A redução do limite de velocidade no trânsito incendiou os debates na campanha eleitoral de São Paulo. A medida, adotada pelo prefeito Fernando Haddad (PT) no ano passado, gerou polêmica imediatamente e foi matéria-prima para a plataforma dos candidatos a prefeito. Na edição de ontem, o DS divulgou reportagem após fazer consulta às prefeituras das cidades da região. A redução é apoiada pela Organização das Nações Unidas (ONU), que recomendou a adoção do limite de 50 km/h em áreas urbanas para diminuir os acidentes e melhorar o fluxo do trânsito nas cidades. De fato, em 2011, a Assembleia Geral da entidade lançou a Década de Ação pela Segurança no Trânsito. Uma série de medidas foi definida para que as vítimas de acidentes fatais no trânsito fossem reduzidas em todo o mundo. Entre elas, estava a o limite de velocidade de até 50 km/h para qualquer via urbana – sem distinção de tamanho ou capacidade. E, em áreas com grande movimentação de pedestres e ciclistas, a recomendação é de 30 km/h. Mas, a medida adotada pelo prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, de reduzir os limites de velocidades nas vias da Capital não deve chegar à região do Alto Tietê. As Prefeituras descartam a necessidade de implantar mudanças na velocidade máxima das pistas municipais. Atualmente, os limites nas ruas e avenidas municipais são de 40 a 60 quilômetros por hora (km/h). A informação foi divulgada pelas Secretarias de Trânsito das cidades de Suzano, Mogi das Cruzes, Ferraz de Vasconcelos e Itaquaquecetuba. Os limites de velocidades são aplicados seguindo o estabelecido pelo Código Nacional de Trânsito (CNT), segundo as prefeituras consultadas. Em São Paulo, a redução visa à diminuição de acidentes de trânsito e mortes. Nas Marginais Tietê e Pinheiros com as novas velocidades máximas o número de acidentes com vítimas caiu 37,5%, de acordo com a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Em São Paulo, o problema foi um só: a crítica de muitos paulistanos por causa do ônus que veio junto com a medida: as multas. Se a proposta é positiva por um lado, a mudança de hábito forçada – e com a falta de uma campanha de esclarecimento mais ostensiva, segundo alguns críticos – acabou irritando os motoristas. O prefeito Fernando Haddad tornou-se alvo de desconfiança da população que entendeu o movimento do chefe do Executivo como uma tentativa de arrecadar recursos por meio de uma “indústria da multa”. No ano passado, entre agosto e dezembro, quando a nova regra já estava valendo foram registradas 2,8 milhões de multas eletrônicas (registradas por radar) de excesso de velocidade. No mesmo período de 2014, quando o limite não era aplicado, a quantidade de infrações foi bem menor: 1,18 milhão, segundo dados da Prefeitura de São Paulo. Mas é importante abrir a discussão em torno do assunto.