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Editorial

Cenário crítico

26 novembro 2016 - 07h00 Por Gabriely Machado
Cenário crítico

Levantamento divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) pode trazer importantes análises para ações futuras no Brasil. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) traz entre outras informações a quantidade de analfabetos, desemprego, renda, imóveis, entre outros. Entre as informações relevantes divulgadas está o fato de rendimento médio do brasileiro ter caído 5,4% no ano passado em comparação a 2014. O valor em 2015 ficou em R$ 1.845 por pessoa no mês. Segundo a pesquisa, todos os tipos de renda tiveram queda no ano passado. De 2014 para 2015, houve, pela primeira vez em 11 anos, queda nos rendimentos reais (corrigidos pela inflação). O rendimento de todos os trabalhos passou de R$ 1.950 para R$ 1.853 (-5,0%), o de todas as fontes (que inclui aposentadorias, recebimento de aluguéis, juros, benefícios sociais, entre outros) foi de R$1.845 para R$1.746 (-5,4%), e o domiciliar caiu de R$ 3.443 para R$3.186 (-7,5%). Além disso, todas as categorias do emprego registraram redução no rendimento médio mensal real do trabalho principal, especialmente os trabalhadores domésticos com carteira assinada (-3,1%). Estes números mostram o cenário enfrentado pelo País nos últimos anos desde quando a crise financeira começou, em 2014. Caso a situação não melhore a partir do próximo ano, a tendência é de que o valor caia ainda mais na pesquisa que será divulgada em 2017. Os mais pobres foram mais prejudicados, com uma queda de 7,8% no rendimento médio, enquanto com a retração da economia os mais ricos viram sua renda de 6,6%. Outro ponto crítico apontado pela pesquisa é que o desemprego aumentou. Os serviços respondiam em 2015 pela maior parte dos ocupados (46,3%), com cerca de 43,9 milhões de pessoas, seguidos pelo comércio e reparação, com 17,2 milhões (18,2%). Todos os setores apresentaram queda em relação a 2014, sendo a maior delas registrada na indústria, de aproximadamente um milhão de pessoas (-8,0%). O Pnad divulgado ontem só reforça a situação que está sendo vista por especialista nos últimos anos, o do quanto a crise econômica está sendo prejudicial para o País.