, pedir auxílio aos meios mais tradicionais, como os governos estadual e federal. Só assim poderão manter seus orçamentos com, pelo menos, condições de funcionamento.