A situação financeira do País e que reflete nas milhares de cidades é uma preocupação geral. Mas existem prefeituras que ainda tentam driblar a situação garantindo, ao menos, bons serviços prestados nos setores essenciais. De acordo com a Confederação Nacional de Municípios (CNM), cidades de todas as regiões do País estão à beira do caos com a redução drástica de repasses da União, queda generalizada de receitas e aumento contínuo de despesas. Pelo menos, 100 cidades não receberam 1 centavo do Fundo de Participação, 700 sofreram a retenção de quase 80% daqueles recursos e zeraram a arrecadação, mais de mil estão com a folha atrasada há meses, restos a pagar, fornecedores há sete ou oito meses sem receber e devem à Previdência. A situação nas cidades do Alto Tietê também é difícil com as prefeituras lutando para honrar compromissos como a folha de pagamento, por exemplo. Segundo levantamento da CNM, em 2015, 42,6% das 5.568 localidades não conseguiram fechar as suas contas. Neste ano, o total “com certeza passará de 50%”. Milhares de prefeitos e gestores têm feito, em Brasília, Marchas em Defesa dos Municípios, uma jornada de quatro dias para reivindicar soluções ao governo e ao Congresso. A arrecadação total aumentou 6,3% nominais em 2015 e a despesa, 9,4%. O Fundo de Participação dos Municípios, principal fonte de receita de 60% deles, encolheu 14%, descontada a inflação, no primeiro trimestre diante do mesmo período do ano passado, o equivalente a 323,5 milhões de reais. Os gastos com pessoal pesam. As prefeituras têm 6,3 milhões de servidores, inclusive terceirizados, e a folha de pagamento somou 240 bilhões de reais no ano passado. De acordo com a CNM, as despesas com pessoal cresceram muito porque vários estados e municípios tiveram de assumir serviços de saúde e educação e isso exigiu o aumento daqueles gastos, difíceis de cortar. Os maiores gastos são com educação e saúde. Cerca de 24% da arrecadação destina-se ao pagamento de 1,2 milhão de professores. O piso do magistério aumentou 11,4% em janeiro, impacto de 8 bilhões. O aperto fiscal soma-se ao subfinanciamento sistemático de alguns programas federais. O custo médio da merenda é de 2,50 reais por aluno, e o do transporte escolar, 114 reais, mas o governo repassa 30 centavos por aluno para o primeiro gasto e 12 reais para o segundo. Como a situação ainda é difícil será preciso muita criatividade por parte dos prefeitos eleitos para tentar manter os investimentos no ano que vem.