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Editorial

Bebês sem maternidade

21 outubro 2016 - 07h00 Por Gabriely Machado
Bebês sem maternidade

O DS trouxe reportagem na edição de ontem com uma informação preocupante. Desde a interdição da maternidade da Santa Casa de Suzano, ocorrida no dia 5 de outubro, a Santa Casa de Mogi das Cruzes realizou um total de 191 partos, incluindo cesarianas. Deste número, 48 foram de gestantes suzanenses que buscaram atendimento na unidade, ou seja, um a cada quatro partos foram de moradoras de Suzano. Ou seja, 48 é o número de crianças que deixou de nascer em Suzano por conta do fechamento do setor de Saúde, em Suzano. A maternidade suzanense continua parcialmente fechada pela falta de médicos. Só para se ter uma ideia, cerca de 25% do atendimento na maternidade mogiana tem sido voltado às suzanenses nos últimos 15 dias. Isso porque o setor de Suzano foi “cautelarmente” fechado pela Vigilância Sanitária do município, que constatou insuficiente o número de ginecologistas para realizar os atendimentos. Por hora, a Secretaria de Estado da Saúde tem auxiliado a unidade de saúde, tendo disponibilizado o Hospital Santa Marcelina, do Itaim Paulista, como referência para assistência às gestantes de Suzano. Por conta da situação crítica na cidade suzanense, o hospital de Mogi adotou um plano de contingência desde a interdição da maternidade de Suzano. A necessidade de acompanhamento das gestantes, até o final da gravidez com o nascimento dos bebês é um fato que deve ser levado como primordial. Para isso, o funcionamento deve ser uma grande prioridade para atingir os objetivos de nascimento dos recém-nascidos com saúde. A falta de uma maternidade em Suzano leva outras cidades,como Mogi das Cruzes, a sobrecarregar o setor. A demanda passa de um município para outro. Autoridades responsáveis, como secretaria estadual e municipal de Saúde, já foram notificadas a tentar buscar solução para o problema. A Santa Casa de Mogi das realiza cerca de 450 partos por mês, e um atendimento de 2.182 gestantes. A unidade também possui nove leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal, 12 leitos operacionais para gestantes e 26 leitos de alojamento conjunto. Com a falta de maternidade em Suzano, os números mogianos vão, cada vez mais, aumentar. É preciso buscar uma solução imediata em um momento tão difícil. Em Suzano, a Secretaria de Saúde declarou que a interdição na maternidade da Santa Casa continua. A Vigilância Sanitária realizou uma vistoria, mas a contratação da equipe médica, de acordo com os critérios do órgão, não foi consolidada. A contratação de médicos será necessário para reabrir a maternidade. Para isso, será preciso buscar solução e até parcerias com Estado e União.